Juiz de Fora tem mais de mil casos de furtos a comércios este ano

Diante da recorrência, comerciantes alegam sensação de insegurança e de impunidade, reivindicando maior policiamento, especialmente durante o período noturno


Por Fernanda Castilho

29/10/2025 às 06h00

Nas últimas semanas, casos de arrombamentos e furtos a estabelecimentos comerciais têm se repetido na região Central de Juiz de Fora. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) mostram que houve aumento de 13,19% no número de furtos e de 4,17% no de roubos a estabelecimentos comerciais no município nos nove primeiros meses deste ano em relação a igual período do ano anterior. 

Entre janeiro e setembro de 2025, Juiz de Fora registrou 1.210 furtos e 25 roubos neste segmento. No município, agosto foi o mês em que houve o maior número de furtos, totalizando 159; fevereiro teve o menor, com 91. Diante da recorrência, comerciantes alegam sensação de insegurança e de impunidade, reivindicando maior policiamento, especialmente durante o período noturno.

A Tribuna vem noticiando as ocorrências recentes e acompanhado de perto os casos. Na semana passada, um homem entrou pelo telhado de uma oficina mecânica localizada no Centro e furtou dois equipamentos eletrônicos avaliados em cerca de R$28 mil. Ainda neste mês, um restaurante e uma loja de utilidades da região Central também foram arrombadas e furtadas durante a madrugada. Nos meses anteriores, um bar no São Mateus e uma loja no Centro também foram arrombados e furtados. Furtos de cabos de fiação também têm sido recorrentes.

Arrombamentos e furtos de comércios somam prejuízos e apreensão

“Na manhã de sexta, acordamos com a notícia de que, não só invadiram a nossa loja, mas também destruíram toda a vitrine de vidro”, conta Vinícius Straube, 20 anos, atendente da Coisas & Trecos, aberta há dois meses na Rua Padre Café, no Bairro São Mateus. Logo após a invasão, ocorrida na madrugada do dia 10 de outubro, comerciantes e moradores das proximidades acionaram a Polícia Militar e tentaram avisar os funcionários da loja sobre a depredação. Além da perda total da fachada de vidro e dos danos em alguns produtos, causados pelo arrombamento, os ladrões também furtaram o dinheiro do caixa da loja e o celular da empresa — prejuízo contabilizado em aproximadamente R$12 mil. 

“Fazemos parte do grupo de lojistas do bairro, no qual pelo menos uma vez por semana comentam sobre um furto, sempre qualificado, nesse sentido de arrombar a porta, ir direto no caixa, procurar itens de valor e ir embora”. Straube afirma que a associação, que reúne moradores e comerciantes do bairro, já solicitou maior patrulhamento policial na região, mas a insuficiência de efetivo é apontada como impedimento. “Estamos entre duas ruas conhecidíssimas da cidade. Se aqui já está nesse estado, imagina em regiões mais periféricas, em regiões mais afastadas.”

loja furtada sao mateus reproducao redes sociais
Na madrugada de 10 de outubro, a vidraçaria da loja foi destruída durante arrombamento; em seguida, o estabelecimento foi furtado (Foto: Reprodução redes sociais)

Já na madrugada do dia 13 de outubro, o Restaurante Resenha, localizado na Rua Santa Rita, no Centro, foi arrombado e furtado. Além do dinheiro que estava no caixa, proveniente do trabalho do final de semana, o criminoso também levou um notebook usado nos serviços. O prejuízo ao estabelecimento foi avaliado em aproximadamente R$ 4.500.

Wagner Machado, 47 anos, proprietário do restaurante, conta que os funcionários perceberam o furto ao chegarem pela manhã e notarem a ausência do equipamento. “Fui olhar nas câmeras e vi que havia sido furtado. Registramos o boletim de ocorrência e foi feita perícia no local, porque ainda havia digitais da pessoa”. Porém, segundo Machado, o suspeito ainda não foi identificado.

O proprietário aponta o policiamento na região central como insuficiente, um dos fatores que contribuem para o aumento de arrombamentos e furtos. Ao demandar maior patrulhamento, o baixo efetivo da corporação é a justificativa dada, diz Machado. “Sentimos falta de como era no passado. Hoje não tem essa ostensividade do patrulhamento no Centro da cidade.”

 

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Após arrombar porta do restaurante, homem furta notebook e dinheiro de caixa do estabelecimento (Foto: Reprodução redes sociais)

Mais de 1.500 furtos em todo o ano passado

Ainda de acordo com dados da Sejusp, dos dez últimos anos analisados, de 2015 a 2025, o que registrou menor número de furtos a comércios foi 2020, período marcado pela pandemia de Covid-19. Enquanto 2021 e 2022, registraram aumento no número de furtos, com 1.718 e 2.051 respectivamente; em 2023 e 2024 houve queda, 1.623 e 1.515. Quanto aos dados sobre roubos, de 2016 a 2024 houve queda de 94% nos casos, caindo de 572 ocorrências registradas para 32 em oito anos.

Os dados abertos são divulgados pelo Observatório de Segurança Pública da Sejusp-MG e analisados a partir de registros de ocorrências da 4ª RISP da Polícia Militar, com sede em Juiz de Fora. Segundo o Código Penal brasileiro, o furto é determinado quando há subtração de um item, algo de valor econômico, com uso de “destruição ou rompimento de obstáculo”. Enquanto o roubo seria a subtração de um objeto por meio de ameaças ou violência.

Demandada pela Tribuna sobre as reivindicações de comerciantes, a 4ª RISP da Polícia Militar e o 2º Batalhão de Polícia Militar não responderam até o fechamento desta matéria. O espaço continua aberto para posicionamento. 

Projeto Totens: vigilância por vídeo e inteligência artificial

Em junho, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria de Segurança Urbana e Cidadania (Sesuc) e da Guarda Municipal, e a partir de diálogos com a Polícia Militar, propôs a implementação de um sistema de vigilância por câmeras com inteligência artificial no chamado centro histórico. O Projeto Totens também prevê a possibilidade de extensão para outros centros comerciais do município.

Segundo a Secretaria de Segurança Urbana (Sesuc), o projeto é uma parceria da Prefeitura com a iniciativa privada. Até o momento, estão sendo feitas reuniões com representantes comerciais para avançar com o projeto de instalação de totens de segurança a serem monitorados pelo Centro de Monitoramento e Operações da Guarda Municipal. “A Sesuc elabora o projeto da área a ser coberta e orienta quanto à especificação dos equipamentos a serem empregados”, afirma.