Mensagens falsas sobre ataques pós-eleição causam insegurança em JF
PM garante que relatos de homicídios de homossexuais e outros ataques não foram confirmados pela corporação

Logo após a vitória do candidato Jair Bolsonaro (PSL), na noite de domingo (28), começaram a circular nas redes sociais, principalmente no aplicativo WhatsApp, mensagens apontando que dois homossexuais teriam sido mortos e espancados na Praça Antônio Carlos, Centro de Juiz de Fora, por apoiadores do presidente eleito. Além disso, foi amplamente compartilhado um áudio de um homem, que estaria comemorando a vitória de Bolsonaro, dizendo que pessoas iriam sair do Manoel Honório para “pegar os viados na porrada” no Centro. Chegaram notícias ainda de que uma mulher havia sido baleada no São Mateus, Zona Sul, durante a comemoração da vitória do presidente eleito. Nenhum dos fatos foi confirmado pela Polícia Militar. Porém, as fake news criaram um clima de medo e insegurança na cidade.
Na manhã desta segunda-feira (29), a Tribuna recebeu mensagens e ligações de leitores questionando sobre os supostos ataques. Até o momento, a única ocorrência que pode ter tido relação com o pleito eleitoral foi a de uma mulher baleada no São Benedito. Informações iniciais da Polícia Militar deram conta de que a vítima teria sito atingida quando comemorava a vitória de Bolsonaro. Porém, no Registro de Eventos de Defesa Social (Reds), não consta a informação. O documento policial afirma que ela foi alvejada quando estava na rua, perto de um bar.
De acordo com o assessor organizacional da 4ª Região da Polícia Militar, major Jovanio Campos, não foram registrados os supostos crimes que circularam via WhatsApp. “Os fatos citados não são verídicos. A Polícia Militar colocou ontem todo seu efetivo de prontidão de forma a estar fazendo frente à manutenção da ordem pública, seja para os aliados de quem venceria e também para os eleitores dos que não obtiveram maioria nas urnas”, disse.

Sobre supostas ameaças e sobre o cenário atual, o oficial destacou que “a Polícia Militar está atenta e acompanhando toda a situação para que possa proporcionar segurança a todos igualmente”. Sobre o prejuízo que as fake news causam, como a sensação de insegurança na população, major Jovanio comentou que é preciso “serenidade para respeitar ambos os lados”. “É muito importante ter equilíbrio. Postar notícias falsas, além de causar insegurança, pode de fato acabar gerando violência. Não compactuamos com tal atitude.”
A Polícia Civil, por meio de sua assessoria de comunicação, informou que, até o momento, não houve informações de registros de ocorrência dessa natureza. No entanto, a instituição “está vigilante e desenvolvendo seu trabalho de Polícia Judiciária a partir do conhecimento do fato criminal, que pode ocorrer por denúncia ou investigação criminal”. Conforme o chefe do 4º Departamento de Polícia Civil em Juiz de Fora, delegado-geral Carlos Roberto da Silveira Costa, se o crime for cometido por meio digital, a vítima deve preservar os dados, tais como tirar print da tela ou salvar os endereços e links que apontam para as provas do crime. Além disso, a vítima também pode salvar vídeos, áudios ou páginas, em mídias, que comprovem o delito. Com essas provas, ela deve procurar os órgãos de segurança pública para fazer o Registro de Eventos de Defesa Social (Reds), pois essa iniciativa colabora com a investigação que será instaurada.
Tópicos: polícia









