Áreas de risco devem permanecer isoladas mesmo com trégua das chuvas, reforça Defesa Civil
Condição dos terrenos segue instável, o que pode levar a novos deslizamentos
Apesar das fortes chuvas que caíram sobre Juiz de Fora apresentarem uma perspectiva de trégua, a orientação da Defesa Civil de Minas Gerais é de que as áreas que são consideradas de risco na cidade deverão permanecer isoladas, já que o solo desses locais ainda está encharcado e saturado e, portanto, segue com riscos de deslizamentos.
Em entrevista coletiva concedida na Rua do Carmelo, uma das mais atingidas do Bairro Paineiras, Zona Central de Juiz de Fora, o tenente-coronel Wenderson Duarte Marcelino, coordenador estadual adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, reforça que as áreas de risco ainda não estão seguras.
“É muito importante que a população entenda que o risco permanece. A Defesa Civil estadual continua nesse trabalho das vistorias, junto com a Defesa Civil municipal e com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), e dando sequência nas atividades”, afirma.
Com relação ao Bairro Paineiras, Marcelino não precisou se há risco de deslizamento de pedras oriundas do Morro do Cristo. “Hoje, está sendo feito um monitoramento com drones do local, para que a gente consiga ter uma visão mais aproximada. A gente ainda não consegue ter um diagnóstico preciso para falar se cai ou não cai, mas as equipes, inclusive a da Defesa Civil nacional, estão envolvidas, juntamente com a Defesa Civil municipal e estadual, para que a gente consiga resolver e ter o diagnóstico para entender esse risco melhor”, explica.
Em relação ao futuro, o tenente-coronel afirma que será necessária uma política pública habitacional para evitar uma nova ocupação das áreas mais críticas de Juiz de Fora. “Boa parte desses imóveis necessitará ser demolida, até os que ficaram intactos, porque a condição de segurança dessas áreas é muito crítica”, diz.

Chuvas podem retornar, mas em menor volume
Conforme Marcelino, as instabilidades climáticas sobre a Zona da Mata estão em deslocamento em direção à região do Vale do Rio Doce, no Nordeste do estado. “A gente tende a ter chuva na região da Zona da Mata só daqui a uma semana, mas, a princípio, no volume bem mais baixo”, projeta o tenente-coronel.
De acordo com a última atualização enviada pela Prefeitura de Juiz de Fora, até às 10h50 deste sábado (28) houve a confirmação de 60 mortes na cidade em ocorrências devido às chuvas, desde a segunda-feira (23). Além disso 8.584 pessoas estão desabrigadas e desalojadas no município. A Defesa Civil registrou, ainda, 2.367 ocorrências.
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