PM inicia policiamento com Bases de Segurança Comunitária
Corporação já implantou novo projeto em 16 pontos de Juiz de Fora e afirma que não deverá acabar com os postos fixos em bairros. Vans vão funcionar das 14h às 23h30
Já estão em funcionamento as 16 Bases de Segurança Comunitária da Polícia Militar em Juiz de Fora. Os veículos, segundo a PM, vão reforçar o policiamento em pontos considerados estratégicos e de grande fluxo. O funcionamento, a princípio, acontece das 14h às 23h30. O efetivo de cada base é composto por quatro militares, e dois deles circularão em motos pelas áreas em rotinas de patrulhamento. A corporação informou que o projeto começou na última terça-feira (25), e que já foram registradas ocorrências nas bases. Uma das polêmicas do projeto é a possível substituição dos Postos de Policiamento Comunitário (PPC) pelas bases. Em Juiz de Fora, até o momento, nenhum foi fechado, mas a corporação afirmou que o posto de Benfica, Zona Norte, sofreu alteração no funcionamento. O local não ficará mais aberto 24 horas.
Além de Juiz de Fora, Contagem, Betim, Ribeirão das Neves, Ibirité, Vespasiano, Uberlândia, Uberaba e Montes Claros receberão o programa. O modelo de policiamento já é adotado em Belo Horizonte desde agosto passado. Os locais de emprego e o horário de funcionamento foram definidos após estudos da PM, que levaram em conta a incidência criminal. As bases são vans equipadas com modernos equipamentos de monitoramento, que servirão também como ponto de registro de ocorrências. O projeto, segundo a PM, pretende descentralizar o patrulhamento, e, consequentemente, aumentar a sensação de segurança dos cidadãos. “Em síntese, a proposta da setorização do policiamento é uma estratégia de segurança pública preventiva, cujo procedimento consiste em organizar o ambiente/espaço de atuação com o objetivo de atuar em proximidade e interação com a comunidade em atenção aos problemas que afetam a qualidade de vida local, em especial a prevenção e combate ao crime, a reação qualificada à violência e a desordem, consubstanciado na metodologia da polícia orientada para o problema e polícia de proximidade”, afirmou o assessor organizacional da 4ª Região da Polícia Militar, major Jovanio Campos.
Segundo o major, “com a setorização, os policiais militares que trabalharão neste serviço serão fixos. Isso possibilitará à comunidade conhecê-los e, assim, criar um elo de proximidade e confiança. Desta forma, os policiais militares conhecerão o seu local de atuação, as pessoas, os hábitos e poderão contribuir ainda mais com a segurança daquela comunidade”, afirmou.
Segundo a PM, alguns pontos ainda carecem de pequenos ajustes, mas que não impedem o funcionamento das bases. Na região Central das cidade, estão sendo empregadas três vans: na esquina da Rua Halfeld com a Avenida Getúlio Vargas, no canteiro central da Avenida Barão do Rio Branco na esquina com a Rua Silva Jardim e próximo ao canteiro central da esquina das avenidas Rui Barbosa e Coronel Vidal (confira na arte todos os endereços onde o projeto já está em funcionamento na cidade)
‘Locais desprovidos de policiamento mais ostensivo vão ter as bases’
Desde que o projeto foi lançado em Belo Horizonte, em agosto de 2017, a preocupação era que as bases móveis substituíssem os postos fixos e companhias. Na época, a Polícia Militar chegou a afirmar que fecharia companhias na capital mineira. O tema foi tratado até em audiência pública na Assembleia Legislativa do estado, e, depois de reclamação de moradores, a corporação voltou atrás e manteve as companhias abertas em Belo Horizonte. Em Juiz de Fora, a polêmica é a mesma, moradores do Bairro Benfica, Zona Norte, chegaram a fazer um abaixo-assinado pedindo que o Posto de Policiamento Comunitário da Praça Jeremias Garcia continuasse aberto. Residentes do São Mateus também se mobilizaram pedindo que a corporação mantivesse o posto fixo da Rua São Mateus em funcionamento. Juiz de Fora tem hoje quatro PPCs: Benfica, São Mateus, Teixeiras e Manoel Honório.
Em entrevista à CBN em 31 de julho deste ano, o comandante da 4ª RPM, coronel Alexandre Nocelli, afirmou que não fecharia os locais. “Temos recursos, principalmente humanos, finitos. Não posso deixar um posto em Benfica e colocar uma base a 500 metros na Rua Martins Barbosa, gastando mais oito policiais. Seria incoerente. Vamos colocar a base na praça, onde há o Ambiente de Paz. Após as 23h, ela será recolhida, e o posto continua trabalhando. Em nenhum momento tivemos a ideia de fechar os postos. Seria um desserviço para a cidade. A comunidade pode ficar tranquila. Mas não vamos criar mais postos. Não temos condições estruturais para isso. Os locais desprovidos de policiamento mais ostensivo vão ter as bases.”
De acordo com o major Jovanio Campos, nenhuma da sete companhias da cidade será fechada. A única mudança nos Postos de Policiamento Comunitário acontece em Benfica. Segundo o oficial, no horário de funcionamento das bases, das 14h às 23h30, o local ficará fechado. Já das 23h30 às 14h, o local passou, desde terça, a funcionar como um ponto base para os policiais. “Não será fechado, mas o policial não vai mais ficar fixo lá. Ele fará patrulhamento pelo bairro, e, de tempos em tempos, vai para o posto. Isso garante mais policiamento e segurança. A aposta da PM com as bases fixas é justamente em ampliar o policiamento”, disse.
O presidente da Associação de Moradores de Benfica, Ronaldo Tadeu Magalhães Pereira, afirmou que já foi feito contato com a PM, que garantiu que o ponto não ficará desguarnecido. “Durante a madrugada, que é um horário com o qual nos preocupamos, toda a região Norte vai contar apenas com o posto de Benfica para que os policiais registrem ocorrência. Automaticamente, não vai ficar vazio, vai ter sempre algum policial, fazendo seus registros. Ainda é muito cedo para falar se será bom, mas estamos apostando que sim. Caso não funcione, voltaremos a falar com a PM”, comentou.
Já o PPC de São Mateus, Zona Sul, segundo a PM, continua aberto 24 horas por dia, sem alteração no atendimento. Mesmo com esta informação, os residentes estão temerosos e se reúnem nesta quinta-feira (27), na Igreja de São Mateus, para que seja criada uma comissão para agendar uma reunião com o comando da PM. A informação foi dada pelo presidente da Associação dos Moradores de São Mateus, Homero Adário, que afirmou que, além dos boatos de fechamento, a preocupação é com a diminuição do efetivo no local.
No Posto de Policiamento Comunitário de Teixeiras, região Sul, não haverá mudança também. “Lá já não fica aberto 24 horas, os policiais usam o local como ponto base. Já em Manoel Honório, Zona Leste, o funcionamento ao público segue até às 18h”, afirmou o major Jovanio Campos.
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