PM inicia policiamento com Bases de Segurança Comunitária

Corporação já implantou novo projeto em 16 pontos de Juiz de Fora e afirma que não deverá acabar com os postos fixos em bairros. Vans vão funcionar das 14h às 23h30


Por Michele Meireles

27/09/2018 às 07h00- Atualizada 27/09/2018 às 08h56

Já estão em funcionamento as 16 Bases de Segurança Comunitária da Polícia Militar em Juiz de Fora. Os veículos, segundo a PM, vão reforçar o policiamento em pontos considerados estratégicos e de grande fluxo. O funcionamento, a princípio, acontece das 14h às 23h30. O efetivo de cada base é composto por quatro militares, e dois deles circularão em motos pelas áreas em rotinas de patrulhamento. A corporação informou que o projeto começou na última terça-feira (25), e que já foram registradas ocorrências nas bases. Uma das polêmicas do projeto é a possível substituição dos Postos de Policiamento Comunitário (PPC) pelas bases. Em Juiz de Fora, até o momento, nenhum foi fechado, mas a corporação afirmou que o posto de Benfica, Zona Norte, sofreu alteração no funcionamento. O local não ficará mais aberto 24 horas.

Base-Móvel-Alto-dos-PassosBase-Móvel-Vila-IdealBase-Móvel-Largo-do-Riachuelo
<
>
Base de Segurança Comunitária montada pela PM no Largo do Riachuelo, Centro (Foto: Olavo Prazeres)

Além de Juiz de Fora, Contagem, Betim, Ribeirão das Neves, Ibirité, Vespasiano, Uberlândia, Uberaba e Montes Claros receberão o programa. O modelo de policiamento já é adotado em Belo Horizonte desde agosto passado. Os locais de emprego e o horário de funcionamento foram definidos após estudos da PM, que levaram em conta a incidência criminal. As bases são vans equipadas com modernos equipamentos de monitoramento, que servirão também como ponto de registro de ocorrências. O projeto, segundo a PM, pretende descentralizar o patrulhamento, e, consequentemente, aumentar a sensação de segurança dos cidadãos. “Em síntese, a proposta da setorização do policiamento é uma estratégia de segurança pública preventiva, cujo procedimento consiste em organizar o ambiente/espaço de atuação com o objetivo de atuar em proximidade e interação com a comunidade em atenção aos problemas que afetam a qualidade de vida local, em especial a prevenção e combate ao crime, a reação qualificada à violência e a desordem, consubstanciado na metodologia da polícia orientada para o problema e polícia de proximidade”, afirmou o assessor organizacional da 4ª Região da Polícia Militar, major Jovanio Campos.

Segundo o major, “com a setorização, os policiais militares que trabalharão neste serviço serão fixos. Isso possibilitará à comunidade conhecê-los e, assim, criar um elo de proximidade e confiança. Desta forma, os policiais militares conhecerão o seu local de atuação, as pessoas, os hábitos e poderão contribuir ainda mais com a segurança daquela comunidade”, afirmou.

Segundo a PM, alguns pontos ainda carecem de pequenos ajustes, mas que não impedem o funcionamento das bases. Na região Central das cidade, estão sendo empregadas três vans: na esquina da Rua Halfeld com a Avenida Getúlio Vargas, no canteiro central da Avenida Barão do Rio Branco na esquina com a Rua Silva Jardim e próximo ao canteiro central da esquina das avenidas Rui Barbosa e Coronel Vidal (confira na arte todos os endereços onde o projeto já está em funcionamento na cidade)

‘Locais desprovidos de policiamento mais ostensivo vão ter as bases’

Desde que o projeto foi lançado em Belo Horizonte, em agosto de 2017, a preocupação era que as bases móveis substituíssem os postos fixos e companhias. Na época, a Polícia Militar chegou a afirmar que fecharia companhias na capital mineira. O tema foi tratado até em audiência pública na Assembleia Legislativa do estado, e, depois de reclamação de moradores, a corporação voltou atrás e manteve as companhias abertas em Belo Horizonte. Em Juiz de Fora, a polêmica é a mesma, moradores do Bairro Benfica, Zona Norte, chegaram a fazer um abaixo-assinado pedindo que o Posto de Policiamento Comunitário da Praça Jeremias Garcia continuasse aberto. Residentes do São Mateus também se mobilizaram pedindo que a corporação mantivesse o posto fixo da Rua São Mateus em funcionamento. Juiz de Fora tem hoje quatro PPCs: Benfica, São Mateus, Teixeiras e Manoel Honório.

Em entrevista à CBN em 31 de julho deste ano, o comandante da 4ª RPM, coronel Alexandre Nocelli, afirmou que não fecharia os locais. “Temos recursos, principalmente humanos, finitos. Não posso deixar um posto em Benfica e colocar uma base a 500 metros na Rua Martins Barbosa, gastando mais oito policiais. Seria incoerente. Vamos colocar a base na praça, onde há o Ambiente de Paz. Após as 23h, ela será recolhida, e o posto continua trabalhando. Em nenhum momento tivemos a ideia de fechar os postos. Seria um desserviço para a cidade. A comunidade pode ficar tranquila. Mas não vamos criar mais postos. Não temos condições estruturais para isso. Os locais desprovidos de policiamento mais ostensivo vão ter as bases.”

De acordo com o major Jovanio Campos, nenhuma da sete companhias da cidade será fechada. A única mudança nos Postos de Policiamento Comunitário acontece em Benfica. Segundo o oficial, no horário de funcionamento das bases, das 14h às 23h30, o local ficará fechado. Já das 23h30 às 14h, o local passou, desde terça, a funcionar como um ponto base para os policiais. “Não será fechado, mas o policial não vai mais ficar fixo lá. Ele fará patrulhamento pelo bairro, e, de tempos em tempos, vai para o posto. Isso garante mais policiamento e segurança. A aposta da PM com as bases fixas é justamente em ampliar o policiamento”, disse.

O presidente da Associação de Moradores de Benfica, Ronaldo Tadeu Magalhães Pereira, afirmou que já foi feito contato com a PM, que garantiu que o ponto não ficará desguarnecido. “Durante a madrugada, que é um horário com o qual nos preocupamos, toda a região Norte vai contar apenas com o posto de Benfica para que os policiais registrem ocorrência. Automaticamente, não vai ficar vazio, vai ter sempre algum policial, fazendo seus registros. Ainda é muito cedo para falar se será bom, mas estamos apostando que sim. Caso não funcione, voltaremos a falar com a PM”, comentou.

Já o PPC de São Mateus, Zona Sul, segundo a PM, continua aberto 24 horas por dia, sem alteração no atendimento. Mesmo com esta informação, os residentes estão temerosos e se reúnem nesta quinta-feira (27), na Igreja de São Mateus, para que seja criada uma comissão para agendar uma reunião com o comando da PM. A informação foi dada pelo presidente da Associação dos Moradores de São Mateus, Homero Adário, que afirmou que, além dos boatos de fechamento, a preocupação é com a diminuição do efetivo no local.

No Posto de Policiamento Comunitário de Teixeiras, região Sul, não haverá mudança também. “Lá já não fica aberto 24 horas, os policiais usam o local como ponto base. Já em Manoel Honório, Zona Leste, o funcionamento ao público segue até às 18h”, afirmou o major Jovanio Campos.

Tópicos: polícia