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Médicos de JF integram ato nacional contra Ministro da Saúde

O #MovimentoForaBarros ocorrerá em várias cidades brasileiras em reação a uma declaração polêmica feita pelo ministro

Por Tribuna

27/07/2017 às 12h58- Atualizada 27/07/2017 às 13h25

Ricardo Barros teria dito que governo tem que “parar de fingir que paga o médico e o médico parar de fingir que trabalha”. (Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)

O Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e a regional juiz-forana do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) vão integrar as manifestações que ocorrem em todo o país, na próxima quinta-feira (3), contra o ministro da Saúde, Ricardo Barros. A iniciativa é da Aliança Médica, grupo que reúne médicos de todo o Brasil, com o apoio da Federação Médica Brasileira (FMB), do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB), da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), da Ordem dos Médicos do Brasil (OMB) e de sindicatos. Em Juiz de Fora, o ato acontece na Sociedade de Medicina e Cirurgia, no Centro, às 10h30. Em seu site, o Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora diz que “todos os médicos devem sentir-se convocados a comparecer”.

“Recentes declarações, repercutidas na mídia brasileira, do principal gestor público da saúde do Brasil, o ministro da Saúde, Ricardo de Barros, do PP do Paraná, causaram indignação e desalento entre os médicos do país, em especial aqueles que ainda se esforçam para se manter no SUS. Essas declarações ministeriais refletiram desconhecimento da realidade, da natureza e da especificidade do trabalho médico e manifestaram um conteúdo de preconceitos velhos e desgastados”, diz a nota do Sindicato dos Médicos.

Foto: Divulgação/Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora

A declaração polêmica de Ricardo Barros aconteceu no último dia 13, durante evento para anunciar o repasse de R$ 1,7 bilhão a municípios para ações na atenção básica em saúde e oferta de transporte para pacientes.

“No meio de todo o palavrório o ministro chegou a ser pejorativo, ressuscitou o surrado ‘finge que paga e finge que trabalha’, e apontou o relógio de ponto como a salvação da lavoura para a crise do SUS. Falou isso como se representasse progresso ou solução decente a equiparação do trabalho médico ao trabalho industrial, fazendo terraplenagem sobre todas as especificidades e necessidades próprias de cada caso. Não apenas revelou desconhecer o trabalho médico, mas também o desinteresse em saber sobre organização do trabalho”, segue a nota.

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Os médicos alegam ainda que o gestor máximo da saúde no país esqueceu “que o serviço público tem sido inóspito para a classe médica, colocando-a entre as mais mal remuneradas entre as que exigem formação universitária. Além da questão salarial e, ainda mais grave, temos a precarização do trabalho médico, na forma de terceirizações, bolsas e até formas de contratação que ferem aos mínimos direitos trabalhistas”.

O #MovimentoForaBarros ocorrerá em várias cidades brasileiras e vai aproveitar para promover o debate sobre outras pautas, como prioridade às indicações técnicas para ocupantes de cargos públicos em Saúde, inclusive, no Ministério; não contingenciamento do orçamento da Saúde; condições dignas de trabalho para os profissionais da Saúde e de atendimento aos pacientes e apoio ao Ministério Público nas investigações de casos de corrupção na Saúde.

Sobre o programa “Mais Médicos”, os profissionais vão pedir ainda prioridade das vagas para médicos brasileiros, obrigatoriedade da revalidação dos diplomas para os médicos estrangeiros, bem como brasileiros formados no exterior, fiscalização e cumprimento da Lei e dos editais e isonomia entre a bolsa do Programa Mais Médicos e a da Residência Médica. Os profissionais reivindicam ainda utilização do Piso Salarial Médico nas contratações dos serviços públicos e privados, aprovação da Carreira de Estado para Médicos e aprovação do Ato Médico.

A reformulação da Lei 9656/98, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde, também será uma das bandeiras, no que tange à remuneração médica. Por fim, os médicos pedem ainda fiscalização ao cumprimento das diretrizes para abertura de novas faculdades de Medicina, que impeçam a criação indiscriminada de instituições de má qualidade no ensino médico e criação de grupo de avaliação (com membros de entidades médicas) das existentes.

 

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