Buscas no Parque Burnier localizam mais cinco corpos e bombeiros procuram 11 desaparecidos em Juiz de Fora
Durante a tarde, buscas continuam por corpos; outras pessoas são procuradas nos bairros Paineiras, Esplanada, Linhares, Nossa Senhora de Lourdes e Vila Ideal
As buscas no Parque Burnier, uma das áreas mais afetadas pelas chuvas em Juiz de Fora, levaram à localização de mais cinco corpos entre a madrugada e a manhã desta quinta-feira (25). Segundo o Corpo de Bombeiros, as equipes seguem no local para tentar encontrar outras seis pessoas que continuam desaparecidas. Também há duas pessoas sendo procuradas no Bairro Paineiras, que também teve um corpo localizado durante a madrugada, e uma em cada um dos bairros Esplanada, Linhares, Nossa Senhora de Lourdes e Vila Ideal. Por volta das 14h40, os bombeiros informaram que mais um corpo foi encontrado, porém não confirmaram a localização.
O Corpo de Bombeiros ainda não informou se os corpos localizados são de adultos ou crianças. Durante a tarde, mesmo com previsão de chuvas, o trabalho segue na busca pelos corpos no Parque Burnier, que pela localização já foram identificados como pessoas que estavam em duas das casas do bairro que desmoronaram.
A orientação é que diferentes pontos da cidade sejam evacuados e que, caso os imóveis apresentem sinais de risco, como aumento de trincas e janelas e portas emperradas, sejam deixados pelos moradores, que não devem retornar a esses locais até a realização de uma avaliação. “Mesmo que um profissional não tenha verificado sua residência, se há sinais, saia antes da vistoria. É melhor pecar pela cautela a mais do que optar por enfrentar essa situação, porque nem todos têm uma segunda chance quando é assim”, afirma Coronel Rezende, da Defesa Civil.
Outra parte do terreno no Parque Burnier teve deslizamento durante a manhã, e está exigindo mais cuidados. “Queremos que a população tenha senso de urgência neste momento. Tenho orientado que as comunidades tenham rede de comunicação. Hoje, conseguimos fazer uma evacuação rápida porque a comunicação ao invés de ser apartamento por apartamento foi feita através do grupo de WhatsApp”, contou o Coronel Rezende.
O bairro, na Zona Sudeste, amanheceu em clima de luto e comoção. Julimara Silva, de 28 anos, é uma das moradoras que está acompanhando de perto os trabalhos em busca das vítimas. Ela também precisou sair de sua casa — apenas com a roupa do corpo — pois o imóvel estava com risco devido a um deslizamento de barranco, e foi direto acompanhar os resgates. Conta que não pretende ir embora até encontrarem todos os vizinhos e conhecidos desaparecidos. “Tô destruída por dentro. As crianças que eu vi nascer estão indo embora, as pessoas que me viram nascer também estão indo. Não são meus parentes de sangue, mas aqui a gente é uma comunidade”, diz.
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Corpo segue sem identificação
Entre as vítimas, 45 corpos em Juiz de Fora já foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML), mas um ainda permanece sem identificação. Segundo a delegada Letícia Gamboge, é necessário confirmar com precisão a qualificação da vítima antes que o corpo seja entregue à família. Ela orienta que parentes levem exames, radiografias, tomografias e até fotografias que evidenciem a linha do sorriso e possam auxiliar no reconhecimento. Até o momento, já se sabe que essa vítima se trata de uma mulher do estado do Rio de Janeiro, mas os vizinhos do imóvel em que ela foi encontrada não tinham maiores informações ou documentações para a identificação.
Buscando reforçar a identificação dos corpos, a Delegacia Regional Santa Teresinha também recebeu reforço de peritos criminais e médicos legistas especialistas. Eles vão realizar um trabalho focado nos exames odontolegais e na coleta de DNA. Além disso, também foi destacado pela delegada o programa Resgate Cidadania, com ação conjunta com a Polícia Civil, para emissão da certidão de nascimento ou da certidão de casamento, que são os documentos necessários para confecção das novas carteiras de identidade das vítimas.









