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Alunos mantêm ocupação de instituições públicas de ensino


Por Guilherme Arêas

23/11/2016 às 18h45- Atualizada 23/11/2016 às 19h00

Mesmo sem aulas, alunos mantêm atividades; na UFJF, estudantes participaram de oficina de teatro (Foto: Divulgação/Ocupa UFJF)
Mesmo sem aulas, alunos mantêm atividades; na UFJF, estudantes participaram de oficina de teatro (Foto: Divulgação/Ocupa UFJF)

Centenas de estudantes continuam mobilizados nas ocupações de instituições de ensino em Juiz de Fora e na região. Mesmo aqueles colégios que não foram efetivamente ocupados estão recebendo debates, palestras, manifestações, oficinas e programação cultural. Os alunos protestam contra a PEC 55 (241), que limita o aumento dos gastos públicos nos próximos 20 anos, incluindo investimentos em saúde e educação; além da MP 746, que promove alterações na estrutura do ensino médio.

No Colégio de Aplicação João XXIII, entre 40 e 50 pessoas estão acampadas desde o dia 7 de novembro. Mesmo sem aulas regulares, os estudantes participam de atividades culturais e aulões para aqueles que vão fazer o Pism. Nesta quarta-feira, por exemplo, eles tiveram reunião com os pais, roda de conversa sobre o tema LGBTTI, música e exibição do documentário “Primavera secundarista”. “Continuamos com uma adesão muito forte. E agora, com a greve dos professores, é que não temos motivo algum para desocupar”, diz o estudante Ayrã de Oliveira Ribeiro. Para a próxima terça-feira, eles preparam uma viagem a Brasília, onde acompanham a votação, em primeiro turno, no Senado Federal, da PEC 55. Pelas redes sociais, os alunos ocupados pedem doações de pão, legumes, frutas, carne, suco, manteiga, biscoito, açúcar, sal, achocolatado, frios e descartáveis.

Na Escola Estadual Almirante Barroso, em Benfica, os estudantes também seguem a ocupação, mas decidiram retornar às aulas nesta quarta-feira. “Fizemos uma assembleia com os pais para decidir o que seria melhor. Chegamos à conclusão de que as aulas serão retomadas e que teremos horários específicos para os debates e atividades da ocupação”, explica o estudante Marco Antônio Andrade. Atualmente, entre 15 e 20 estudantes estão acampados na escola. Mesmo com o retorno das aulas, eles seguem dormindo em uma das salas.

A Escola Estadual Duque de Caxias também segue ocupada. Por lá, as aulas não têm previsão de serem retomadas. Porém, os estudantes que vão fazer o Pism têm acesso a aulões específicos. Conforme a organização do movimento, entre 30 a 40 pessoas seguem acampadas na escola.

Na Escola Normal, uma possível ocupação ainda não foi tema de votação pelos estudantes, mas os alunos estão mobilizados, promovendo debates. Também há mobilizações sem ocupação na Escola Estadual Nyrce Villa Verde Coelho de Magalhães, a Escola Tupã, no São Pedro, onde os atos dos alunos são acompanhados pela direção.

Ainda em Juiz de Fora, a Reitoria da UFJF está ocupada desde o dia 26 de outubro. Em sua página no Facebook, o movimento também pede a doação de materiais para os manifestantes, como alimentos, medicamentos básicos, produtos de limpeza e descartáveis. Os estudantes organizam palestras, oficinas e debates ao longo do dia.

 

Na região

Outras escolas e universidades da região seguem ocupadas. Em Viçosa, um dos dois pavilhões da UFV que estavam tomados pelos alunos foi desocupado na terça-feira. Em São João del-Rei, a ocupação da UFSJ completa um mês nesta quinta. Os alunos planejam fazer um bolo para comemorar a data. Nesta quarta, os estudantes participaram de aula de zumba, oficinas, aula de musicalização, assembleia e sarau.