Tópicos em alta: coronavírus / vacina / tribuna 40 anos / polícia / obituário

Aplicação de todas as doses em JF deve agilizar vacinação a partir de 70 anos

PJF ainda não definiu cronograma para o grupo; nota técnica do Estado prevê que 13% das pessoas com perfil etário entre 70 e 74 anos sejam imunizadas nesta etapa


Por Renato Salles, repórter, e Gabriel Silva, estagiário sob supervisão da editora Fabíola Costa

23/03/2021 às 07h00- Atualizada 23/03/2021 às 07h35

A partir desta segunda-feira (22), a campanha de vacinação contra o coronavírus em Juiz de Fora terá o reforço de 16.060 unidades da Coronavac recebidas pela Superintendência Regional de Saúde (SRS-JF) na última sexta-feira, além das unidades que estavam guardadas para serem administradas como segunda dose. Todas as doses ficarão imediatamente disponíveis para aplicação na população, após mudança na orientação do Ministério da Saúde, que agora incentiva estados e municípios a não mais armazenar a metade das remessas recebidas. Assim, todos os cerca de 16 mil imunizantes da nova remessa serão utilizados como primeira dose e pode significar salto na cobertura vacinal da região.

Tanto a SRS-JF como a Prefeitura de Juiz de Fora confirmaram à reportagem que irão seguir as novas regras definidas pelo Ministério da Saúde. Com a utilização total das últimas vacinas remetidas à cidade como primeira dose, a expectativa é ampliação a cobertura vacinal e atender também a uma nova faixa etária de idosos. Conforme nota informativa da Secretaria de Estado de Saúde do Governo de Minas Gerais, a nova remessa encaminhada aos municípios prevê a imunização de 13% das pessoas com idade entre 70 e 74 anos.

A nota também prevê que, com todas as remessas já encaminhadas aos municípios, além de profissionais de saúde, na proporção de 91,3%, a campanha de imunização deverá contemplar integralmente os grupos de pessoas idosas com mais de 60 anos residentes em instituições de longa permanência; de pessoas com deficiência, residentes em residências inclusivas, maiores de 18 anos; e de idosos com idade superior a 75 anos. No caso do grupo que tem entre 70 e 74 anos, que será atendido parcialmente na proporção de 13%, a imunização seguirá critérios próprios dentro da faixa etária, priorizando, de forma ordenada, idosos acamados; que moram com outro idoso com idade superior a 75 anos; e mediante o cadastro prévio até o limite de doses disponíveis.

Todos os cerca de 16 mil imunizantes da nova remessa serão utilizados como primeira dose, podendo elevar cobertura vacinal (Foto: Assessoria SRS)

Vacinação de pessoas com 75 anos começa no sábado

À reportagem, a Prefeitura reforçou que já possui um cronograma para o início da vacinação dos idosos com idade superior a 75 anos, o que acontece a partir do próximo sábado. Neste fim de semana, a PJF começou a imunizar pessoas com 80 anos ou mais. Logo no sábado, no primeiro dia de vacinação para este grupo etário, 1.302 idosos receberam a primeira dose, em drive-thru montado no campus da UFJF. A imunização dos octogenários prossegue no Departamento de Saúde do Idoso e nas sete Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que ficam nos bairros Benfica, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora Aparecida, Vila Ideal, Santa Luzia, São Pedro e Borboleta.

Também no Departamento de Saúde do Idoso e nas sete UBSs, a vacinação de idosos com idade superior a 78 começa na quarta-feira. Na sexta, abre-se o processo de imunização para aqueles com idade superior a 77 anos. No sábado, começam as aplicações nas pessoas com 75 anos, em drive-thru na UFJF. Ainda não há cronograma para o início da imunização daqueles que integram o grupo etário com idade entre 70 e 74 anos.

Na próxima semana está prevista ampliação dos postos de vacinação na cidade. Conforme informou a secretária municipal de Saúde, Ana Pimentel, a partir do dia 27 também ficam credenciadas para aplicação das doses outras unidades municipais de saúde. A rede juiz-forana conta com 63 equipamentos. Como quatro delas têm sido usados para a testagem de possíveis casos de Covid-19, 59 dos aparelhos serão referenciados para a vacinação, evitando assim que pessoas com sintomas e aquelas a serem imunizadas busquem os mesmos espaços.

Ministério muda orientação, e Regional distribui todas as vacinas armazenadas

Com dificuldade em elaborar um calendário de recebimento e distribuição de vacinas, o Ministério da Saúde, até então, orientava às regionais que metade de cada remessa da Coronavac fosse armazenada para a segunda aplicação, dada a incerteza das datas de novas cargas. No caso da vacina produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, o prazo para a administração da segunda dose é de duas a quatro semanas. Já o imunizante Astrazeneca, produzido pela Universidade de Oxford em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem intervalo de até três meses entre as duas dosagens e já não necessitava de armazenamento de metade das unidades.

O conteúdo continua após o anúncio

No domingo (21), prevendo aceleração na entrega de novas cargas de vacinas pelos laboratórios, o Ministério passou a autorizar que todas as doses recebidas pelos municípios, a partir desta semana, sejam administradas imediatamente. A pasta federal afirma que “a medida já vinha sendo estudada há cerca de duas semanas, e foi atendida após garantia da segurança das entregas por parte dos fornecedores”.

A nova recomendação foi informada aos municípios mineiros por meio de nota técnica da Secretaria de Estados de Saúde do Governo de Minas Gerais. “O sétimo Informe Técnico do Ministério da Saúde recomenda que a D2 seja administrada, preferencialmente, levando em consideração o intervalo máximo (4 semanas). O Ministério da Saúde disponibilizará, em tempo oportuno, essas doses (D2)”, diz o documento.

De acordo com a SRS-JF, seguindo a nova orientação, todas as 23.400 unidades de vacinas recebidas na última semana serão entregues aos municípios nesta segunda, além de 7.100 da remessa anterior que estavam guardadas para segunda aplicação, totalizando 30.520 doses. A Superintendência informou que já estava prevista a entrega da metade da carga anterior e cabe ao município administrar a aplicação como primeira ou segunda doses, de acordo com o andamento da campanha. Considerando apenas Juiz de Fora, são 20.870 imunizantes disponibilizados para a cidade. Destes, 4.810 da remessa anterior estavam reservados para aplicação em segunda dose, cronograma que será mantido pela PJF, conforme informado à reportagem.

A Superintendência também aguarda a chegada de uma oitava remessa, composta pelas vacinas Coronavac e Astrazeneca, decorrentes de uma carga de 542 mil unidades entregues no domingo pelo Ministério da Saúde ao Governo de Minas Gerais.

Salto na vacinação

A nova remessa deve representar um salto da parcela da população de Juiz de Fora a ser vacinada. De acordo com o vacinômetro da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), 30.768 pessoas foram imunizadas no município até o momento, sendo que 16.352 já receberam a segunda aplicação. Seguindo os dados disponibilizados pela PJF, 47.120 unidades foram administradas dentre as cerca de 82 mil unidades que a cidade já recebeu do Ministério da Saúde. Pelos dados, somando as unidades ainda não aplicadas com a carga recebida nesta segunda, a cidade terá cerca de 34.880 vacinas para administrar na população, entre primeira e segunda doses.

O percentual de pessoas contempladas com a vacinação em Juiz de Fora era considerado baixo até a semana passada, quando comparado com outros municípios mineiros. Como revelou a Tribuna na última sexta-feira, Juiz de Fora tinha o menor percentual de doses aplicadas entre as dez maiores cidades de Minas, com base nos números da última quinta-feira do vacinômetro mantido pelo Governo de Minas Gerais.

Avanço é importante, mas não deve aliviar pressão

O infectologista e chefe do setor de Gestão da Qualidade e Vigilância em Saúde do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU/UFJF), Rodrigo Daniel de Souza, considera acertada a mudança de orientação do Ministério da Saúde. Segundo o especialista, apesar de não ser a situação ideal, é comum que aplicações de imunizantes sofram atrasos. “Isso é uma prática comum na vacinação e não inviabiliza a dose. Dose dada não é dose perdida, mesmo que ultrapasse o prazo”, afirma. “Na minha avaliação, entre correr o risco de a segunda dose atrasar alguns dias, comparado a proteger mais pessoas com uma dose, é mais vantajoso ter a maior cobertura vacinal”, avalia Rodrigo Daniel, lembrando que algumas pessoas ficam protegidas já com a primeira aplicação.

O especialista também destacou que a aceleração da vacinação ocorrerá imediatamente, mas depois será compensada com lotes de vacinas que serão destinados apenas para segunda aplicação, sem aumentar a cobertura vacinal. Apesar de garantir um crescimento mais robusto da população imunizada em um curto prazo, o efeito prático será reduzido, conforme o infectologista. “Será um ganho, mas ainda é muito aquém do que o necessário para se pensar em bloquear mutações e conseguir a imunidade de rebanho”, analisa. “Os números não devem cair só porque fez essa estratégia agora. Nós vamos salvar vidas pontuais mas, em termos coletivos, os números não vão ser expressivos”, complementa.

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade pelo seu conteúdo é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.



Desenvolvido por Grupo Emedia