Veterinários dão dicas de cuidados com pets durante o verão
Saiba o que fazer para proporcionar mais conforto aos bichinhos durante as altas temperaturas
O verão já deu as caras e com ele chegam também as altas temperaturas. Os que podem, fogem para a praia ou para a piscina, já outros buscam consolo no ar-condicionado ou no frescor de uma sombra. Mas você sabia que o incômodo do calor pode afetar também nossos amigos de quatro patas? Veterinários alertam para que os tutores fiquem atentos ao bem-estar dos seus cães e gatos e dão dicas de como enfrentar os dias mais quentes e proporcionar conforto aos bichinhos.

De acordo com a veterinária Lígia Silva, os pets, quando estão com calor, logo procuram por locais aonde as temperaturas estão mais amenas. “Geralmente eles procuram sombras, deitam no chão com as patas esticadas, ficam mais ofegantes. Em casos mais graves, ficam com as patas dianteiras abertas, tentando puxar o ar com mais facilidade.”
O também veterinário Guilherme Borges afirma que é importante estar alerta para sintomas como alteração na coloração da língua, apatia, andar cambaleante, excesso de salivação, confusão mental e até mesmo vômito e diarreia. Segundo ele, é preciso ter atenção especial a algumas raças, visto que elas apresentam características que levam a maior possibilidade de hipertermia, como as de pelo longo, a exemplo do Chow Chow, Cavalier King Charles Spaniel e Golden Retriever. Raças de pets braquicefálicos – com focinho achatado – têm maior dificuldade de respirar e com isso também precisam de cuidados especiais em dias mais quentes, como é o caso de Boxer Bulldogs, Dogue de Bordeaux, Pug, Shih Tzu, entre outras.
“A hipertermia é quando ocorre aumento significativo da temperatura corpórea, causado geralmente por longa exposição ao sol, exercícios físicos intensos em dias quentes e ficar em um local quente e abafado, com pouca ventilação. Existem alguns estudos que comprovaram que algumas raças sofrem mais com o calor excessivo, mas é preciso entender que isso é algo individual e dependerá da vida que esse paciente leva durante esse período.”
O que fazer?
Caso seja notado algum desses sintomas, o ideal, segundo os veterinários, é que o tutor aloque os pets em locais mais frescos e com sombra, ar-condicionado ou ventiladores. É possível também oferecer alimentos e água gelada, como picolés naturais de fruta – melancia ou melão sem sementes – ou sachê de água de coco congelado. Existem também tapetes gelados que auxiliam na troca de calor e bebedouros que podem ajudar na hidratação.
De acordo com Guilherme Borges, é preciso sempre trabalhar com a prevenção. Evitar fazer longas caminhadas e exercícios físicos nos picos de calor e, principalmente, manter o pet hidratado. “É válido também conversar com o veterinário, devido a detalhes individuais do paciente.”
Banhos e tosas
Diferente dos humanos, os gatos e cachorros não possuem glândulas de suor. Quando a sensação de calor é maior, eles respiram pela boca, fazendo com que o ar frio entre e resfrie seu corpo. Quanto mais ofegantes, mais calor estão sentindo. A pelagem, por mais que possa parecer incômoda durante as altas temperaturas, conforme os veterinários, têm um papel essencial de isolante térmico, evitando que o bichinho perca ou receba calor em excesso. Ela é importante também para evitar que o animal sofra queimadura de raios solares.
A veterinária Ligia Silva explica que o ideal é sempre monitorar as condições de troca de calor do cão no ambiente em que ele se encontra. Sobre a tosa higiênica, ela afirma que algumas espécies podem se beneficiar, outras nem tanto. “Porém, a tosa higiênica mais alta auxilia na superfície de troca de calor pelo abdômen por condução.”
Os banhos, durante o verão, podem se tornar importantes aliados para o alívio do calor. No entanto, é preciso cautela. Banhos demais podem remover parte da barreira de defesa da própria pele. Além disso, é preciso secar os animais adequadamente, para evitar problemas dermatológicos devido a umidade.
No caso da Pandora, uma cadela da raça São Bernardo, a remoção do subpelo é essencial para o controle da temperatura. A Larissa da Silva, que é uma das tutoras, afirma que durante o verão o cuidado é intenso. “Precisamos sempre ficar de olho na temperatura dela. Estamos sempre trazendo ela para fazer a remoção do subpelo e tomar banho, porque, como a pelagem dela é específica para neve, não tem como dar banho em casa, precisa ter o equipamento certo para fazer a secagem.”
Larissa ainda conta que em dias muito quentes, Pandora precisa ficar no quarto do casal, local da casa onde há ar-condicionado. “No quartinho dela, ela também tem um ventilador, mas em dias muito quentes, nós a deixamos com a gente no quarto. Outra medida que a gente toma é ter sempre água fresca, em fonte contínua, e colocar pedras de gelo para manter refrigerada.”
Atenção também com os gatos
Diferente dos cãezinhos, no caso dos gatos pode ser mais difícil perceber os sinais de que eles estão incomodados com o calor. Porém, conforme Guilherme Borges, os felinos também podem sofrer durante o verão. “Como dica, acho bastante válido investir em fontes de água para estimular o animal a manter hidratação. Por não aceitarem bem os banhos, uma possibilidade é fazer carinhos usando um pano úmido, sempre atento e respeitando cada espécie.”









