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Casos de Covid-19 e gripe prejudicam serviços essenciais em JF

Unidades de saúde, agências bancárias e órgãos de segurança pública são alguns dos setores que enfrentam afastamentos de funcionários infectados pelo coronavírus ou pelo influenza


Por Sandra Zanella, repórter, e Gabriel Silva, estagiário sob supervisão da editora Regina Campos

23/01/2022 às 07h00

O aumento do número de casos de síndrome gripal relacionados à Covid-19 ou à gripe tem impactado o funcionamento de serviços essenciais em Juiz de Fora. Ao longo da última semana, a Tribuna apurou que há reflexos em serviços de saúde, agências bancárias e também na segurança pública, entre outros setores, que observam o aumento súbito no afastamento de funcionários por motivos de saúde. Em alguns casos, têm sido feito ajustes para que as atividades continuem em funcionamento mesmo com a falta de profissionais, mas há situações em que os serviços são suspensos em decorrência dos adoecimentos.

Aumento no número de casos positivos de Covid-19 e gripe atingiu várias unidades de saúde da cidade, inclusive afetando a vacinação contra o coronavírus, como aconteceu na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Ipiranga na última quarta-feira (Foto: Fernando Priamo)

O cenário delicado é derivado de um momento de alta proliferação das contaminações pelo coronavírus no município. As primeiras semanas de 2022 têm sido marcadas pela explosão de casos da Covid-19, que passa a se refletir também no número de pessoas internadas nas unidades de saúde da cidade. Levantamento da Tribuna apontou aumento de 173% nas hospitalizações em Juiz de Fora, enquanto a procura por testes de Covid-19 e de Influenza dispararam desde os primeiros dias de janeiro, possivelmente como consequência das contaminações ocorridas durante as festas de fim de ano.

Assim como ocorreu durante no momento mais crítico da pandemia, os hospitais são os principais afetados pelo alto número de contaminações, não só com relação aos pacientes, mas também com relação aos trabalhadores. O cotidiano das unidades hospitalares já tem sido afetado pelo afastamento de funcionários, ao mesmo tempo em que a demanda por atendimento também voltou a crescer.

No Hospital Monte Sinai, por exemplo, este é o momento em que mais há funcionários afastados. Conforme a assessoria do hospital, “há um volume inédito de afastamentos desde o início da pandemia em todos os setores”. O órgão argumenta, entretanto, que esta é uma realidade que afeta o setor da saúde de modo generalizado. “Nas áreas administrativas, cada liderança reorganiza sua equipe ajustando os quadros, mas na assistência a situação precisou de medidas diferentes, pois há necessidade de manter quadro condizente com o aumento da demanda por atendimento”, informou o hospital, por meio de nota.

Desta forma, foram ampliadas as horas extras em determinados setores, e também foram realizadas contratações de funcionários para manter a assistência. “O maior número de pedidos de licença de funcionários são referentes a quadros de influenza e Covid-19, mas todos com sintomas leves. Não há relatos de agravamento e nem de internação de profissionais”, complementa o hospital, sem informar número de contaminações.

O Hospital Unimed, por sua vez, confirmou o afastamento de 2% dos colaboradores em função de sintomas gripais. Já o Hospital Albert Sabin não estimou percentual e nem divulgou o número de contaminados, mas afirmou que “também foi impactado pela nova onda de contaminação da variante Ômicron do coronavírus”. O hospital assegurou que todos os funcionários infectados ou que tiveram contato com pessoas contaminadas foram afastados, mas está “ adequando a escala para que a assistência continue sendo prestada com excelência”, afirmou o Albert Sabin, por nota.

Sindicato denuncia surto no HPS e em UBS

Conforme o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu), o problema já tem afetado também o Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Teixeira (HPS). Segundo o sindicato, houve surto de Covid-19 no hospital, com oito funcionários infectados na última semana. No caso da unidade, pesa sob a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) a crítica de que não há protocolo para recebimento de pacientes com suspeita de contaminação, uma vez que o HPS não atende a pacientes positivados.

Entretanto, segundo o sindicato, o hospital é porta de entrada para casos prováveis, o que inspira preocupação. A diretora de saúde do Sinserpu, Deise Medeiros, ainda aponta a falta de pessoal como outro problema. “Além da baixa que estamos sofrendo por conta da Covid, nós ainda temos a falta de profissionais para trabalhar nessas unidades”.

Por meio de nota, a Prefeitura afirmou que “há uma sobrecarga de trabalho dos profissionais da área de saúde que, durante esses dois últimos anos, trabalham incansavelmente no combate à pandemia”, e não divulgou a quantidade de servidores da saúde contaminados,.

Vacinação interrompida

Além dos hospitais, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) também têm sido impactadas pelos adoecimentos de profissionais. Na última quarta-feira (19), a Secretaria de Saúde da PJF confirmou a suspensão da vacinação contra a Covid-19 nas unidades dos bairros Furtado de Menezes, na Zona Sudeste; Jóquei Clube II, na Zona Norte; e Ipiranga, na Zona Sul. De acordo com a pasta municipal, as paralisações aconteceram em função do adoecimento de servidores que atendem nesses locais e apresentaram síndrome gripal.

A UBS do Bairro Santa Cruz, na Zona Norte, também passou pelo mesmo problema, mas manteve a vacinação contra a doença causada pelo coronavírus. Durante o período da tarde de quarta-feira, no entanto, a unidade não realizou a vacinação de rotina.

O mesmo voltou a acontecer na quinta-feira (20), na UBS do Bairro Vila Ideal, Zona Sudeste. Um surto de casos de síndrome gripal deixou os funcionários da unidade em alerta, além de trabalhadores de laboratórios localizados no mesmo prédio. Os servidores chegaram a ensaiar uma paralisação nas atividades até que a Prefeitura oferecesse testes para toda a equipe, pedido que foi atendido após intervenção do Sinserpu.

PJF atualiza orientações, e Câmara mantém atendimentos

Para além das unidades de saúde, a Prefeitura confirma que a atual situação da pandemia “apresenta um aumento no número de contaminações” de servidores, “que tem ocorrido com as mesmas características observadas na cidade e no mundo”, segundo afirmou o Executivo municipal, por meio de nota enviada à Tribuna. Por conta do cenário, a Secretaria de Recursos Humanos (SRH) e a Secretaria de Saúde da PJF publicaram uma portaria que atualiza o processo de afastamento dos servidores municipais.

A publicação leva em conta o enfrentamento à Covid-19 e a proliferação do vírus influenza A (H3N2), e estabelece período de isolamento de sete dias para funcionários contaminados, além de deixar margem para que os diferentes setores da Prefeitura estabeleçam regramentos próprios.

Já a Câmara Municipal de Juiz de Fora informou que, nas últimas semanas, os casos de Covid-19 têm aumentado entre funcionários e, desde dezembro, 17 trabalhadores da Casa Legislativa tiveram contaminações confirmadas. “Os colaboradores foram afastados e receberam acompanhamento da comissão interna de combate à Covid-19, que tem o intuito de monitorar e coordenar as ações presentes no protocolo de segurança”, disse, por nota. A Câmara, por outro lado, garantiu que os casos confirmados não impactaram nos serviços prestados à população.

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Agências bancárias tiveram funcionamento suspenso

A explosão de casos de Covid-19 também tem afetado o funcionamento dos bancos em Juiz de Fora. Na quarta-feira, o Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora confirmou que cem funcionários, de pelo menos 26 agências, testaram positivo para a Covid-19 ao longo das duas últimas semanas. O alto número de infectados gerou paralisações pontuais ao longo dos últimos dias.

Na terça (18), a agência do Banco Itaú no Bairro São Mateus, na Zona Sul, ficou fechada, retomando o atendimento ao público na quarta-feira. Nas últimas semanas, agências do Bradesco e do Santander também ficaram fechadas em função de contaminações de funcionários.
A grande quantidade de infecções nas unidades bancárias, na visão do sindicato, demonstra a falta de eficácia dos protocolos sanitários adotados nos locais. “O próprio ambiente bancário é propício para a proliferação da Covid, por não ter circulação de ar e ter uma única entrada”, diz Robson Marques, representante sindical. Sobre as suspensões, ele explica que as paralisações no atendimento costumam durar pouco tempo porque, logo em seguida, os bancos reorganizam o quadro de funcionários, de modo a não deixar a unidade fechada.

Procurado pela Tribuna, o Itaú Unibanco afirmou que “orientou os colaboradores dos escritórios administrativos a priorizar o home office” em função do aumento de casos de Covid-19. “O banco esclarece ainda que, quando há suspeita de que um profissional da rede física de agências possa estar com Covid-19, a unidade é fechada temporariamente, e a equipe que esteve em contato com este colaborador também é afastada das atividades para que o local passe pelo processo de higienização”, assegurou.

O Bradesco e o Banco do Brasil, também em contato via assessoria, asseguraram que adotam protocolos de afastamento de funcionários contaminados e das equipes que têm contato com esses funcionários. O Bradesco ainda disse optar pelo fechamento temporário das agências afetadas.

PM tem 2,8% da tropa afastada

A nova onda de Covid-19 também já impacta setores da segurança pública. A Polícia Militar de Juiz de Fora, por exemplo, tem 2,8% dos militares do seu efetivo, composto por cerca de 1.100 pessoas, afastados atualmente, conforme informações divulgadas na quarta-feira (19) pelo assessor de comunicação organizacional da 4ª Região da PM, major Jean Michel Amaral. Em dezembro, antes das festas de fim ano, o número de casos era próximo de zero. Apesar do aumento de casos, nenhum militar da ativa precisou de internação, e apenas um policial da reserva está sob cuidados médicos, informou o major.

O oficial acrescentou que, devido ao atual momento de alerta da pandemia, há cerca de dez dias a corporação adotou algumas ações preventivas. A principal delas está ligada ao setor administrativo. Aqueles capacitados para também atuar nas ruas estão se revezando em uma função a cada dia de serviço, alternando entre o trabalho administrativo e o policiamento. Já quem atua exclusivamente no trabalho burocrático tem intercalado, dia após dia, tarefas remotas e presenciais, sendo a equipe dividida em duas.

Com isso, apontou o major Jean, a corporação tem garantido até reforço no policiamento, apesar das baixas, incrementando a segurança com cinco a sete equipes/viaturas. As reuniões da PM também voltaram a ser prioritariamente virtuais, e as cerimônias restritas, como as trocas dos comandos da 4ª Região da PM e do 2º Batalhão da PM, estão previstas para fevereiro. “Serão apenas solenidades internas, com a presença do comandante-geral.”

Para assegurar o mínimo impacto possível no efetivo, a corporação também tem feito rastreamento de contatos a partir de qualquer caso positivo. “Os enfermeiros fazem contato telefônico com todos aqueles que tiveram contato pessoal, para saberem se passaram a ter sintomas. Nesta situação, afastamos o militar e direcionamos para exames em laboratório conveniado, que ficam prontos no mesmo dia. Com isso, conseguimos diminuir bastante os afastamentos (por períodos maiores)”, pontuou o assessor de comunicação da PM.

O bom resultado, segundo a assessoria, pode estar também relacionado ao fato de que 99,8% da tropa está vacinada com duas doses da vacina contra a Covid, enquanto 85% já receberam, inclusive, a dose de reforço. “Chegamos a esse patamar porque os enfermeiros (da corporação) foram treinados. Nós mesmos estamos vacinando nossa tropa, então isso agilizou muito. Também reforçamos as medidas de higienização das viaturas, a cada troca de equipe, e ressaltamos a importância do uso de máscaras.”

Ainda de acordo com o assessor, a mesma estratégia de imunização será adotada com as crianças, a partir dos 5 anos, filhas dos militares, a partir do próximo dia 26. O procedimento de vacinação vai acontecer no Núcleo de Atenção à Saúde da PM, em Santa Terezinha.

Medidas sanitárias

Procurada pela Tribuna, a assessoria da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que, desde o início da pandemia, vem adotando uma série de medidas sanitárias para evitar o contágio de servidores e da população. “Tais medidas estão em consonância com as orientações da resolução criada, em conjunto, pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e pela Secretaria Estadual de Saúde.”

A PCMG acrescentou que o controle de servidores infectados, lotados em Juiz de Fora, é realizado pela Diretoria de Perícias Médicas. No entanto, os dados atuais de policiais afastados pela Covid não foram divulgados, “por medida de segurança”.
O Corpo de Bombeiros foi questionado sobre o assunto, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

UFJF aponta aumento de 236% no número de casos

Após as festas de fim de ano, houve um crescimento súbito de casos entre a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Foi o que apontou a décima edição do boletim informativo do sistema Busco Saúde, que monitora a evolução da pandemia entre estudantes, professores e demais servidores. Segundo o boletim publicado nesta quinta-feira pelos pesquisadores da plataforma, houve aumento de 236% no número de casos em comparação com o informativo anterior, publicado em 15 de dezembro.

De acordo com o Busco Saúde, foram 63 casos notificados na nona edição do boletim, número que saltou para 212 no informativo atual. A média móvel de casos confirmados também teve aumento expressivo, saindo de 0,14 casos novos por dia, em 14 de dezembro, para 10,3 casos diários em 15 de janeiro. Por outro lado, não foram notificadas internações ou óbitos em decorrência da Covid-19 entre o público monitorado.

Em contato com a Tribuna, a UFJF informou que segue reforçando os pedidos “para que sejam respeitadas e asseguradas as condições de segurança necessárias aos envolvidos (…), como evitar aglomerações, respeitar a distância entre as pessoas e o uso de equipamentos de proteção individual em tipo e número adequados ao risco”. A Universidade ainda afirma que, “embora esteja ocorrendo um aumento dos casos suspeitos, com servidores, discentes e terceirizados entrando em atividade remota, as rotinas presenciais têm ocorrido normalmente, sem casos de bloqueio de setores no período”.

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