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Estudante se prepara para disputar olimpíada global de Astrofísica e Astronomia

João Pedro Chamhum Basílio, de 17 anos, fará as provas on-line nos dias 25, 26 e 27 de setembro

Por Renan Ribeiro

20/09/2020 às 07h00

Natural de Ubá e morando em Juiz de Fora desde 2010, o estudante João Pedro Chamhum Basílio, de 17 anos, do Colégio Apogeu, classificou-se para a Competição Eletrônica Global de Astronomia e Astrofísica (Global e-Competition on Astronomy and Astrophysics- GeCAA). O jovem passou para a segunda fase de preparação com outros 199 estudantes em março. Desse total, 46 seguiram para o treinamento virtual, por conta da pandemia. Em agosto, João Pedro conquistou o oitavo lugar na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), que o credenciou a representar o país na etapa global.

Nesse ano, em razão da pandemia de coronavírus, a competição de conhecimento acontece on-line, substituindo a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (International Olympiad on Astronomy and Astrophysics ou somente IOAA), destinada a estudantes do ensino médio.

Ele conta que o contato inicial com essa área do conhecimento se deu quando ele resolveu participar pela primeira vez da competição em 2016. “Comecei a gostar muito a me interessar mais e me aprofundei. Nesse primeiro ano, fui chamado para a seletiva internacional, porém, não consegui passar nas outras fases.” No segundo ano, com a final da seletiva em agosto, conseguiu se classificar.

Dentro desse campo do saber, Chamhum se sente mais atraído pela Cosmologia, que é a vertente da Astronomia que se dedica ao estudo da origem e da composição do universo. “Apesar de ser muito difícil, quero me dedicar mais ao estudo da origem do universo. É o que eu acho mais interessante. Muitas vezes, acabamos tendo que recorrer a videoaulas de universidades, para que possamos entender melhor alguns assuntos.”

Nem sempre a matéria está presente nas aulas do currículo do ensino médio, então a preparação exigiu muita dedicação extra. Ele exemplifica essa dificuldade com o aprendizado de cálculos voltados para a matéria. “Não é algo que seja cobrado diretamente nas Olimpíadas Internacionais, mas ajuda a resolver outras questões. Como são conhecimentos que estão por fora, temos que correr atrás para suprir a necessidade e realizar um estudo mais completo”.

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Ele conta que todos os dias acorda às 6h, prepara o café e começa a estudar às 7h e só para por volta das 18h. “Já estava com essa rotina desde as seletivas. Conversei com outros alunos que estavam participando. O nível de preparo que eles exigiram foi muito mais alto em relação aos anos anteriores. Era uma rotina de estudos maluca, ainda mais com esse tempo de incertezas da pandemia. Foi algo que exigiu muito do nosso psicológico, para nos mantermos ativos, estudando.”

A relação dele com a Física mudou. João Pedro conta que passou a levar o estudo da disciplina mais a sério. Tanto que já pensa em cursar Física no ensino superior. A ideia de Chamhum é se especializar em Astrofísica, ou em Física de Partículas. “A partir da OBA tive o primeiro contato com essa área pela qual me apaixonei e quero seguir.”

O estudante confessa que já pensou em desistir, mas ao olhar para trás, percebe o quanto valeu a pena. “É cansativo, desgasta muito, mas valeu a pena ter insistido e estar aqui agora. Isso dá muita força para continuar. Eu sempre tive esse sonho, mas como era sonho, nunca acreditei que pudesse chegar de fato. Converso com as pessoas que querem tentar e falo para elas não pensarem que é impossível. Tem um caminho e dá para tentar. Mas é preciso muito esforço e dedicação.”

João Pedro fará as provas on-line nos dias 25, 26 e 27 de setembro (Foto: Arquivo Pessoal)

Expectativas, facilitadores e dificultadores

Chamhum sabe que a disputa tem um nível de dificuldade muito alto. E a expectativa dele é de fazer uma boa prova. “Vai ser uma experiência nova para quase todos os alunos”. Como a competição será realizada em ambiente virtual, o primeiro dificultador, além de todas as questões, é o tempo, porque ele será menor para a resolução do desafio.

Por outro lado, também há algumas vantagens. Algumas provas, como a de manuseio de telescópio, não serão possíveis. “Isso facilita bastante, porque muitos alunos, como eu, não tiveram um contato muito profundo. Mas estamos estudando. Fiz minha parte e espero que fique tudo bem”.

Como a Olimpíada é um sonho, João Pedro focou seus esforços na preparação. Como ele está no terceiro ano do Ensino Médio, é o último em que ele pode participar. Por isso e por conta do adiamento do Enem, ele está concentrando seus esforços para a competição. Mas disse que, assim que as provas terminarem, deve voltar o foco totalmente para o Enem.



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