VÍDEO: Moradores improvisam passagem para sair de casa após deslizamentos no Linhares
Moradores que ficaram entre duas áreas afetadas improvisaram passagem de madeira sobre lama para sair de casa; Prefeitura afirma que abertura de acesso depende de avaliação técnica, mas não dá prazo

Há mais de 20 dias, Marileia da Silva e seus vizinhos estão cercados por dois deslizamentos de terra que atingiram a Rua José Sobreira, no alto do Bairro Linhares, na Zona Leste de Juiz de Fora. Os moradores que ficaram entre as áreas afetadas foram orientados a redobrar a atenção, mas, em caso de emergência, como sair?
No novo cotidiano, até ir ao mercado se tornou um risco. No máximo, os moradores conseguem chegar a um pequeno comércio mais próximo. Ainda assim, precisam atravessar uma área de risco. Para atravessar o trecho, moradores precisam se equilibrar em pedaços de madeira colocados em cima da terra e da lama, improvisados por eles mesmos. Segundo os relatos, a Prefeitura de Juiz de Fora esteve no local, mas informou que não seria seguro abrir uma passagem na área. Nenhuma alternativa teria sido apresentada.
“Agora será que é porque somos pobres? Ficar em um lugar ilhado, não passa ônibus, carro de aplicativo, nada. Somos pobres, sim, mas somos honestos. Só estamos brigando pelo nosso direito”, protesta a idosa, que relata se sentir isolada. Marileia mora sozinha e é aposentada. Para complementar a renda, trabalha como catadora de recicláveis. Todos os dias, a mulher de 68 anos se arrisca ao passar pela passagem improvisada e escorregadia, em que não há lugar para segurar.
Além dela, crianças que vão para a escola também precisam passar pelo local, assim como outros moradores a caminho do trabalho. A situação foi registrada pela reportagem da Tribuna, que esteve na área na manhã de sexta-feira (13).
No local, o acúmulo de lixo provoca mau cheiro e atrai moscas. Segundo Marileia, no local só passou caminhão de lixo uma vez nas últimas semanas. Há também ali, uma grande poça de água parada. Diante disso, ela questiona: se os moradores são orientados a não deixar água acumulada – como em pratinhos de plantas – para evitar a dengue, por que nada é feito naquele ponto, onde a água parada pode se tornar um foco do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Procurada, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que os serviços de limpeza e remoção de resíduos seguem sendo realizados nas regiões afetadas, de acordo com as condições de acesso e de segurança para a atuação das equipes. Sobre a situação específica da abertura de uma passagem no local, o Executivo explicou que a eventual criação de um acesso para entrada e saída segura dos moradores depende de avaliação técnica da Defesa Civil e das condições de estabilidade do terreno.
Por fim, a Prefeitura afirmou que a Defesa Civil segue acompanhando e monitorando a situação. “Sobre a Rua José Sobreira, o atendimento e as medidas cabíveis observam critérios técnicos e operacionais, de acordo com a complexidade da situação verificada no local.” A administração municipal acrescentou que compreende os transtornos enfrentados pelos moradores e afirmou trabalhar para dar a maior celeridade possível às ações necessárias, “sempre com responsabilidade técnica e foco na segurança da população”.
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