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Ônibus cai em ribanceira e deixa 18 feridos na Vila Esperança II

 Atualizada às 19h04 Pelo menos 18 pessoas ficaram feridas, sendo duas delas idosas em estado grave, após um ônibus urbano, com 33 ocupantes, cair em uma ribanceira no Bairro Vila Esperança II, na Zona Norte, e bater na parede de uma obra. O acidente foi registrado por volta das 6h40 de ontem e mobilizou viaturas […]

Por Michele Meireles

13/09/2016 às 08h14- Atualizada 14/09/2016 às 08h07

 Atualizada às 19h04

Pelo menos 18 pessoas ficaram feridas, sendo duas delas idosas em estado grave, após um ônibus urbano, com 33 ocupantes, cair em uma ribanceira no Bairro Vila Esperança II, na Zona Norte, e bater na parede de uma obra. O acidente foi registrado por volta das 6h40 de ontem e mobilizou viaturas do Samu e do Resgate, além de homens do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. O coletivo fazia a linha 735 (Vila Esperança II) quando, de acordo com relatos de testemunhas, teria perdido o freio e caído dentro de um imóvel em construção. Antes, o motorista ainda teria chocado o veículo em uma guard rail.

Conforme passageiros, houve pânico no momento do acidente. Com as portas travadas, as vítimas tiveram que sair do ônibus pelas janelas. De acordo com o sargento da PM Varlei de Deus, o condutor disse que constatou falhas na pressão dos freios após ter parado na Rua José Ribeiro Sobrinho para embarque de um passageiro. Antes de cair na ribanceira, ele teria tentado acionar o freio de mão, mas sem êxito. “O motorista disse que pensou em fazer a curva e entrar na Rua Custódio Lopes de Mattos, mas teve receio que o veículo tombasse, então, preferiu continuar descendo a rua em que estava para tentar amenizar o problema”, disse o sargento.

O acidente causou tumulto no entorno da rua, que ficou ocupada por vítimas que aguardavam socorro médico, além de parentes e amigos que buscavam informações. A maioria dos feridos foi encaminhada para a UPA Norte e o Hospital de Pronto Socorro, enquanto alguns, que tiveram cortes causados por estilhaços de vidros e se machucaram enquanto saíam do coletivo, ficaram de buscar auxílio médico por meios próprios. Motorista e cobrador não se feriram. As duas idosas machucadas permanecem internadas no hospital. Uma delas, 72 anos, chegou à unidade com fratura exposta no braço direito. Segundo a Secretaria de Saúde, ela passou por cirurgia e segue em observação na enfermaria feminina. Ela está lúcida, orientada e estável. A outra, 64, não tinha ferimentos aparentes, mas se queixava de dores pelo corpo. Ela passou pela avaliação da cirurgia geral e traumatologia e vai ficar em observação. 

 

 

Momentos de desespero

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Um dos passageiros, Gerdeson Mateus, contou que estava no ônibus indo para o trabalho. Segundo ele, o condutor gritou dizendo que o coletivo havia perdido o freio. “No início ninguém acreditou. Depois que vimos que era verdade, foi uma confusão. Todo mundo começou a gritar e logo teve uma pancada forte, caiu gente pra todo lado. Quebramos as portas pra tentar sair, algumas pessoas saíram pela janela, foi um desespero”, conta.

A doméstica Cleusa Maria de Fátima também seguia para o trabalho no momento da batida, de acordo com ela foi “apavorante”. “Pensamos que fôssemos morrer. Todo mundo queria sair, um foi pisando em cima do outro para tentar se salvar”, contou. A passageira Eva Vilma, 40 anos, teve um corte na perna. Ela estava na parte de trás do coletivo. “Assim que o motorista gritou, eu me joguei no chão. Quando bateu, eu fui a primeira mulher a sair pela janela, só que acabei agarrando na borracha de proteção. No desespero para sair, acabei me machucando”, contou. Ela recebeu os primeiros socorros no local e foi para o hospital no carro de uma amiga.

 

Coletivo seguia requisitos para estar nas ruas

Muitos moradores denunciaram que esta não é a primeira vez que um coletivo perde o freio no bairro. Segundo eles, há cerca de duas semanas um caso parecido foi registrado na mesma via, porém, o condutor conseguiu acionar o freio de mão a tempo. “Mandam ônibus velhos pra cá, é um descaso com a gente. O bairro tem muito morro, ruas muito estreitas. Queremos que providências sejam tomadas com urgência”, denunciou a moradora Alaíde Costa.

O veículo que causou o acidente foi emplacado em 2010 e segue os requisitos para operar em Juiz de Fora. Conforme as regras da licitação do setor, recém concluída, os ônibus não podem ter mais de dez anos de uso, e a frota de cada um dos dois consórcios que operam o sistema deve ter idade média de cinco anos. Apesar de ainda não ter recebido a nova identidade visual, a assessoria de comunicação da ViaJF informou que este coletivo compõe a frota que continuará em circulação. Sobre o acidente, foi admitido que pode ter havido falhas nos freios, mas a afirmação só será possível quando da análise pericial. Garantiu, ainda, que todos os veículos passam por manutenção constante e são sempre fiscalizados pela Settra. A pasta, por sua vez, reforçou que desde o início do contrato com os consórcios, 20 novos veículos foram inseridos em linhas da Zona Norte. A previsão é de aumentar esta quantidade em 2017.

 

Demanda por microônibus

Na semana passada, o Bairro Dom Bosco, na Cidade Alta, começou a ser atendido por microônibus do sistema de transporte coletivo. A escolha pelo bairro se deu por suas características, como ruas estreitas e íngremes, como é parte da Vila Esperança. Inicialmente, a previsão é que outro microônibus entre em operação no Alto do Bairro Granbery, região central. Perguntado se o bairro da Zona Norte poderia ser beneficiado com o serviço, a Settra informou que, inicialmente, não existe esta possibilidade. Isso porque o serviço é previsto em ruas descobertas pelo transporte público atualmente, “onde não há condições de um veículo convencional trafegar”.

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