Juiz de Fora soma quase 500 casos de câncer de pele em seis anos
Mais comum entre os tipos da doença, número de casos a crescer, de acordo com pesquisa

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou que, para cada ano do triênio de 2023 a 2025, seriam diagnosticados, no Brasil, 220.490 novos casos de câncer de pele não melanoma, o mais frequente no país, e 8.980 novos casos do tipo melanoma. Mais comum entre os tipos, representando 30% de todos os tumores malignos registrados no país, o câncer de pele é recorrente em pessoas de pele clara e acima dos 40 anos, principalmente os homens. No entanto, como aponta, o perfil de idade vem diminuindo com o aumento da exposição aos raios solares sem proteção adequada por parte da população jovem.
Nos últimos seis anos, Juiz de Fora registrou 495 diagnósticos de câncer de pele entre residentes do município, o que representa 5,37% do total de todos os tipos de câncer notificados (9.221), segundo dados do Painel-Oncologia do Datasus. Dentre os diagnósticos, somente 79 foram de melanoma, enquanto 416 de outros tipos do câncer. O maior número de casos foi registrado em 2022, totalizando 107, já nos anos seguintes houve queda nos diagnósticos notificados.
O município também registrou 73 óbitos causados por câncer de pele nesse mesmo período, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). O tipo não melanoma, o mais comum, foi a causa de 44 mortes, enquanto 29 foram em decorrência do melanoma. Quando comparada a taxa de óbitos à de diagnósticos, nota-se que o tipo melanoma é o mais letal entre moradores da cidade.
De acordo com Alexandre Ferreira Oliveira, membro do Conselho Consultivo do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e presidente da recém-criada Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica, este número de diagnósticos de câncer de pele é uma quantidade já esperada, sendo a doença caracterizada como a mais incidente, equivalente a cerca de 25% de todos os casos. Atuante na área da cirurgia oncológica e também professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o médico explica que, por mais que o melanoma seja o tipo mais raro, tem maior taxa de letalidade, podendo atingir também os olhos, a vulva e os intestinos.
Como mostrado pela Tribuna em novembro, o câncer é a principal causa de morte da população adulta em Juiz de Fora, uma tendência também observada em Minas Gerais e no país. Para Alexandre Ferreira Oliveira, essa constatação deve-se tanto à maior expectativa de vida, quanto aos hábitos prejudiciais, que demandam esforços individuais e coletivos da saúde pública para prevenção e tratamento.
Atenção aos sinais de alerta traz eficácia ao tratamento, aponta dermatologista
Segundo a dermatologista e cirurgiã Marianne Siqueira Lana, os tipos mais comuns de câncer de pele são o carcinoma basocelular (CBC), o carcinoma espinocelular (CEC) e o melanoma. O CBC é o mais frequente e cresce devagar, com baixo risco de metástase, enquanto o CEC é o mais agressivo e pode se disseminar se não tratado. Já o melanoma é o menos comum, porém o mais perigoso, por ter alto potencial de metástase.
A médica destaca que qualquer pessoa pode ter câncer de pele, mas os riscos aumentam para pessoas com pele, olhos e cabelos claros, quem têm tendência a se queimar facilmente ao sol e com histórico familiar da doença, aqueles que trabalham e fazem atividades físicas ao ar livre, quem faz uso de câmaras de bronzeamento ou tenha imunossupressão. Dentre os sinais de alerta, estão feridas que não cicatrizam em até quatro semanas, manchas ou nódulos que crescem, lesões que sangram, coçam e doem, pintas que mudam de cor, forma ou tamanho, especialmente as assimétricas, com bordas irregulares ou várias cores.
“Qualquer alteração nova e persistente deve ser avaliada por um dermatologista, porque muitos cânceres começam como alterações discretas, fáceis de ignorar, não existe ‘tumorzinho’, todos têm potencial de transformação mais agressiva. A avaliação periódica permite identificar lesões suspeitas, especialmente melanomas iniciais, quando a chance de cura é muito maior. Lembro sempre aos pacientes que o menor tamanho de um tumor é o tamanho dele hoje. O exame é simples, rápido e salva vidas”, ressalta.
Prevenção diária deve ser prioridade

Como explica a dermatologista, o tratamento do câncer de pele depende do tipo e do estágio, mas a cirurgia é indicada para a maior parte, com grande potencial de cura quando há o diagnóstico precoce. “No melanoma, a indicação depende do estágio. Nos carcinomas basocelulares e espinocelulares, a cirurgia micrográfica de Mohs é o tratamento padrão ouro, sendo considerado o melhor tratamento pois oferece as maiores taxas de cura com maior preservação de pele saudável”.
Ainda de acordo com a médica, a maioria das lesões benignas não vira câncer, mas pode crescer, inflamar, sangrar ou incomodar. “Há também lesões pré-malignas, como a queratose actínica, que podem evoluir para carcinoma se não forem tratadas”.
A prevenção do câncer de pele, segundo a orientação da dermatologista, envolve medidas simples: usar protetor solar diariamente, com reaplicação a cada duas ou três horas, evitar sol entre 10h e 16h, usar barreiras físicas, como chapéu, óculos, roupas com proteção UV, evitar câmaras de bronzeamento e realizar consultas dermatológicas periódicas. “O ideal é aplicar o protetor solar em todas as áreas expostas, não só no rosto. As regiões com mais câncer de pele — rosto, orelhas, pescoço, braços e dorso das mãos — são justamente as mais esquecidas. No cotidiano, basta proteger as partes descobertas, mas em praia, esporte ou atividades ao ar livre, o protetor deve ser aplicado de forma generosa em todo o corpo”.
Cuidados com a pele no HMTJ e no HU-UFJF
Em razão da campanha do Dezembro Laranja, o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ) promove o tradicional Dia do Atendimento Gratuito, com o tema “Proteger a pele é proteger a saúde”, que neste ano será realizado no próximo sábado (13), das 9h às 15h. Na data, serão oferecidas avaliações de pintas e manchas, diagnósticos, orientações e cuidados por dermatologistas. Os atendimentos seguirão a ordem de chegada dos pacientes e serão realizados no posto de atendimento, baseado na rua lateral, próximo ao estacionamento, no 1º andar da entrada dos ambulatórios.
Também no sábado, o Hospital Universitário da Universidade de Juiz de Fora (HU-UFJF) promove a última edição do “Dia E – Ebserh em Ação” do ano, realizando mais de mil atendimentos adicionais a pacientes da fila do SUS previamente agendados. Serão oferecidas consultas e procedimentos nas áreas de dermatologia, ginecologia, neurologia, otorrinolaringologia, pediatria, oftalmologia, endocrinologia e geriatria, dentre outras especialidades.
PJF diz seguir estratégias estaduais e nacionais
Questionada pela Tribuna, a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora afirma seguir “as estratégias estaduais e nacionais mais comuns, adotadas por secretarias de saúde no Brasil”. A pasta cita a campanha Dezembro Laranja e informa que segue essas diretrizes e que, em 2025, ofereceu vagas para atendimentos dermatológicos, ampliando o acesso da população à avaliação especializada. Em casos de suspeita, o protocolo do SUS prevê encaminhamento para biópsia e, quando confirmada a neoplasia, cirurgia de remoção da lesão, além de acompanhamento contínuo para monitoramento e orientação preventiva, conforme a secretaria.
“Em relação aos exames e cirurgias oferecidos pelo SUS para a população juiz-forana, nos casos de suspeita, o protocolo inclui encaminhamento para biópsia cutânea, para confirmar diagnóstico. Quando confirmada a neoplasia, o tratamento pelo SUS (via redes hospitalares conveniadas) geralmente envolve cirurgia de remoção da lesão — o que, para câncer de pele não melanoma, costuma ser o tratamento curativo padrão”, afirma a PJF.









