Laudo aponta causa natural em morte de aposentado
Caso é investigado pela polícia como suposto golpe do testamento; com resultado, advogados pedirão soltura de jornalista e cuidador
O laudo de necropsia com os resultados dos exames feitos após a exumação do corpo do advogado aposentado Simeão Cruz, de 80 anos, apontou que a morte se deu por causa natural. O exame foi feito para investigar as circunstâncias da morte, diante de um possível golpe do testamento. O laudo foi recebido pela Polícia Civil nesta terça-feira (11). Simeão havia sido sepultado no dia 13 de maio, dois dias após assinar um testamento, deixando como herdeiros a jornalista Denise Zaghetto, 52, e o cuidador Carlos César Viana, 59. Ambos estão presos desde agosto passado em virtude de mandado de prisão preventiva, expedido pela juíza Rosângela Cunha Fernandes, da 1ª Vara Criminal de Juiz de Fora.
O advogado de defesa da jornalista, Ulisses Sanches da Gama, disse nesta terça-feira que o que ocorreu foi um pré-julgamento contra sua cliente e que ela não cometeu crime e sim deixou de cumprir um ato legal no momento da confecção do testamento. Diante disso, ele afirmou que, logo após ter a confirmação do resultado da exumação, solicitou a revogação da prisão preventiva da jornalista. “Entendemos que não há nenhum requisito para manter a custódia da minha cliente. Estelionato é um crime de menor potencial ofensivo, o que não justifica sua prisão. Ela errou ao não ter chamado o tabelião para fazer o testamento em casa, e a forma é que foi errada. Hoje – terça-feira – entrei com pedido de revogação da prisão e acredito que até quinta-feira teremos uma resposta “, garantiu. A Justiça de Minas Gerais já havia negado o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa da jornalista.

Denise Zaghetto está acautelada desde o dia 2 de agosto na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. Já o cuidador foi capturado por policiais militares um dia depois e, após exames, foi levado para o Ceresp. À reportagem, o advogado que o defende, Giovanni Malta do Valle Silva, disse que o resultado já era esperado e apenas comprova a inocência de seu cliente. Ele afirmou que irá pedir novamente a soltura de Carlos. O delegado Eurico Cunha Neto, responsável pela investigação do caso, alegou que as prisões preventivas dos investigados foram determinadas, pois, caso ficassem soltos, poderiam atrapalhar as investigações e destruir provas.
O caso
Simeão foi enterrado sem que os parentes fossem comunicados da morte. Na casa dos investigados, foram apreendidos celulares, notebook, documentos, medicamentos e R$ 8.700, que seriam provenientes de um saque de R$ 40 mil realizado na conta de Simeão. Ainda é investigado o destino de R$ 39 mil referentes à venda do veículo do aposentado. O inquérito do caso deverá ser concluído até o final deste mês.
Sobre o testamento, o delegado afirmou que o documento foi feito pela jornalista e levado até o idoso (em sua residência) dois dias antes de ele morrer. À época, o delegado disse que o aposentado teria assinado o documento de forma debilitada. O testamento foi assinado por três testemunhas, sendo elas uma amiga, 57, e um ex-namorado da jornalista, 58, além de um ex-motorista de Simeão, 28, que, segundo Eurico, não estavam presentes no momento da assinatura.
Tópicos: polícia








