Projeto promove competição em escolas para estimular reciclagem

Em sua quinta edição, Grana Verde recolheu e descartou corretamente mais de cinco mil pilhas

Por Tribuna

11/07/2018 às 19h26 - Atualizada 12/07/2018 às 09h06

Entrega da premiação aconteceu na manhã desta quarta-feira (11), no Colégio de Aplicação João XIII (Foto: Felipe Couri)

Mais de cinco mil pilhas foram recolhidas e descartadas corretamente por estudantes, diminuindo o impacto negativo do material no meio ambiente. Este é o resultado do projeto Grana Verde, organizado pelo Núcleo de Empreendedorismo (Nempe) da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em parceria com as Empresas Juniores da instituição. A iniciativa visa estimular, nas escolas, a educação ambiental e a preservação do planeta.

Em sua quinta edição, quatro instituições de ensino de Juiz de Fora participaram da iniciativa, cuja entrega da premiação ocorreu nesta quarta-feira (11), no Colégio de Aplicação João XXIII. Durante duas semanas, estudantes se mobilizaram em uma grande corrida para arrecadar e descartar corretamente o material químico.

Para estimular a atividade, a cada pilha doada, os alunos receberam uma moeda virtual, intitulada Grana Verde, na qual recebiam um número da loteria federal para participar do sorteio da premiação: R$ 300. Além do prêmio, os estudantes ganharam conta vitalícia ilimitada no Google para armazenamento de vídeos, fotos e arquivos.

Segundo o coordenador do Nempe e professor da UFJF, Paulo Villela, a opção por trabalhar com pilhas partiu da dificuldade das pessoas em descartar o material no lixo corretamente. Segundo a Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica, atualmente são vendidas mais de um bilhão de pilhas por mês no país, e menos de 1% deste material é reciclado.

“O projeto foi criado com o objetivo de incentivar o descarte do material reciclável, e os alunos se envolverem e se engajaram muito. Já trabalhamos com material eletrônico, latinhas de alumínio e, dessa vez, escolhemos a pilha. Ficamos impressionados com o sucesso rápido do projeto”, afirma Vilela, ressaltando que as instituições de ensino atingiram a meta esperada em duas semanas.

Engajamento

Somente no Colégio de Aplicação João XXIII, mais de 3.100 pilhas foram recolhidas pelos alunos. Alunos de nono ano foram envolvidos na atividade, que mesclou conceitos de educação ambiental em uma competição para “salvar o planeta”. “Trabalhamos no sentido de dar destinação correta ao material e atingimos a meta inicial no segundo dia, mas continuamos trabalhando para mostrar que a meta maior era de termos um trabalho melhor de conscientização”, explica o coordenador do Ensino Fundamental do João XXIII, Nelson Faria.

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A vencedora do sorteio foi a aluna Laura Melo do Nascimento, de 14 anos. Estudante do nono ano, ela arrecadou mais de 40 pilhas com familiares e vizinhos. “Quando falaram das pilhas eu logo lembrei de algumas que tinham na gaveta, de controle remoto antigo que não funcionava mais, e conhecia algumas pessoas que tinham bastante pilhas. Eu pedi para elas me darem que eu traria para cá”, conta.

Segundo Laura, o mais importante do projeto não era o dinheiro envolvido, mas sim a possibilidade de ajudar o planeta com o descarte correto. “Trouxe pela campanha em si. Além de ter ajudado um pouco o planeta, aproveitei para tirar aquelas pilhas da gaveta”.

Com o dinheiro da premiação, ela pretende comprar uma mesa de desenho para aprender um pouco mais sobre a profissão que pretende exercer no futuro: designer.

Da sala de aula para casa

Família de Laura Nascimento, vencedora do prêmio, pretende mudar hábitos familiares com conscientização ambiental (Foto: Felipe Couri)

Os conceitos de educação ambiental transbordaram as paredes da sala de aula e se mostraram capazes de mobilizar toda uma família. O pai de Laura, Luiz Fernando do Nascimento, conta que os ensinamentos de ecologia e sustentabilidade trazidos pela filha fizeram a família repensar projetos antigos de aproveitamento de recursos, como uso da água da chuvas para dar descargas.

“Ela já mudou muito a visão dela de sustentabilidade e conseguiu mudar a nossa. Projetos que estavam adormecidos, por falta de tempo e condições, já estão começando a voltar à tona. Com essa mentalidade que ela espalhou, acho que agora é a hora de recomeçar”, diz.

Para o coordenador do Ensino Fundamental, Nelson Faria, mudanças de hábitos como esta aumentam a esperança de construir um planeta mais sustentável no futuro. “Isso é uma semente que é plantada. Cada aluno, hoje, sabe melhor como destinar e reaproveitar esse material para que a gente tenha um planeta melhor”.

De acordo com o coordenador do Grana Verde, Paulo Vilela, o projeto deve continuar em novas escolas no próximo semestre. A ideia é que cada empresa júnior adote um colégio para coordenar a campanha, junto ao Núcleo do Empreendedorismo da UFJF.

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