Juiz de Fora tem 27 pessoas desalojadas após chuvas do final de semana
Segundo Defesa Civil, ninguém está desabrigado; cidade teve 40% das chuvas esperadas para o mês em apenas quatro dias
Ao menos 27 pessoas estão desalojadas em decorrência das chuvas ocorridas no último final de semana em Juiz de Fora. A situação foi passada à reportagem pela Defesa Civil do município na manhã desta segunda-feira (10), informando também que nenhuma vítima está desabrigada. Treze imóveis estão interditados na cidade e, no total, 67 imóveis foram vistoriados. Em todo o fim de semana foram 68 ocorrências registradas pela Defesa Civil. A maioria delas, segundo o órgão, foi relacionada a deslizamentos de solo. Apenas em quatro dias, a cidade registrou 40% das precipitações previstas para todo o mês de janeiro, conforme a média histórica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão é que a instabilidade permaneça.
Na manhã desta segunda, equipes da Prefeitura faziam limpezas de vias públicas após o registro de quedas de árvores. Houve registros desse tipo de ocorrência em pelo menos seis localidades: na Estrada Athos Branco da Rosa, no Bairro de Lourdes, região Sudeste; na Praça do Riachuelo, no Centro; no Museu Mariano Procópio, no bairro de mesmo nome, e na Rua Luiz Rocha, no Bairro Eldorado, ambos na região Nordeste; na estrada do distrito de Paula Lima; e na esquina da Rua Manoel Bernardino com a Avenida Itamar Franco, no Bairro São Mateus, Zona Sul.

No domingo (9), o atendimento mais grave aconteceu no Bairro Santa Rita no começo da manhã, quando uma edificação desabou parcialmente. A equipe da Defesa Civil esteve no local para vistoriar os imóveis próximos, gerando cinco interdições. “A equipe de engenharia orientou os moradores para promover a consolidação do imóvel com acompanhamento de um profissional habilitado e as famílias foram atendidas pelo Serviço Social da Defesa Civil”, diz a Defesa.
No sábado (8), foram 14 ocorrências atendidas pela Defesa Civil. De acordo com o órgão, a maior parte foi relacionada a deslizamentos de solo e 40 residências receberam vistorias ao longo do dia, com três equipes trabalhando simultaneamente para atender a população. “Nenhuma família está desabrigada em função das chuvas”, disse a Defesa Civil.
A ocorrência de maior destaque no sábado foi registrada na Rua Enéas Mascarenhas, Bairro Monte Castelo, na Zona Norte, onde aconteceu um desabamento de muro de contenção. A equipe de engenharia da Defesa Civil compareceu ao local para orientar o proprietário. Segundo o órgão, o local tem histórico de deslizamento e problemas na drenagem pluvial. “Para mitigar os riscos, a rua está interditada e o local foi coberto com lona”, afirma. Após vistoria nas residências do entorno, um imóvel foi interditado parcialmente.

Já no Bairro Bonfim, região Leste, houve um escorregamento de talude que atingiu uma residência de dois andares, na Rua Barão do Retiro próximo à Rua Eugênio Fontainha. Por conta do evento, 12 unidades habitacionais foram vistoriadas pela Defesa Civil e, preventivamente, quatro casas foram interditadas. Também no sábado, na Vila Olavo Costa, região Sudeste, também aconteceu deslizamento de solo e oito unidades habitacionais foram vistoriadas, com três interdições.
Segundo a Defesa, sete equipes ainda realizam vistorias nas ruas mais atingidas. Em caso de emergência, a população deve acionar o órgão pelo 199.
Córrego do Bairro Industrial transborda e deixa ruas alagadas

Na madrugada desta segunda-feira (10), o córrego Humaitá transbordou na região do Bairro Industrial, Zona Norte de Juiz de Fora, interditando a passagem na Avenida Lúcio Bittencourt, que está totalmente alagada. Os moradores manifestaram à Tribuna preocupação com o atual estado da via pública e insegurança com a possibilidade das residências próximas serem atingidas em caso de mais chuva.
Segundo o publicitário Erik Wagner Ferreira, 48 anos, morador do bairro, por volta das três horas da manhã vizinhos o avisaram sobre o começo da inundação na Avenida Lúcio Bittencourt. O morador precisou correr para retirar seu carro da garagem e evitar maiores prejuízos.
“Agora a avenida já está intransitável e o córrego está numa constante de cheia. Por enquanto ainda não existe nenhuma casa atingida pela água, mas se chover mais pode ser que o volume aumente e cause maiores estragos. Se eu tivesse deixado meu carro lá, não conseguiria tirar mais”, alerta Erik.
UBS fechada
Por conta dos problemas decorrentes das chuvas, a Secretaria de Saúde (SS) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que os atendimentos na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro ficará fechada nesta segunda-feira. “As pessoas que precisarem de atendimento podem se dirigir às unidades mais próximas”, afirma a pasta, em comunicado.
Sem mureta, sem proteção
No início do mês passado, a Tribuna havia noticiado a queda da mureta que separava o córrego da via pública, na altura do número 41, próximo ao posto de gasolina, comprometendo a proteção do local. Após quase um mês da denúncia, o problema não foi solucionado, fazendo com que o volume da água subisse mais rápido, na avaliação dos moradores.
Já na manhã desta segunda-feira, de acordo com o relato dos moradores, não foi possível identificar mais a mureta, pois o volume da água está superior.
Problema recorrente
Há mais de 15 anos, Erik mora no Bairro Industrial e revive anualmente esse problema. Nesta terça-feira (11), sua filha completa 15 anos e ele relembra o momento de seu nascimento, quando sua esposa entrou em trabalho de parto no dia da enchente e precisou sair do bairro por meio de um barco.
“A gente já está meio que acostumado, no mês de janeiro acontece esse tipo de inundação no nosso bairro. Infelizmente já convivemos com isso há muitos anos. Há 15 anos exatamente a minha esposa saiu de casa em trabalho de parto de barco e a história se repete mais uma vez, vai estar cheio meu bairro e nada foi feito”, questiona o morador.
Nível do Rio Paraibuna chama atenção

Diversos pluviômetros espalhados pelo município evidenciam a concentração de chuvas. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), foram 182 milímetros desde quinta-feira no distrito de Chapéu D’Uvas, 153 milímetros no Floresta, Zona Sudeste; 138 milímetros no Bairro Grama, Zona Nordeste; e 134 milímetros no São Judas Tadeu, Zona Norte.
Chama atenção, também, o nível do Rio Paraibuna. De acordo com dados da Agência Nacional de Águas, a altura da água na calha está em 4,84 metros em Marmelos. Para efeitos de comparação, há uma semana, dia 3 de janeiro, o nível estava em 2,39 metros. Em alguns pontos da Avenida Brasil já é possível visualizar a água encostar na estrutura da ponte.
A Tribuna entrou em contato com a Cesama e pediu informações sobre o controle da vazão no rio. A reportagem será atualizada quando houver um retorno.
Chuvas permanecem até quarta-feira
A instabilidade no Sudeste Brasileiro é resultado de um fenômeno climatológico chamado de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Trata-se de um canal de umidade, que se forma a partir da região da Amazônia, e segue para o Sudeste. Uma das características da ZCAS é trazer chuvas contínuas, com grande acumulado, por quatro dias ou mais.
A previsão é que a ZCAS permaneça em atuação na cidade pelo menos até quarta-feira (12). Até este dia, o céu permanece nublado, com chuvas a qualquer momento. Os termômetros registram entre 17 e 22 graus.









