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Saiba como destinar óleo de cozinha usado para a reciclagem em JF

Resíduo apresenta alto risco de contaminação à natureza e pode ser transformado em biocombustível ou sabão


Por Mariana Floriano, estagiária sob supervisão de Luciane Faquini

09/05/2021 às 07h00

Utilizado para fritar alimentos, tanto em casa quanto em estabelecimentos comerciais, o óleo de cozinha que sobra, além de ter grande potencial econômico, também apresenta um alto risco de contaminação à natureza, caso seja mal descartado. Por falta de informação, esse resíduo é erroneamente jogado em ralos de pias, ou colocado em recipientes fechados no lixo. Porém, o óleo de cozinha pode ter um fim muito mais econômico e sustentável. Em Juiz de Fora, são muitos os destinos que esse resíduo pode tomar, que não seja o descarte incorreto.

Um dos produtos que podem ser gerados pelo aproveitamento do óleo de cozinha usado é o sabão. Em um procedimento químico simples, que pode ser feito em casa, a nutricionista Clorisana Abreu afirma que o sabão feito a partir do óleo usado é “o melhor do mundo”.

“Nós adotamos o hábito de sempre coar o óleo e transferir para um recipiente de vidro com tampa. Com o óleo, minha mãe faz sabão para que possamos usar no lugar do detergente comum, assim conseguimos reciclar esse óleo e ainda economizamos com produto de limpeza”, afirma Clorisana.

Ela ainda diz que, na sua opinião, o sabão tem uma qualidade muito superior ao industrializado. A partir dessa iniciativa, outros amigos da família passaram a recolher o óleo para ganhar o sabão também.

O sabão feito a partir do óleo de cozinha usado é produzido em casa e substitui o detergente comum (Foto: Arquivo Pessoal)

Projeto da UFJF produz sabão para população vulnerável

O Departamento de Química da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) também pode ser um destino sustentável para o óleo de cozinha produzido pelos cidadãos juizforanos. Em uma iniciativa solidária, a partir do óleo recolhido através de doações, o projeto fabrica sabões e sabonetes líquidos que são destinados para grupo de pessoas em condições de vulnerabilidade.

A iniciativa teve início em 2020, e segundo a UFJF, entre abril e setembro foram produzidos 11 mil litros de sabonete líquido e 8.700 barras de sabão, que tiveram como destino 66 instituições e projetos.

O projeto teve uma pausa em setembro, porém retornou às atividades em janeiro de 2021. Desde lá, a universidade afirma que 350 litros de sabonete líquido e 4.400 barras de sabão já foram produzidos e doados para 36 instituições.

Doações para o Mesa Brasil

A professora Denise Lowinsohn, responsável pelo projeto, afirma que o uso contínuo de produtos de higiene fez com que o projeto retornasse. “Hoje temos uma parceria com a Mesa Brasil do Sesc, que recolhe nossas doações e as distribui”.

O projeto depende da doação dos insumos para a produção de sabão, que pode ser feita pela população de Juiz de Fora diretamente na UFJF. Basta deixar o óleo de cozinha usado do lado direito das escadas do Reuni, próximas à sala 401 no prédio do Instituto de Ciências Exatas (ICE). “Não é necessário entregar em mãos, basta deixar os produtos neste local que nossa equipe irá recolhê-los”, afirma Denise.

Óleo vira insumo industrial para produção de biocombustível

Outro destino muito rentável para o óleo é a sua transformação em biocombustível. É nesse ramo que atua a Recicla Minas (@sigareciclaminas), empresa juizforana que realiza a coleta do óleo de cozinha usado na cidade há mais de seis anos.

Wallace Amaral Rodrigues, fundador da empresa, afirma que a ideia surgiu a partir da observação do óleo de cozinha da própria casa, que era descartado de forma incorreta. “Fazendo uma breve pesquisa com amigos e familiares mais próximos, percebi que a grande maioria também descartava o óleo de forma errada”.

Atualmente, a Recicla Minas possui parceria com diversas empresas e institutos de Juiz de Fora e tem pontos de coleta espalhados pela cidade. “Também temos um número de Whatsapp para coletar óleo na casa da própria pessoa, visto que, principalmente durante a pandemia, muitos não têm possibilidade de se deslocar até os locais de coleta”. O contato com a empresa pode ser feito através do Whatsapp, (32) 98899-7565.

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Juntamente com a coleta de óleo, a empresa também oferece o recolhimento de buchas de cozinha usadas, que são doadas a uma empresa de reciclagem da cidade. “Para incentivar a participação na coleta, a cada 5 litros de óleo de cozinha usado, nós trocamos por uma bucha e um detergente”, afirma Wallace.

Ainda de acordo com o fundador, a empresa recolhia em média 8.500 litros de óleo de cozinha usado por mês, porém com a pandemia o volume reduziu pela metade. “Principalmente devido ao fechamento de estabelecimentos como bares e restaurantes. O que está ajudando a empresa, além do recolhimento nas residência, é esse outro passo que nós demos durante a pandemia, de fortalecer nossas redes sociais e criar uma linha de produtos sustentáveis que visa diminuir o impacto ambiental na cidade”.

O óleo de cozinha coletado pela empresa tem como destino duas usinas de biocombustível, uma em Belo Horizonte e outra na cidade de Sumaré, em São Paulo. O biocombustível é utilizado por veículos e produzido a partir de matérias orgânicas vegetais, entre elas o óleo de cozinha usado. Um dos biocombustíveis mais usados no Brasil é o biodiesel.

Legenda: Recolhimento do óleo de cozinha usado é feito na própria residência. Foto tirada antes da pandemia (Foto: Arquivo Pessoal)

Juiz de Fora terá sua própria usina de biocombustível

Com planos de iniciar as atividades em outubro, as obras civis para uma usina de biocombustível em Juiz de Fora já estão acontecendo. O projeto é fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) com a UFJF e a empresa britânica Green Fuels, que cedeu o maquinário necessário para a instalação da usina na cidade. No momento, a usina está sendo instalada no Centro Integrado de Ensino, Pesquisa, Extensão, Transferência de Tecnologia e Cultura da UFJF (CIEPTEC – UFJF).

De acordo com o coordenador geral do projeto e professor no Departamento de Química da UFJF, Adilson da Silva, ainda é necessária a autorização por parte do Corpo de Combeiros e a instalação dos equipamentos para a produção do biodiesel a partir do óleo de cozinha usado. Segundo ele, a empresa terá capacidade de produção de três mil litros por dia, segundo o qual um litro de óleo usado produzirá um litro de biodiesel.

O coordenador ainda afirma que o combustível produzido terá aplicação em veículos e motores estacionários da frota da PJF, da UFJF e da Empresa Municipal de Pavimentação (Empav), bem como geradores da Universidade. “Além disso, haverá o estudo da utilização do biocombustível produzido em geradores para fornecer energia elétrica, o que integra a proposta de descentralização da produção de combustíveis renováveis e a necessidade de conduzir energia a regiões remotas”, explica. Outro produto gerado será o glicerol, este que poderá ser distribuído para projetos sociais de distribuição de sabão na cidade.

O diretor de inovação da UFJF, Fabrício de Campos, afirma que a parceria consolida as ações da iniversidade no campo das energias renováveis. “Destacamos a possibilidade de se estabelecer um ecossistema de tecnologia e inovação necessário para o desenvolvimento e consolidação da Plataforma de Bioquerosene e Renováveis da Zona da Mata, devido à excelência de seu capital humano, dos laboratórios e infraestrutura disponibilizada pela UFJF”.

O equipamento FuelMatic GSX3 da empresa britânica Green Fuels vem sendo instalado no Cieptec da UFJF (Foto: Divulgação UFJF)

Outras iniciativas

A Associação dos Amigos (Aban) de Juiz de Fora, também participa desta frente. O projeto ÓleoVita recolhe o óleo de cozinha usado em diversos pontos da cidade, que são destinados a um projeto social que atua na produção de sabão. O que sobra é vendido para empresas que produzem biodiesel, e os recursos adquiridos com a venda, destinados para a manutenção dos projetos sociais da Aban.

Locais como a Catedral de Juiz de Fora, Shopping Alameda e o Batalhão do Exército da 4ª Brigada, são alguns dos ecopontos que recolhem o óleo usado. Para conferir todos os ecopontos de coleta, basta acessar o site do projeto.

A rede de supermercados Bahamas, também possui parceria com a Aban e oferece ecopontos para coleta de óleo usado em todas as lojas de Juiz de Fora. De acordo com a empresa, em abril deste ano, a coleta se expandiu para as cidades de Leopoldina, Muriaé, Cataguases, Ubá, Viçosa, Ponte Nova e na segunda quinzena de maio será implantada nas cidades de São João del Rei e Barbacena.

Por que reciclar

De acordo com o professor Adilson da Silva, o óleo de cozinha muitas vezes é descartado na pia, vaso sanitário, aterros, rios e latas de lixo ou são enviados para outras cidades, através de empresas.

“A consequência do descarte incorreto pode ser a contaminação e impermeabilização do solo, o que pode provocar enchentes e alagamentos com a chegada de chuvas. Consequentemente, pode haver, ainda, a liberação do gás metano, um dos responsáveis pelo efeito estufa”, explica.

O professor ainda afirma que apenas um litro de óleo é capaz de contaminar 20 mil litros de água, ressaltando a importância da coleta e consequente reaproveitação para que se diminuam os riscos de contaminação dos rios mares e solo.

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