Após chuvas, Mariano Procópio terá obras com recursos do PAC e da reconstrução
Prefeitura busca recursos da Defesa Civil Nacional enquanto mantém obras já previstas pelo PAC
O Bairro Mariano Procópio, na região central de Juiz de Fora, vai receber duas frentes de investimentos federais em infraestrutura. Os recursos chegam em meio a problemas antigos enfrentados pela região, agravados pelas chuvas de fevereiro, e têm origem tanto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), já previsto antes do período chuvoso, quanto em verbas do Governo Federal destinadas à reconstrução da cidade.
Em outubro do ano passado, a Prefeitura já havia informado à Tribuna que a Cesama trabalhava na integração de projetos do sistema de esgoto com obras de drenagem, com o objetivo de minimizar os impactos das enchentes causadas pelo transbordamento do Córrego São Pedro, sobretudo nas regiões do Mariano Procópio e do Democrata. Seis meses depois, no entanto, os problemas se intensificaram, principalmente com as chuvas de fevereiro. Além dos alagamentos, moradores passaram a enfrentar novas ocorrências, como deslizamentos de terra, comprometimento de encostas e a interdição total de diversas residências.
Deslizamentos próximos à linha férrea
No Mariano Procópio, na rua que dá nome ao bairro, a chuva do dia 23 de fevereiro abriu a terra em diversos pontos ao longo da via e avançou sobre residências. Um desses trechos, entre as ruas Cosette de Alencar e Mariano Procópio foi totalmente interditado pela Defesa Civil e os moradores, que tiveram que deixar suas casas buscam respostas junto ao poder público.

As casas continuam enfileiradas ao pé da encosta que deslizou e, ao lado delas, segue a linha férrea, por onde os trens continuam circulando normalmente. Maria José Marinho, de 67 anos, é dona de um desses imóveis e, como outros moradores, decidiu voltar para casa. Usuária de cadeira de rodas, ela afirma que não tem para onde ir. Chegou a se abrigar na casa do irmão, mas até usar o banheiro se tornou um desafio. Por isso, retornou ao imóvel que construiu, adaptado para atender às suas necessidades.
No Mariano Procópio, o temporal que atingiu toda a cidade e chegou a ultrapassar 90 milímetros em três horas – mais do que a média histórica de todo o mês de fevereiro – escancarou com intensidade uma rotina antiga: água invadindo casas e lama se espalhando pelas ruas. É o que conta Maria, sobre a água que chega a atingir a cadeira de rodas, segundo ela, não há escoamento e tampouco acessibilidade.

“Antes dessa tragédia, há anos – são 27 anos que nós moramos aqui – nós já vínhamos pedindo à Prefeitura e à MRS que fosse feito um muro de arrimo. Lá em cima é uma encosta por onde passa uma via pública. Já haviam ocorrido outros desmoronamentos de terra aqui, mas em menor proporção, não nessa dimensão de hoje”, conta Maria José, que já havia acionado judicialmente a Prefeitura e a MRS, empresa de logística e transporte ferroviário, antes de os problemas serem agravados pela chuva de fevereiro. Segundo ela, os moradores do bairro já haviam, inclusive, feito um abaixo-assinado para chamar atenção para a situação que já vinha sendo vivenciada ali.
De acordo com a PJF, as obras no entorno da linha férrea são de responsabilidade da MRS, enquanto à Defesa Civil cabe o monitoramento das áreas de risco. Procurada pela reportagem, a MRS Logística informou, entretanto, que o deslizamento de terra ocorreu fora da faixa de domínio da ferrovia. Em nota, a empresa afirmou que, em casos de deslizamento, atua de forma preventiva e solidária, apoiando ações emergenciais, como a instalação de lonas para contenção, além de outras iniciativas de auxílio às comunidades, em articulação com as autoridades envolvidas. Segundo a MRS, “as medidas adotadas mostraram-se eficazes, uma vez que não foram identificados avanços nos deslizamentos após essas intervenções”.
A companhia informou ainda que, até o momento, não há previsão de construção de um muro de contenção no local. Em relação ao escoamento da água, destacou que realiza manutenção regular dos sistemas de drenagem, garantindo o funcionamento adequado da infraestrutura ferroviária. A circulação de trens na área segue normalmente e, segundo a empresa, sem comprometer a estabilidade do terreno.
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