Ansal demite 120 colaboradores no fim de semana em Juiz de Fora

Empresa de ônibus, do Consórcio Via JF, alega “crise econômica” devido a pandemia da Covid-19


Por Leticya Bernadete

08/02/2021 às 09h54- Atualizada 08/02/2021 às 19h56

A Auto Nossa Senhora Aparecida Ltda. (Ansal), do Consórcio Via JF, demitiu 120 funcionários neste final de semana. Em comunicado emitido a seus trabalhadores, a empresa informou que os desligamentos ocorreram “devido à grave crise econômica enfrentada pelo setor em virtude da pandemia do novo Coronavírus”. Ainda conforme a empresa, a medida visa “adequar a operação em relação à brusca queda de passageiros transportados”.

O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Juiz de Fora (Sinttro-JF), Claudinei Janeiro, informou à Tribuna que recebeu a notícia por alguns trabalhadores e, em seguida, pelo comunicado da Ansal. A categoria tentará se reunir nesta segunda-feira (8) com a empresa para tentar reverter o quadro.

Um funcionário da Ansal, que está entre os que foram demitidos, relatou preocupação à reportagem. Os trabalhadores estavam contando com a garantia de estabilidade da Medida provisória 936, do Governo Federal, que permitia a redução do salário e jornadas de trabalho. O funcionário estava trabalhando no sábado (6) quando recebeu a notícia das demissões. “Me comunicaram que eu estaria demitido porque a empresa está reduzindo o quadro de funcionários por estar passando por dificuldade financeira”, conta, “Tem pais de família desesperados, cobrador que paga aluguel desesperado. Não tem uma pessoa para olhar nosso lado, para olhar nossa situação”, lamenta. Conforme o trabalhador, os funcionários que foram desligados da empresa estão se mobilizando para buscar um advogado a fim de garantir seus direitos.

No comunicado, a Ansal informou que irá cumprir com as obrigações trabalhistas, “inclusive o pagamento do período de estabilidade da Medida Provisória 936”. Conforme a empresa, a redução do quadro de funcionários irá permitir a manutenção de outros 1.200 postos de trabalho que permanecerão ativos. A Ansal também informou que, caso a situação volte à normalidade, é possível que haja a recontratação dos funcionários.

Na nota, a empresa disse que “com o término do benefício emergencial do Governo Federal e a não aceitação da extensão do acordo coletivo que propunha redução da jornada de trabalho com pagamento proporcional a carga horária trabalhada, o ajuste no quadro de colaboradores se fez necessário, visando garantir o pagamento integral da jornada para os colabores que continuarão conosco”.

Sinttro coloca jurídico à disposição da categoria

Por meio de nota, o Sinttro se manifestou “veementemente contra as demissões na empresa”. “Sabemos que passamos por um momento de pandemia e que todos têm que se ajustar neste novo tempo, porém, não pode ser o trabalhador pai de família que tenha que pagar por isso”, diz o sindicato. A entidade de classe disse ainda que, para auxiliar estes trabalhadores, coloca seu departamento jurídico à disposição dos profissionais “para que nenhum direito seja negado ou retirado durante este triste processo”.

O Sinttro lamentou ainda um entrave nas negociações recentes mantidas com a empresa. Segundo o sindicato, em momentos anteriores às demissões, houve a tentativa de se construir uma solução negociada entre as partes. Contudo, não houve avanços. “Infelizmente tiveram que ser demitidos 120 colegas rodoviários e agora o sindicato está tentando algum movimento de recondução destes trabalhadores, além de estar conversando com a Prefeitura e a empresa”, diz a nota.

Apesar de várias tentativas, a Tribuna não conseguiu contato com a diretoria da Ansal para falar sobre o assunto. Já a PJF, através da Settra, preferiu não se posicionar neste momento.

 

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