Donos de bares e restaurantes fazem manifestação na Prefeitura
Grupo de empresários se reuniu para solicitar conversa com prefeito Antônio Almas sobre novas restrições

Proprietários de bares e restaurantes da cidade se reuniram, na manhã desta segunda-feira (7), em frente à sede da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) em manifestação contra novas restrições ao setor. O grupo demandou uma conversa com o prefeito Antônio Almas (PSDB) para discutir os impactos que o segmento deverá sofrer com a publicação de um novo decreto, prevista para ocorrer nesta terça (8). O documento trará mudanças nos protocolos da onda amarela do Minas Consciente e deve proibir o consumo de bebida alcoólica em todos os tipos de estabelecimentos comerciais e em qualquer espaço público.
Em nota, a Prefeitura informou que Almas explicou aos empresários os motivos que levaram o Comitê Municipal de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 a proibir o consumo de bebida alcoólica em qualquer estabelecimento comercial. Além disso, o prefeito ouviu as ponderações dos representantes e solicitou que formalizassem as informações em um documento oficial para ser analisado pelo colegiado, que se reunirá novamente na próxima quinta-feira (10).
De acordo com Franz Schuberth, dono do Bar da Praça e um dos organizadores do ato, a ideia é levar argumentos à Administração municipal contra as novas medidas. No entendimento da categoria, após ficarem cinco meses sem funcionamento e retomarem, considera, por pelo menos dois meses não houve aumento no número de casos de Covid-19 na cidade. “Depois disso, veio a campanha eleitoral e os índices aumentaram, e agora querem colocar essa culpa na gente. Esses dois meses que trabalhamos e que não houve aumento mostra que nosso setor consegue, sim, atuar de forma correta e seguindo todos os protocolos, para que não haja aumento dos casos de Covid.”
Para o empresário, os casos em que há desrespeito aos protocolos de saúde são situações isoladas e não refletem a categoria como um todo. “Isso compete à Prefeitura fiscalizar. Existem vários estabelecimentos que estão trabalhando de forma errada, sim, mas que a Prefeitura os puna. Não pode punir todo um setor por culpa de um ou outro”, diz.
Na última quinta-feira (3), o Comitê Municipal havia anunciado que Juiz de Fora iria regressar à onda vermelha do Minas Consciente, fase mais restritiva do programa. Entretanto, após protestos de comerciantes, um novo encontro foi realizado na noite de sexta-feira (4) e decidiu-se pela manutenção na onda amarela, porém com mudanças, sendo que algumas afetariam o segmento de bares e restaurantes. “Quando a Prefeitura voltou atrás na questão da onda vermelha, ela resolveu punir somente o nosso setor, de bares e restaurantes, então não houve uma justificativa para isso”, alega Schuberth.
‘Fechamento velado’
Na visão dos proprietários de bares e restaurantes, não vender bebida alcoólica pode prejudicar o segmento. “É totalmente inviável. Você não consegue pagar suas contas e não consegue pagar os funcionários se não tiver a venda da bebida alcoólica. Isso é praticamente um fechamento velado. A Prefeitura só não bateu e disse ‘fecha os bares e restaurantes’, mas quando se proíbe consumo, é praticamente um fechamento”, afirma Franz Schuberth.
Sobre a proibição de consumo de bebida alcoólica em todos os tipos de estabelecimentos comerciais, a Prefeitura pontuou que, de uma maneira geral, em todos os lugares, a possibilidade de contágio pelo coronavírus depende de quatro aspectos básicos: número de pessoas presentes, tempo de permanência no local, existência ou ausência de ventilação e cumprimento das medidas de prevenção (distanciamento social, uso de máscaras e higienização frequente das mãos, dentre outras).
Em bares, conforme a PJF, todas as medidas acima possuem grande probabilidade de serem descumpridas: elevado número de pessoas, longo tempo de permanência no local, baixa ventilação e, principalmente, o não-uso de máscaras e não cumprimento do distanciamento. Ainda, o consumo de bebidas alcoólicas nestes estabelecimentos, avalia o Poder Público, leva a um relaxamento das medidas de prevenção. Em nota, a Administração municipal citou um estudo norte-americano analisando o comportamento de 154 pacientes com resultado positivo para Covid-19, bem como de 160 pacientes com resultado negativo (grupo controle).
“Tal estudo mostrou que pessoas recentemente infectadas e sem nenhum contato conhecido com uma pessoa com Covid-19 tinham quase três vezes mais probabilidade de ter frequentado um restaurante nas duas semanas anteriores e quase quatro vezes mais probabilidade de ter visitado um bar ou café, em comparação com pessoas não infectadas. O relaxamento das exigências de máscaras faciais em restaurantes, cafeterias e bares pode tornar esses locais áreas privilegiadas para a transmissão do novo coronavírus, mostra a pesquisa”, cita a nota da PJF.
Sindicato e Abrasel buscam dialogar
Procurados pela Tribuna, o Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Bares de Juiz de Fora e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel/Zona da Mata) informaram que não participaram da manifestação realizada na manhã desta segunda-feira. Entretanto, as representações do setor seguem trabalhando em prol da categoria por conta das mudanças previstas pelo novo decreto. De acordo com o coordenador-executivo do sindicato, Rogério Barros, que também integra o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, o segmento aguarda as novas decisões que devem ser tomadas nesta semana.
“Toda manifestação é importante, mas as decisões do Comitê têm sido com base nos números e temos informado isso para a categoria”, explica Barros. “Nós estamos aguardando qualquer decisão e como está o andamento dos casos infectados, mas estamos conscientes de que o setor tem trabalhado e cumprido rigorosamente (os protocolos). Essa onda de internação é reflexo do período eleitoral, então não podemos pagar por esses acontecimentos.”
Conforme a presidente da Abrasel-ZM, Francele Galil, a entidade demonstra “descontentamento” em relação às possíveis novas medidas restritivas. Isto porque, para a representante, as decisões deveriam ser igualitárias. “Os padrões de decisão que estão sendo tomados pelo Comitê não estão equilibrados. Essa é a realidade e a indignação que a Abrasel demonstra nesse momento. Nós precisamos, sim, respeitar o que as autoridades determinam, mas desde que isso venha precedido de uma aplicação isonômica.”
Ainda de acordo com Francele, a Abrasel também está buscando diálogo com as autoridades. “A nossa bandeira, neste momento, não é cobrar esclarecimentos, mas que as novas decisões sejam reavaliadas sob o ponto de vista da isonomia, porque não faz sentido você colocar uma imposição na qual bares e restaurantes não podem vender bebida alcoólica, mas o supermercado mantém, as distribuidores mantêm”, exemplifica.