Chuvas em Juiz de Fora: fotos de antes e depois mostram os efeitos dos deslizamentos no Morro do Cristo
Área onde houve deslizamentos é considerada local de risco por mapeamento desde 2017
Após as fortes chuvas em Juiz de Fora, terra, lama e pedras desceram a encosta do Morro do Cristo, desde a noite da última segunda-feira (23), atingindo casas e ruas das proximidades. Desde 2017, a área está entre os locais citados no mapeamento de setores de risco elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e utilizado como referência pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). No município, quase 130 mil pessoas vivem em áreas de risco de deslizamentos e inundações, segundo o último levantamento do IBGE/BDR.
De acordo com Márcio Marangon, professor de Geotecnia da Faculdade de Engenharia da UFJF, a área do Morro do Imperador, mais conhecido como Morro do Cristo, já era considerada de risco e de vulnerabilidade devido às construções instaladas nas encostas, onde o terreno se movimenta facilmente por conta da pedra. A área, caracterizada pelo solo coluvionar, sempre apresentou risco para as residências construídas no entorno, pois contribui para movimentos de terra. “Esse deslizamento não tem somente um agravante. Na verdade, o que aconteceu são consequências de um clima muito adverso, de um volume de precipitação extremamente atípico de anos anteriores, que acabaram contribuindo para o que aconteceu”.
Como explica o especialista, para prevenir novos desastres, deve-se trabalhar em obras urgentes de contenção e de drenagem.
“É necessário fazer um trabalho de vistoria dos imóveis abaixo, identificar riscos e executar obras para resguardar a segurança. Já na parte superior, deve-se fazer uma revisão do sistema de drenagem superficial. Assim pode-se verificar se não há dispositivos que possam romper e contribuir para o acúmulo de água, o que traz todo esse desastre”.
O engenheiro afirma que as obras devem ser executadas de acordo com o tipo de imóvel que se encontra abaixo da encosta. Algumas pedem a execução de muros de arrimo, outras de telas de ferro reforçado para conter blocos, volumes e massas de solo que venham a se movimentar. São diferentes tipos de obras, realizadas através de um grande trabalho de engenharia para identificar as demandas e para resguardar a segurança desses imóveis”.
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