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Vídeo publicado no TikTok leva cientistas até poço e termina na descoberta de animal transparente que vive debaixo da terra

A descoberta evidencia não apenas o potencial das redes sociais como ferramenta de aceleração científica.


Por Clyverton Silva

29/08/2026 às 19h42

Vídeo publicado no TikTok leva cientistas até poço e termina na descoberta de animal transparente que vive debaixo da terra

Uma descoberta científica inusitada ocorreu na Índia em 2024, quando pesquisadores identificaram uma nova espécie de peixe subterrâneo a partir de um vídeo publicado no TikTok. As imagens mostravam um animal esguio e pálido emergindo de um poço artesiano próximo à fronteira com o Nepal, em uma região onde nunca haviam sido registrados peixes estigobíticos – organismos adaptados à vida permanente em ambientes subterrâneos.

A equipe internacional, composta por cientistas da Thackeray Wildlife Foundation, da Shivaji University, da Academia Chinesa de Ciências e do Zoological Survey of India, rastreou a localização exata do poço e obteve autorização do proprietário para realizar a coleta de espécimes.

O trabalho de campo, porém, mostrou-se extremamente árduo. Em um dos poços no estado de Bihar, foram necessários cerca de 2.000 litros de água bombeados manualmente para que um primeiro exemplar surgisse, ainda que danificado. Após mais 500 litros, um segundo espécime foi recuperado intacto, posteriormente designado como holótipo da nova espécie.

Análises genéticas

Análises genéticas e microtomografias computadorizadas revelaram que o animal pertence à família Chaudhuriidae, mas representa não apenas uma nova espécie, como também um gênero inteiramente inédito.

Batizada de Gangaichthys indonepalicus, a enguia terrestre mede cerca de 4 centímetros e apresenta características típicas de organismos que vivem na escuridão: corpo translúcido e despigmentado, olhos reduzidos e cobertos por pele e aparente ausência de costelas. O nome do gênero faz referência ao rio Ganges, enquanto o epíteto específico homenageia a localização geográfica na divisa entre Índia e Nepal.

Os cientistas destacam que esta é a primeira espécie estigobítica registrada nas Planícies Indo-Gangéticas e na Bacia do Ganges. A descoberta evidencia não apenas o potencial das redes sociais como ferramenta de aceleração científica, conectando registros amadores à investigação profissional, mas também a imensa biodiversidade ainda desconhecida nos aquíferos subterrâneos do país.