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Trabalhadores podem ganhar quatro horas livres por semana sem perder salário, mas serviços podem ficar quase 7% mais caros no Brasil

Empresas com forte dependência de mão de obra teriam custos até 7% mais altos caso a jornada máxima passasse de 44 para 40 horas semanais sem alteração…


Por Evellyn Nascimento

27/08/2026 às 16h04

Trabalhadores podem ganhar quatro horas livres por semana sem perder salário, mas serviços podem ficar quase 7% mais caros no Brasil
Foto: Galib Rahman Nadim/Pexels

Empresas com forte dependência de mão de obra teriam custos até 7% mais altos caso a jornada máxima passasse de 44 para 40 horas semanais sem alteração nos salários. É o que aponta um estudo conduzido pela Íntegra Associados e obtido com exclusividade pela CNN Brasil.

Do total de vínculos celetistas examinados na pesquisa, 81,2% — cerca de 23,4 milhões de empregos formais — cumprem jornadas semanais superiores a 40 horas. Entre esses vínculos, 76,1% seguem o modelo mais comum, de 44 horas por semana. Com a remuneração mantida, o custo de cada hora trabalhada subiria 10%.

Jornada máxima de trabalho e impacto maior nos serviços

Nem todos os setores sofreriam o mesmo efeito. Serviços que dependem fortemente de trabalho humano, como seleção e agenciamento de mão de obra, vigilância e segurança, e serviços para edifícios e atividades paisagísticas, enfrentariam as maiores pressões nos custos. Em contraste, indústria e comércio veriam aumentos menores, mesmo com uma parcela maior de trabalhadores diretamente afetados.

No setor de seleção e agenciamento de mão de obra, o gasto com pessoal responde por 81,34% do custo total das empresas, e a estimativa é de que os custos subam 6,85%. Vigilância e segurança teriam aumento de 6,83%, enquanto os serviços para edifícios e paisagismo subiriam 6,27%.

Atividades jurídicas e contábeis, serviços de correio, de escritório e de apoio administrativo, além de alojamento, também estão entre os setores mais expostos, com aumentos de 3,50% a 4,70%.

Setores com menor pressão

O impacto muda quando se considera o custo total das empresas, não apenas o valor da hora trabalhada. Isso ocorre porque o peso da folha de pagamento varia entre os setores. No comércio varejista, o custo da hora subiria 9,93%, e na fabricação de alimentos, embora chegue a 9,82%, a elevação do custo total seria apenas 0,80%.

No comércio atacadista, o custo da hora chegaria a 9,58%, mas o custo total subiria apenas 0,42%. De acordo com o estudo, 19 setores teriam aumento inferior a 1% no custo total, enquanto outros registrariam pressões maiores. Isso ocorre porque as despesas com pessoal ocupam fatia relativamente pequena do orçamento nessas atividades, especialmente em segmentos industriais e comerciais.

A agropecuária apresenta 97% dos empregos com jornadas acima de 40 horas, o comércio tem 95% e a indústria, 92%, e nos serviços, esse percentual cai para 67%.

Quem fica mais vulnerável

As empresas mais expostas à redução da jornada combinam dois fatores: alta proporção de empregados trabalhando acima de 40 horas por semana e forte dependência da folha de pagamento na estrutura de custos. Segundo a Íntegra Associados, essa combinação faz com que os serviços intensivos em mão de obra concentrem a maior pressão sobre os custos.

O levantamento considerou apenas estabelecimentos com pelo menos 20 empregados e usou dados de dezembro de 2025, cobrindo 28,8 milhões de contratos com informação disponível sobre jornada.