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Sangue na urina uma única vez e sem qualquer dor pode revelar doença desconhecida por 81% dos idosos


Por Matheus Chaves

31/08/2026 às 20h17

Sangue na urina uma única vez e sem qualquer dor pode revelar doença desconhecida por 81% dos idosos
Imagem: Magnific

De acordo com um levantamento realizado pelo Ipec, após uma solicitação da Pfizer e do Instituto Oncoguia, existe uma doença que é praticamente desconhecida por 81% dos idosos no Brasil, justamente o público que costuma ser mais afetado por ela. Além disso, o principal sintoma dessa enfermidade é o sangue na urina apenas uma vez e sem qualquer dor.

Trata-se do câncer de bexiga, que atinge cerca de 13.110 pessoas anualmente no país e tem como o maior índice de vítimas as pessoas que possuem a prática do tabagismo.

Por que o sangue na urina merece atenção?

A presença de sangue na urina, chamada de hematúria, é o principal sinal associado ao câncer de bexiga. O que torna esse sintoma especialmente fácil de ignorar é o fato de ele poder aparecer de maneira isolada e desaparecer depois.

Ou seja, uma pessoa pode perceber uma alteração na coloração da urina em determinado momento e, por não sentir dor ou porque o sangramento não volta imediatamente, acreditar que não existe um problema importante.

Esse comportamento, porém, pode atrasar a investigação. Segundo especialistas citados pelo UOL VivaBem, a hematúria aparece em aproximadamente 80% dos casos de câncer de bexiga.

Por isso, sangue na urina, mesmo quando ocorre uma única vez e sem desconforto, precisa ser avaliado por um profissional de saúde. O sintoma não significa necessariamente câncer, mas pode indicar uma alteração que precisa ser investigada.

Doença é mais comum entre pessoas mais velhas

O levantamento que chamou atenção para o desconhecimento sobre o câncer de bexiga ouviu 1.400 brasileiros. Entre aqueles com mais de 60 anos, 81% disseram desconhecer a doença ou afirmaram ter apenas ouvido falar dela.

O dado preocupa porque a idade é justamente um dos fatores relacionados ao desenvolvimento desse tipo de tumor.

O câncer de bexiga costuma atingir principalmente pessoas acima dos 55 anos. Com o envelhecimento, aumenta a possibilidade de alterações celulares acumuladas ao longo da vida contribuírem para o surgimento de tumores.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que a informação sobre os sintomas é especialmente importante para a população idosa. Quanto maior o conhecimento sobre os sinais de alerta, maior a possibilidade de uma alteração ser investigada antes que a doença avance.

Tabagismo está diretamente relacionado ao risco

O cigarro aparece como o principal fator de risco modificável para o câncer de bexiga. Estimativas apontam que o tabagismo está associado a aproximadamente metade dos casos.

A relação ocorre porque as substâncias presentes na fumaça do cigarro entram na circulação sanguínea e são posteriormente filtradas pelos rins. Parte desses compostos acaba sendo eliminada pela urina, que permanece armazenada na bexiga antes de ser expelida.

Durante esse processo, substâncias potencialmente prejudiciais entram em contato com o revestimento do órgão repetidamente. Ao longo dos anos, essa exposição pode contribuir para alterações celulares que favorecem o desenvolvimento do câncer. Por esse motivo, parar de fumar é uma das principais medidas capazes de reduzir o risco da doença.

Existem outros sinais além do sangramento

Embora a hematúria seja o principal alerta, o câncer de bexiga pode provocar outras alterações urinárias. Entre elas estão ardência ao urinar, aumento da frequência das idas ao banheiro, urgência para urinar e sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada. Em situações mais avançadas, podem aparecer dor na região lombar e perda de peso sem explicação.

Esses sintomas, entretanto, também podem estar relacionados a outras condições. Uma infecção urinária, por exemplo, pode provocar ardência e aumento da frequência urinária.

É justamente por isso que a avaliação médica é importante: os sinais isoladamente não permitem determinar a causa do problema.

Por que o diagnóstico precoce faz diferença?

O câncer de bexiga pode apresentar diferentes níveis de gravidade. Em alguns pacientes, o tumor permanece restrito às camadas mais superficiais do órgão. Em outros, pode avançar para estruturas mais profundas.

Essa diferença interfere diretamente na estratégia de tratamento. Quando a doença é identificada em uma fase inicial, existem mais possibilidades de intervenção antes que o tumor alcance estruturas mais profundas ou se espalhe para outras regiões do organismo.

As novas diretrizes nacionais para diagnóstico e tratamento do câncer de bexiga, publicadas em 2026, destacam justamente a necessidade de identificar e classificar rapidamente a doença para definir a estratégia terapêutica mais adequada.

Doença pode voltar mesmo depois do tratamento

Outro aspecto importante é que o câncer de bexiga possui uma característica que exige acompanhamento contínuo: existe risco de recorrência.

Isso significa que a retirada inicial do tumor não encerra necessariamente o acompanhamento médico. Dependendo das características da doença e do risco de progressão, o paciente pode precisar de novos exames e tratamentos complementares.

Entre as opções utilizadas em determinados casos está a BCG, uma imunoterapia aplicada diretamente na bexiga para estimular uma resposta do sistema imunológico contra as células tumorais. Novas imunoterapias e terapias-alvo também fazem parte das estratégias utilizadas em situações específicas, principalmente nos casos mais avançados.

A escolha depende do estágio do tumor, das características das células cancerígenas e das condições clínicas de cada paciente.

Como reduzir o risco?

Não é possível evitar todos os casos de câncer de bexiga, mas algumas medidas podem diminuir a exposição a fatores associados à doença.

A principal delas é não fumar ou interromper o tabagismo. A prevenção também envolve evitar, quando possível, contato ocupacional prolongado com determinadas substâncias químicas relacionadas ao risco do tumor.

Profissionais que trabalham com produtos químicos utilizados em setores como produção de tintas, borracha e derivados de petróleo podem ter exposição maior a substâncias associadas à doença.

Manter uma boa hidratação e procurar atendimento diante de alterações urinárias também fazem parte dos cuidados recomendados.