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Quem toma café pode ter um benefício inesperado para o fígado, aponta pesquisa

Pesquisa com 355 mil pessoas aponta que o café pode estar ligado a menor risco de cirrose e câncer no fígado.


Por Leticia Florenco

12/07/2026 às 13h04

Quem toma café pode ter um benefício inesperado para o fígado, aponta pesquisa
Café - Reprodução/Unsplash/Emre

O café, uma das bebidas mais consumidas no mundo, pode ter um papel que vai muito além de ajudar a despertar pela manhã.

Uma nova análise científica encontrou uma associação entre o consumo regular da bebida e uma menor incidência de doenças graves no fígado, incluindo cirrose, câncer hepático e mortes relacionadas a problemas no órgão.

O estudo acompanhou cerca de 355 mil pessoas durante 13 anos e trouxe um resultado que chamou a atenção dos pesquisadores: os possíveis benefícios apareceram não apenas entre consumidores de café tradicional, mas também entre aqueles que optavam pela versão descafeinada.

A descoberta reforça a hipótese de que outros componentes naturais presentes no grão podem estar envolvidos nessa relação.

Pesquisa analisou hábitos de consumo e evolução da saúde dos participantes

O levantamento foi conduzido por pesquisadores do Cedars-Sinai Health Sciences University, nos Estados Unidos, com dados do UK Biobank, uma das maiores bases de informações médicas do mundo.

No início do acompanhamento, os participantes não apresentavam diagnóstico de cirrose ou câncer de fígado.

Ao longo dos anos, os cientistas analisaram informações sobre hábitos alimentares, consumo de café, exames médicos e indicadores relacionados à saúde hepática.

Os resultados apontaram que pessoas que bebiam cinco ou mais xícaras de café por dia apresentaram uma redução no risco de desenvolver doenças graves no fígado quando comparadas àquelas que não consumiam a bebida.

Entre os consumidores frequentes, a pesquisa identificou:

  • Menor risco de cirrose;
  • Menor probabilidade de câncer de fígado;
  • Redução no risco de morte causada por doenças hepáticas.

Benefício não depende apenas da cafeína, indica estudo

Um dos pontos mais surpreendentes da pesquisa foi a descoberta envolvendo o café descafeinado.

Tradicionalmente, muitos dos efeitos atribuídos ao café são relacionados à cafeína, substância conhecida por estimular o sistema nervoso e aumentar o estado de alerta.

Porém, os resultados indicaram que a ausência da cafeína não eliminou a possível proteção ao fígado.

Para os pesquisadores, isso sugere que outras substâncias presentes no café podem ter participação importante no funcionamento do organismo.

Entre os compostos investigados estão os ácidos clorogênicos, os polifenóis e os diterpenos, elementos associados a propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Exames revelaram sinais de menor desgaste no fígado

Além de acompanhar os diagnósticos dos participantes, os cientistas também analisaram exames mais detalhados para entender o que poderia estar acontecendo dentro do organismo.

Parte dos voluntários passou por exames de imagem e análises de sangue, permitindo observar características como acúmulo de gordura no fígado, inflamação e sinais de formação de cicatrizes no tecido hepático.

Os resultados indicaram que consumidores de café apresentavam menores sinais desses processos, fatores que estão ligados ao desenvolvimento de doenças hepáticas ao longo do tempo.

Café moderado também aparece associado a benefícios

Apesar dos melhores resultados terem sido observados entre consumidores de maior quantidade, a pesquisa não indica que seja necessário exagerar no consumo da bebida.

O estudo também encontrou associação positiva entre pessoas que tomavam quantidades mais moderadas de café, como uma ou duas xícaras por dia.

A descoberta aproxima os resultados da realidade de grande parte da população, já que o café costuma fazer parte da rotina diária em diferentes culturas.

Diferentes tipos de café apresentaram resultados semelhantes

Os pesquisadores avaliaram diversas formas de consumo da bebida, incluindo café com cafeína, descafeinado, instantâneo e preparado com grãos moídos.

Também foram considerados hábitos como o uso de açúcar ou adoçantes.

A relação entre consumo de café e menor risco de problemas hepáticos apareceu em diferentes grupos, indicando que o efeito pode estar ligado ao conjunto de substâncias presentes naturalmente no grão.

Especialistas alertam que café não substitui hábitos saudáveis

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores reforçam que o café não deve ser considerado um tratamento ou uma forma isolada de prevenção contra doenças do fígado.

A bebida pode fazer parte de uma rotina equilibrada, mas cuidados como alimentação adequada, controle do peso, prática de exercícios físicos e acompanhamento médico continuam sendo fundamentais.

A pesquisa mostra uma associação entre o hábito de beber café e melhores indicadores de saúde hepática, mas ainda são necessários novos estudos para confirmar todos os mecanismos envolvidos.

Ciência busca entender quais componentes do café protegem o fígado

Os próximos passos das pesquisas devem tentar identificar quais substâncias do café exercem maior influência sobre o organismo e por quais caminhos biológicos elas atuam.

Os cientistas também querem descobrir se determinados grupos de pessoas podem se beneficiar mais desse efeito, já que fatores como idade, metabolismo e presença de outras doenças podem modificar a resposta do corpo.