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Quando as frutas desaparecem, macacos brasileiros viram caçadores e passam a comer cobras, morcegos, aves e gambás

O comportamento foi observado em machos e fêmeas de todas as faixas etárias, embora seja mais comum entre machos adultos e juvenis.


Por Clyverton Silva

31/08/2026 às 22h14

Quando as frutas desaparecem, macacos brasileiros viram caçadores e passam a comer cobras, morcegos, aves e gambás
Foto: Camila Galheigo Coelho

Uma pesquisa publicada na revista PLOS One revelou que os macacos-prego barbados do nordeste brasileiro ampliam significativamente sua dieta quando os alimentos vegetais se tornam escassos. Em períodos de baixa disponibilidade de frutas e nozes, esses primatas passam a consumir uma ampla variedade de pequenos vertebrados, incluindo cobras, gambás, iguanas, morcegos, roedores, ovos e filhotes de aves.

O estudo, conduzido ao longo de mais de 5 mil horas de observação entre 2006 e 2010 na Fazenda Boa Vista, registrou 446 episódios de caça a animais.

Os pesquisadores identificaram que a atividade predatória se intensifica quando a oferta de alimentos vegetais diminui devido a flutuações sazonais. Lagartos e roedores são as presas mais frequentes, mas os macacos demonstram capacidade de capturar uma variedade notável de espécies.

O comportamento foi observado em machos e fêmeas de todas as faixas etárias, embora seja mais comum entre machos adultos e juvenis. Após uma caçada bem-sucedida, os animais consomem primeiro o cérebro e as vísceras, provavelmente para obter rapidamente nutrientes de alto valor energético, antes de ingerir o restante da carcaça.

Evolução da dieta humana

Os cientistas destacam que as descobertas podem oferecer pistas sobre a evolução da dieta humana. A hipótese central é que os ancestrais dos humanos também tenham começado a caçar pequenas presas em períodos de escassez de alimentos vegetais, antes de passar a abater animais de maior porte.

Esse padrão teria sido uma adaptação a ambientes sazonalmente áridos, onde os recursos vegetais se tornavam intermitentes, enquanto os animais permaneciam disponíveis ao longo de todo o ano.

Embora os chimpanzés sejam os primatas mais próximos dos humanos e frequentemente recebam atenção por comportamentos semelhantes, os macacos-prego compartilham com nossa linhagem aspectos ecológicos que os tornam relevantes para essa comparação.