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Psicologia explica por que Carminha se tornou a vilã mais odiada da TV brasileira e o que isso revela sobre o telespectador

Carminha volta aos debates e psicólogos explicam como rejeição e afeto influenciam a autoestima infantil.


Por Leticia Florenco

12/07/2026 às 17h05

Psicologia explica por que Carminha se tornou a vilã mais odiada da TV brasileira e o que isso revela sobre o telespectador

A volta de Avenida Brasil à programação da TV Globo trouxe novamente à memória do público uma das personagens mais marcantes da televisão brasileira: Carminha, interpretada por Adriana Esteves.

Considerada uma das maiores vilãs da dramaturgia nacional, a personagem voltou a provocar discussões que vão além das cenas de manipulação, ambição e vingança.

Para especialistas em psicologia, a força da rejeição do público está relacionada principalmente à forma como Carminha atinge vínculos afetivos fundamentais, especialmente aqueles envolvendo crianças.

A história da novela expõe como o comportamento dos adultos pode influenciar diretamente a construção da autoestima infantil e mostra que a falta de acolhimento pode deixar marcas profundas no desenvolvimento emocional.

Carminha e o impacto psicológico da rejeição na infância

Um dos momentos mais traumáticos da trama acontece quando Rita, interpretada por Mel Maia, é abandonada pela madrasta e levada ao lixão.

A cena gerou revolta entre os telespectadores porque representa uma quebra de uma das principais necessidades emocionais da infância: sentir-se protegido.

Segundo especialistas, crianças desenvolvem sua percepção de valor próprio a partir das relações que estabelecem com os adultos ao redor.

Quando recebem carinho, atenção e reconhecimento, tendem a construir uma imagem mais positiva de si mesmas.

Apesar das dificuldades, Rita encontra apoio emocional no amor recebido anteriormente pelo pai e no acolhimento de Lucinda, personagem interpretada por Vera Holtz, que se torna uma referência de cuidado e proteção.

A narrativa reforça uma ideia estudada pela psicologia: uma experiência negativa pode ser amenizada quando a criança possui uma rede de apoio afetiva.

Ágata representa uma violência silenciosa: a destruição da autoestima pelas palavras

Outro exemplo apresentado pela novela é o de Ágata, personagem de Karol Lannes, que vive uma realidade diferente.

Ao contrário de Rita, ela não enfrenta abandono ou falta de recursos materiais, mas sofre com críticas constantes dentro da própria família.

Os comentários negativos sobre sua aparência afetam sua confiança e revelam um problema comum na vida real: a influência das palavras dos adultos sobre a forma como uma criança enxerga a si mesma.

Psicólogos explicam que críticas repetidas durante a infância podem contribuir para insegurança, medo de rejeição e dificuldade de reconhecer próprias qualidades.

A mensagem da história é que oferecer conforto material não substitui a necessidade de afeto, respeito e validação emocional.

Por que o público odiou tanto Carminha?

A repercussão da personagem pode ser explicada por mecanismos emocionais que fazem parte da experiência humana. O público costuma demonstrar maior rejeição quando um vilão ultrapassa limites ligados à proteção e à família.

Carminha não era apenas uma personagem ambiciosa. Ela representava manipulação, abandono e crueldade contra pessoas vulneráveis, características que despertam sentimentos intensos de indignação.

Na visão da psicologia, personagens assim funcionam como uma representação de conflitos reais.

A rejeição à vilã também reflete o desconforto das pessoas diante de comportamentos associados à falta de empatia e ao abuso emocional.

Pequenas atitudes dos adultos podem definir a autoestima de uma criança

Especialistas destacam que a autoestima infantil não é formada por grandes acontecimentos isolados, mas por experiências repetidas no cotidiano.

Uma criança aprende sobre seu próprio valor por meio das mensagens que recebe diariamente: elogios, críticas, demonstrações de carinho, atenção e a maneira como os adultos reagem aos seus erros.

Uma palavra de incentivo pode fortalecer a confiança, enquanto críticas constantes podem criar inseguranças que acompanham a pessoa por muitos anos.

Frases simples que ajudam a fortalecer a confiança dos filhos

  • Reconhecer o esforço: Mostrar que a dedicação importa ajuda a criança a desenvolver confiança e entender que aprender exige tempo e persistência.
  • Validar sentimentos: Ouvir e acolher emoções como tristeza, medo ou frustração faz a criança se sentir compreendida e segura.
  • Incentivar a opinião da criança: Dar espaço para que ela se expresse fortalece a autonomia, a segurança e a percepção de que sua voz tem valor.
  • Ensinar que errar faz parte: Tratar os erros como oportunidades de aprendizado ajuda a reduzir o medo de falhar e aumenta a coragem para tentar.
  • Demonstrar amor mesmo nas dificuldades: Mostrar carinho após conflitos ou falhas ensina que a criança é valorizada independentemente de resultados.

A vilã que marcou a televisão brasileira continua sendo lembrada não apenas pela maldade, mas porque sua história revela uma verdade importante: a forma como um adulto trata uma criança pode influenciar profundamente a maneira como ela enxergará a si mesma e o mundo ao seu redor.