“O que me impediu de pôr fim à minha vida foi a arte”: Yayoi Kusama pintou até os 97 anos e viu uma obra alcançar US$ 10,5 milhões
Aos 97 anos, a artista japonesa Yayoi Kusama faleceu em 14 de agosto, em um hospital no Japão.

Aos 97 anos, a artista japonesa Yayoi Kusama faleceu em 14 de agosto, em um hospital no Japão, conforme comunicado do Museu Yayoi Kusama. A causa da morte não foi divulgada.
Reconhecida mundialmente por suas pinturas cobertas por pontos coloridos, esculturas de abóbora e instalações com espelhos infinitos, Kusama transformou suas alucinações em arte, tornando-se um dos nomes mais influentes da vanguarda contemporânea.
Infância difícil
Nascida em 22 de março de 1929, em Matsumoto, Kusama teve uma infância marcada por conflitos familiares e medo constante. Desde cedo, ela relatava visões de luzes piscantes, pontos e flores, que a acompanharam por toda a vida.
Em 2017, em entrevista, ela afirmou que ainda tinha alucinações e que pintava os pontos que via em todos os lugares. Em entrevista à Vogue Japão, em 2014, ela declarou que a arte foi o que a impediu de tirar a própria vida: “O que me impediu de pôr fim à minha vida foi desenhar e fazer arte”.
Vida em Nova York
Em 1957, frustrada com a rigidez da sociedade japonesa, Kusama mudou-se para Nova York. Lá, ganhou notoriedade com pinturas em rede, esculturas macias e happenings de protesto contra a Guerra do Vietnã.
Sua obra mais famosa, a série Infinity Mirror Room, inclui Narcissus Garden, apresentada na Bienal de Veneza em 1966, com esferas espelhadas que criavam um campo reflexivo em constante mudança.
Saúde mental
Apesar do sucesso comercial — com obras vendidas por mais de 1 milhão de dólares e uma pintura arrematada por 10,5 milhões de dólares em 2022 —, Kusama enfrentou problemas de saúde mental.
Em 1973, retornou ao Japão e, quatro anos depois, internou-se voluntariamente em um hospital psiquiátrico, onde viveu até o fim da vida, indo diariamente ao ateliê. Ela continuou a pintar até os últimos dias.








