O carcinógeno que 60% das pessoas consomem sem saber que está na mesma categoria do tabaco
Bebida muito consumida e aceita é classificada pela OMS como carcinógeno do Grupo 1, associada a sete tipos de câncer e cerca de 740 mil casos em 2020

O consumo de álcool é reconhecido pela comunidade científica como fator de risco para diferentes tipos de câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, classifica a substância como carcinógeno do Grupo 1, categoria com evidência suficiente de causar câncer em humanos, desde 1988, ao lado de agentes como tabaco e amianto.
No organismo, o etanol é convertido em acetaldeído, composto tóxico e mutagênico capaz de danificar o DNA e favorecer mutações celulares. O consumo também está associado a efeitos indiretos, como estresse oxidativo, inflamação crônica e alterações hormonais, especialmente o aumento de estrogênio, relacionado ao câncer de mama.
Álcool é cancerígeno
Estudos epidemiológicos associam o álcool a pelo menos sete tipos de câncer, incluindo boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, cólon e mama. Em 2020, estimativas globais indicaram cerca de 740 mil a 741 mil casos de câncer atribuídos ao consumo de álcool, equivalente a aproximadamente 4% dos diagnósticos mundiais no período.
O consenso científico atual aponta o álcool como um fator causal estabelecido para câncer, com risco dependente da quantidade consumida. Evidências também indicam que a redução ou interrupção do consumo está associada à diminuição do risco, variando conforme o tipo de câncer e o tempo de exposição.
Relação de risco
Risco e relação com consumo
- A OMS afirma que não existe nível seguro de consumo de álcool em relação ao risco de câncer
- Mesmo pequenas quantidades aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença
- A relação entre dose e risco é contínua e aproximadamente linear
- O risco cresce conforme aumenta o consumo, sem limiar seguro identificado
- Maior associação com câncer de mama e do trato digestivo superior
Perfil dos casos observados
- Parte relevante dos casos não está ligada apenas a consumo elevado ou alcoolismo
- Registros incluem pessoas com consumo leve ou moderado
- Muitos diagnósticos ocorrem em indivíduos sem dependência de álcool
Percepção pública e fatores sociais
- O risco do álcool é menos reconhecido do que o do tabaco
- Diferença de percepção ligada a fatores culturais
- Influência da publicidade na normalização do consumo
- Associação do álcool a contextos sociais e de celebração









