O carcinógeno que 60% das pessoas consomem sem saber que está na mesma categoria do tabaco

Bebida muito consumida e aceita é classificada pela OMS como carcinógeno do Grupo 1, associada a sete tipos de câncer e cerca de 740 mil casos em 2020


Por Yasmin Henrique

14/06/2026 às 19h02

O carcinógeno que 60% das pessoas consomem sem saber que está na mesma categoria do tabaco

O consumo de álcool é reconhecido pela comunidade científica como fator de risco para diferentes tipos de câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, classifica a substância como carcinógeno do Grupo 1, categoria com evidência suficiente de causar câncer em humanos, desde 1988, ao lado de agentes como tabaco e amianto.

No organismo, o etanol é convertido em acetaldeído, composto tóxico e mutagênico capaz de danificar o DNA e favorecer mutações celulares. O consumo também está associado a efeitos indiretos, como estresse oxidativo, inflamação crônica e alterações hormonais, especialmente o aumento de estrogênio, relacionado ao câncer de mama.

Álcool é cancerígeno 

Estudos epidemiológicos associam o álcool a pelo menos sete tipos de câncer, incluindo boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, cólon e mama. Em 2020, estimativas globais indicaram cerca de 740 mil a 741 mil casos de câncer atribuídos ao consumo de álcool, equivalente a aproximadamente 4% dos diagnósticos mundiais no período.

O consenso científico atual aponta o álcool como um fator causal estabelecido para câncer, com risco dependente da quantidade consumida. Evidências também indicam que a redução ou interrupção do consumo está associada à diminuição do risco, variando conforme o tipo de câncer e o tempo de exposição.

Relação de risco

Risco e relação com consumo

  • A OMS afirma que não existe nível seguro de consumo de álcool em relação ao risco de câncer
  • Mesmo pequenas quantidades aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença
  • A relação entre dose e risco é contínua e aproximadamente linear
  • O risco cresce conforme aumenta o consumo, sem limiar seguro identificado
  • Maior associação com câncer de mama e do trato digestivo superior

Perfil dos casos observados

  • Parte relevante dos casos não está ligada apenas a consumo elevado ou alcoolismo
  • Registros incluem pessoas com consumo leve ou moderado
  • Muitos diagnósticos ocorrem em indivíduos sem dependência de álcool

Percepção pública e fatores sociais

  • O risco do álcool é menos reconhecido do que o do tabaco
  • Diferença de percepção ligada a fatores culturais
  • Influência da publicidade na normalização do consumo
  • Associação do álcool a contextos sociais e de celebração