Mulheres com mais de 65 anos e cintura acima de 89 centímetros tiveram risco 24% maior de morrer; a balança escondeu o perigo
Um estudo publicado no Journal of the American Geriatrics Society trouxe resultados que aparentam ser contraditórios.

Um estudo publicado no Journal of the American Geriatrics Society trouxe resultados que aparentam ser contraditórios, mas revelam nuances importantes sobre o peso corporal em idosos.
A pesquisa, que acompanhou quase 7 mil adultos com 65 anos ou mais por até 14 anos, identificou que a circunferência abdominal elevada está associada a um risco maior de morte prematura, enquanto um IMC classificado como sobrepeso ou obesidade grau I e II foi relacionado a um risco menor de mortalidade em comparação com o IMC normal.
Homens com sobrepeso tiveram 46% menos risco de morte, e mulheres com sobrepeso, 27% menos. Já a obesidade grau I e II não mostrou diferença significativa para mulheres, e para homens, o risco foi menor. A obesidade grau III (IMC igual ou superior a 40) não apresentou diferença estatística significativa para nenhum dos sexos.
Circunferência da cintura
Por outro lado, a circunferência da cintura se mostrou um marcador mais sensível: homens com medida superior a 101,6 centímetros e mulheres acima de 89 centímetros tiveram 24% mais risco de morte prematura, mesmo quando o IMC era considerado normal. Isso indica que o acúmulo de gordura abdominal, especialmente a visceral, é mais perigoso para a saúde do que o excesso de peso em si.
O IMC, por si só, não distingue entre massa muscular e gordura, o que pode levar a interpretações equivocadas, especialmente em idosos, que naturalmente perdem massa muscular com o envelhecimento. Ter um IMC mais alto pode, em alguns casos, refletir uma reserva metabólica que protege contra doenças. Já a gordura abdominal está mais associada a inflamação, resistência à insulina e doenças cardiovasculares.
O estudo reforça que o acompanhamento da saúde do idoso deve ir além do peso na balança. A circunferência da cintura surge como um indicador mais fiel de risco metabólico, enquanto o IMC isolado pode mascarar condições reais de vulnerabilidade.








