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Mulheres com mais de 65 anos e cintura acima de 89 centímetros tiveram risco 24% maior de morrer; a balança escondeu o perigo

Um estudo publicado no Journal of the American Geriatrics Society trouxe resultados que aparentam ser contraditórios.


Por Clyverton Silva

30/08/2026 às 16h09

Mulheres com mais de 65 anos e cintura acima de 89 centímetros tiveram risco 24% maior de morrer; a balança escondeu o perigo
Foto ilustrativa: Andres Ayrton/Pexels

Um estudo publicado no Journal of the American Geriatrics Society trouxe resultados que aparentam ser contraditórios, mas revelam nuances importantes sobre o peso corporal em idosos.

A pesquisa, que acompanhou quase 7 mil adultos com 65 anos ou mais por até 14 anos, identificou que a circunferência abdominal elevada está associada a um risco maior de morte prematura, enquanto um IMC classificado como sobrepeso ou obesidade grau I e II foi relacionado a um risco menor de mortalidade em comparação com o IMC normal.

Homens com sobrepeso tiveram 46% menos risco de morte, e mulheres com sobrepeso, 27% menos. Já a obesidade grau I e II não mostrou diferença significativa para mulheres, e para homens, o risco foi menor. A obesidade grau III (IMC igual ou superior a 40) não apresentou diferença estatística significativa para nenhum dos sexos.

Circunferência da cintura

Por outro lado, a circunferência da cintura se mostrou um marcador mais sensível: homens com medida superior a 101,6 centímetros e mulheres acima de 89 centímetros tiveram 24% mais risco de morte prematura, mesmo quando o IMC era considerado normal. Isso indica que o acúmulo de gordura abdominal, especialmente a visceral, é mais perigoso para a saúde do que o excesso de peso em si.

O IMC, por si só, não distingue entre massa muscular e gordura, o que pode levar a interpretações equivocadas, especialmente em idosos, que naturalmente perdem massa muscular com o envelhecimento. Ter um IMC mais alto pode, em alguns casos, refletir uma reserva metabólica que protege contra doenças. Já a gordura abdominal está mais associada a inflamação, resistência à insulina e doenças cardiovasculares.

O estudo reforça que o acompanhamento da saúde do idoso deve ir além do peso na balança. A circunferência da cintura surge como um indicador mais fiel de risco metabólico, enquanto o IMC isolado pode mascarar condições reais de vulnerabilidade.