Meteorologistas alertam para possível El Niño mais forte em 140 anos

Meteorologistas alertam para um possível El Niño de intensidade histórica. Fenômeno pode provocar secas, enchentes e calor extremo no Brasil e no mundo.


Por Evellyn Nascimento

18/06/2026 às 10h06

Meteorologistas alertam para possível El Niño mais forte em 140 anos

O retorno do El Niño voltou a preocupar cientistas e autoridades climáticas ao redor do mundo. Modelos meteorológicos indicam que o fenômeno, que começa a ganhar força no Oceano Pacífico, pode atingir uma intensidade rara e entrar para a lista dos eventos mais fortes já observados desde o início dos registros modernos.

O alerta levou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Organização das Nações Unidas (ONU) a reforçarem a necessidade de preparação para possíveis impactos sobre a agricultura, os recursos hídricos, a geração de energia e a ocorrência de eventos climáticos extremos. Segundo especialistas, caso as projeções atuais se confirmem, o fenômeno poderá influenciar o clima global até 2027.

Por que há preocupação com este El Niño?

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Apesar de ocorrer regularmente, geralmente em intervalos de dois a sete anos, a intensidade prevista para o ciclo 2026-2027 tem chamado a atenção dos pesquisadores.

A Organização Meteorológica Mundial informou que há alta probabilidade de desenvolvimento e fortalecimento do fenômeno ao longo dos próximos meses. Alguns modelos climáticos apontam para um episódio forte ou muito forte, cenário semelhante aos eventos históricos registrados em 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.

Foi nesse contexto que o cientista atmosférico Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York, afirmou haver um “potencial real” para o El Niño mais intenso dos últimos 140 anos, declaração que ajudou a ampliar a atenção internacional sobre o tema.

O que pode acontecer no Brasil?

Os efeitos do El Niño não são iguais em todas as regiões. No Brasil, o padrão observado historicamente costuma provocar redução das chuvas em parte da Amazônia e do Nordeste, enquanto favorece precipitações acima da média na Região Sul.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou uma nota técnica afirmando que os modelos internacionais indicam a possibilidade de um evento forte, capaz de produzir impactos significativos no território brasileiro. Entre os principais riscos estão estiagens prolongadas, aumento das queimadas, perdas agrícolas e episódios de chuva intensa em áreas do Sul do país.

Além disso, especialistas alertam para possíveis reflexos no abastecimento de água e na geração de energia hidrelétrica, especialmente em regiões que dependem de reservatórios para enfrentar períodos secos.

Fenômeno pode elevar temperaturas globais

Outro motivo de preocupação é a influência do El Niño sobre a temperatura média do planeta.

Segundo a ONU e a OMM, o fenômeno tende a adicionar calor a um sistema climático que já enfrenta recordes recentes de temperatura devido ao aquecimento global. Isso aumenta as chances de novos recordes de calor em 2026 e principalmente em 2027.

Embora não existam evidências de que as mudanças climáticas tornem o El Niño mais frequente, os cientistas afirmam que um planeta mais quente pode potencializar seus impactos, tornando secas, ondas de calor, incêndios florestais e chuvas extremas ainda mais severos.

Ainda há incertezas sobre a intensidade

Apesar dos alertas, os especialistas ressaltam que previsões de longo prazo ainda possuem margens de incerteza.

A própria Organização Meteorológica Mundial evita usar termos como “super El Niño” e destaca que a intensidade definitiva do fenômeno só poderá ser confirmada nos próximos meses, à medida que novos dados forem incorporados aos modelos climáticos.

Mesmo assim, a recomendação dos organismos internacionais é que governos e comunidades utilizem o período de antecedência proporcionado pelos sistemas de monitoramento para se preparar e reduzir possíveis impactos sobre a população.