Médico chileno opera paciente brasileiro a 3 mil quilômetros de distância com robô que responde aos movimentos em menos de 0,2 segundo
Um paciente foi submetido a uma cirurgia de remoção da próstata em Goiânia, Goiás, enquanto o médico responsável pelo procedimento estava em Santiago, no…

Um paciente foi submetido a uma cirurgia de remoção da próstata em Goiânia, Goiás, enquanto o médico responsável pelo procedimento estava em Santiago, no Chile, a cerca de 3 mil quilômetros de distância. A operação foi realizada na terça-feira (25) com o auxílio do robô cirúrgico Toumai, comandado remotamente pelo urologista chileno Marcelo Andres Orvieto Sagredo.
O procedimento aconteceu no Hospital do Rim e marcou a primeira telecirurgia conectando Goiás e Chile, além de ser a primeira prostatectomia realizada de forma remota no estado. Durante toda a operação, uma equipe médica permaneceu presencialmente ao lado do paciente para acompanhar o procedimento e atuar em caso de necessidade.
Robô cirúrgico chinês conecta Goiás e Chile
Para viabilizar a cirurgia, a equipe utilizou duas conexões independentes de fibra óptica, além de uma rede 5G como suporte e uma rede privada virtual criada especificamente para o procedimento. A estrutura teve como objetivo reduzir o risco de interrupções e manter a comunicação entre o console utilizado pelo médico e os braços robóticos instalados na sala de cirurgia.
O intervalo entre o comando do cirurgião e a resposta do equipamento ficou abaixo de 200 milissegundos, ou 0,2 segundo. A baixa latência é fundamental nesse tipo de procedimento, já que atrasos podem comprometer a execução de movimentos delicados.
O Toumai possui sistema de visualização tridimensional em alta definição e braços com sete graus de liberdade, permitindo reproduzir movimentos semelhantes aos realizados pelas mãos e pelos punhos do cirurgião.
O robô chinês e suas vantagens
O Toumai é desenvolvido pela empresa chinesa MicroPort MedBot e foi projetado para procedimentos minimamente invasivos. O sistema reúne um console utilizado pelo cirurgião, equipamentos posicionados junto ao paciente e uma plataforma de visualização em 3D.
Uma das principais características do equipamento é a possibilidade de operação remota. Em 2022, o Toumai foi utilizado em cirurgias urológicas realizadas por conexão 5G entre hospitais chineses separados por quase 5 mil quilômetros, segundo a fabricante.
A tecnologia também pode ampliar o acesso a especialistas em regiões onde determinados profissionais são escassos. No Brasil, o Ministério das Comunicações anunciou neste ano uma parceria com o Ministério da Saúde para viabilizar telecirurgias robóticas no SUS entre unidades do Hospital de Amor em São Paulo e Rondônia.
Apesar do comando à distância, a presença de uma equipe no hospital onde está o paciente continua sendo necessária para acompanhar a cirurgia e intervir caso seja preciso.
Próstata e os avanços da cirurgia robótica
A cirurgia realizada em Goiânia foi uma prostatectomia radical, procedimento que remove a próstata e pode ser utilizado no tratamento do câncer de próstata localizado. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Para 2026, são estimados 77.920 novos casos no país.
A cirurgia robótica é uma das técnicas utilizadas no tratamento. De acordo com o INCA, o método oferece maior precisão aos movimentos do cirurgião e amplia o campo de visão durante o procedimento. Por ser minimamente invasiva, também pode contribuir para menor dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida, embora os resultados dependam das características do paciente e da experiência da equipe.
A realização da cirurgia entre Goiás e Chile mostra como a combinação entre robótica e conexão de alta velocidade pode permitir que médicos especializados participem de procedimentos mesmo estando fisicamente distantes do paciente.









