Ir ao banheiro por mais de três dias seguidos ou ver sangue no papel pode revelar duas doenças que passam anos escondidas
Sinais iniciais são confundidos com intolerâncias alimentares ou quadros passageiros.

O termo doença inflamatória intestinal reúne duas enfermidades crônicas que afetam o sistema digestivo: a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Ambas provocam inflamação no intestino e se manifestam com sintomas como diarreia persistente, dor abdominal, sangramento nas fezes, perda de peso e cansaço extremo.
O diagnóstico, no entanto, costuma ser tardio — muitas vezes levando meses ou anos — porque os sinais iniciais são confundidos com intolerâncias alimentares ou quadros passageiros.
Mais de 100 mil brasileiros convivem com a DII
Segundo estimativas de associações de pacientes e do Ministério da Saúde, mais de 100 mil brasileiros convivem com a DII. O número real, porém, pode ser maior, já que os registros oficiais contemplam principalmente pacientes em tratamento pelo SUS.
A doença de Crohn corresponde a mais da metade dos casos, de acordo com a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn. Ela pode surgir em qualquer trecho do tubo digestivo, da boca ao ânus, e atinge toda a espessura da parede intestinal.
As lesões aparecem de forma intercalada com áreas saudáveis, o que caracteriza o padrão salteado. Com o tempo, podem surgir complicações como estreitamentos e fístulas.
Já a retocolite ulcerativa, que representa cerca de 35% dos casos, se restringe ao intestino grosso e a inflamação é contínua.
Os sintomas são parecidos: diarreia frequente, muco ou sangue nas fezes, cólicas e emagrecimento. O alerta deve ser acionado quando a diarreia dura mais de três dias, se repete em ciclos ou vem acompanhada de sangue. Muitas vezes o próprio paciente tenta resolver a situação com restrições alimentares, mas a DII exige investigação médica com exames específicos.
A doença afeta principalmente adultos entre 25 e 54 anos, mas também pode ocorrer em crianças e idosos. A causa ainda é incerta, mas fatores genéticos, ambientais e alterações na flora intestinal estão entre as principais hipóteses.
Tratamento
O tratamento é semelhante para as duas formas. Durante as crises, corticoides podem ser usados por períodos curtos. Na manutenção, anti-inflamatórios, imunossupressores e medicamentos biológicos são as principais ferramentas.








