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Fruta dourada que lembra doce de leite ainda é desconhecida por muitos brasileiros

Fruta tropical de polpa cremosa e sabor semelhante ao doce de leite ganha destaque por seu potencial nutricional e culinário


Por Yasmin Henrique

11/07/2026 às 12h57

Fruta dourada que lembra doce de leite ainda é desconhecida por muitos brasileiros

O canistel, conhecido como fruta de ouro, ainda é pouco conhecido no Brasil, apesar da polpa amarelo intensa, textura cremosa e sabor frequentemente comparado ao doce de leite. Originário do sul do México e da América Central, o fruto foi introduzido no país na década de 1980, adaptou-se ao clima tropical, mas ainda tem produção comercial limitada.

Encontrado principalmente em quintais, pomares e feiras locais, o canistel enfrenta dificuldades para chegar ao varejo por amadurecer rapidamente, ser delicado no transporte e ter baixa padronização. Ainda assim, especialistas apontam potencial de crescimento com a valorização de frutas regionais.

A polpa densa e levemente farinácea é utilizada em vitaminas, sorvetes, mousses, compotas e recheios, além de combinar com canela, cacau, café e castanhas. Para consumir a fruta no ponto ideal, recomenda-se observar leve maciez ao toque, aroma suave, casca íntegra e polpa uniforme, já que o amadurecimento continua após a colheita.

O que as pesquisas mostram sobre o canistel?

Potencial nutricional

  • É classificado como uma fruta subutilizada, com potencial econômico e nutricional ainda pouco explorado.
  • Estudos da Embrapa identificaram cerca de 226 μg de carotenoides por grama de polpa, principalmente violaxantina e neoxantina.
  • Também apresenta aproximadamente 59 μg de equivalentes de vitamina A por 100 g de polpa.

Aplicações na indústria

  • A polpa, de baixa umidade e textura firme, vem sendo estudada para produção de farinha sem glúten e outros alimentos.
  • Pesquisa publicada na revista Nutrition investigou o uso do beta caroteno do canistel para enriquecer óleo de coco, destacando seu potencial tecnológico.
  • Estudos da Embrapa mostram que a semente possui maior teor de lipídios que a polpa, indicando potencial para novos usos e pesquisas.

Embora ainda circule abaixo do radar da maioria dos consumidores, o canistel reúne características que podem favorecer sua expansão comercial. O sabor adocicado, a versatilidade culinária, o interesse científico crescente e a valorização de alimentos regionais colocam a fruta de ouro entre as espécies tropicais com potencial para conquistar espaço no mercado brasileiro nos próximos anos.

(Foto: reprodução/Katia Ribeiro)