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Dormir menos de 6 ou mais de 8 horas foi ligado ao envelhecimento acelerado de 17 órgãos; estudo aponta faixa ideal

Pesquisa analisou a relação entre a duração do sono e 23 relógios biológicos que avaliam 17 sistemas do corpo.


Por Clyverton Silva

29/08/2026 às 07h16

Dormir menos de 6 ou mais de 8 horas foi ligado ao envelhecimento acelerado de 17 órgãos; estudo aponta faixa ideal
Foto ilustrativa: Polina/Pexels

Um estudo publicado na revista Nature, em maio deste ano, mostrou que dormir menos de seis horas ou mais de oito horas por dia está associado a um envelhecimento biológico mais acelerado em diferentes órgãos. A pesquisa analisou a relação entre a duração do sono e 23 relógios biológicos que avaliam 17 sistemas do corpo, incluindo cérebro, coração, pulmões e sistema imunológico.

Os menores níveis de envelhecimento biológico foram identificados entre participantes que dormiam entre 6,4 e 7,8 horas por dia. O padrão observado foi em forma de U: tanto o sono curto quanto o longo se associaram a sinais de envelhecimento mais acelerado.

Os autores não afirmam que a duração do sono cause diretamente o envelhecimento dos órgãos, mas destacam que dormir pouco ou demais pode ser um indicador de pior condição de saúde.

Dados utilizados

A equipe liderada por Junhao Wen, da Universidade Columbia, utilizou dados de cerca de meio milhão de participantes do UK Biobank. Os relógios biológicos foram criados com aprendizado de máquina e informações de exames de imagem, proteínas e moléculas detectadas no sangue. Essas ferramentas estimam se um órgão envelhece mais rápido ou mais devagar do que a idade cronológica da pessoa indicaria.

Os pesquisadores também analisaram associações com doenças. O sono curto foi relacionado a episódios depressivos, transtornos de ansiedade, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardíacas, arritmias e doença isquêmica do coração.

Tanto o sono curto quanto o longo foram associados a doenças pulmonares, asma, gastrite e refluxo gastroesofágico. A depressão na velhice também foi analisada, com possíveis diferenças entre os efeitos do sono curto e do longo. O estudo sugere que dormir demais pode estar ligado à depressão por desregular o relógio biológico do cérebro e das células de gordura.