Descoberta sugere que a Grande Pirâmide de Gizé pode ser muito mais antiga do que a história conta
Estudo sugere nova idade para a Grande Pirâmide e reacende debate sobre sua origem no Egito Antigo.

Uma nova pesquisa ainda não revisada por pares voltou a colocar em discussão a idade da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito.
O estudo sugere que o monumento pode ser significativamente mais antigo do que indica a cronologia tradicional, levantando questionamentos que desafiam décadas de consenso na arqueologia.
Estudo propõe datação muito anterior à aceita pela ciência
O trabalho, desenvolvido pelo engenheiro Alberto Donini, da Universidade de Bolonha, propõe que a construção da pirâmide pode ter ocorrido entre aproximadamente 8.954 a.C. e 36.878 a.C., com uma média estimada em torno de 22.900 a.C.
A hipótese contrasta fortemente com a datação amplamente aceita, que situa a construção por volta de 2.600 a.C., durante o reinado do faraó Quéops.
Segundo o autor, a análise do desgaste das pedras seria a principal base para a reavaliação da idade do monumento.
Erosão das pedras é o centro da hipótese
O estudo utiliza como referência o processo de erosão natural das rochas, causado por vento, areia e variações climáticas ao longo do tempo.
A ideia central é que quanto maior o tempo de exposição das pedras, maior seria o nível de desgaste observado.
Com base nessa relação, o pesquisador comparou blocos expostos diretamente às condições ambientais com outros que teriam permanecido protegidos por areia durante longos períodos.
Essa diferença teria sido usada para estimar o tempo total de exposição da estrutura.
Revestimento original teria sido removido ao longo dos séculos
Um dos pontos considerados relevantes na análise é o fato de que a Grande Pirâmide não se encontra mais em sua forma original.
Quando foi concluída, a estrutura era coberta por blocos de calcário branco polido, que conferiam um aspecto liso e brilhante ao monumento.
Esse revestimento, no entanto, foi removido ao longo dos séculos e reaproveitado em construções no Cairo, deixando exposta a estrutura interna da pirâmide e acelerando o processo de desgaste.
Hipótese sugere civilização mais antiga
Com base nos cálculos apresentados, o estudo levanta a possibilidade de que a pirâmide tenha sido construída por uma civilização anterior à conhecida no Egito Antigo.
Em uma interpretação alternativa, o faraó Quéops teria apenas restaurado ou apropriado a estrutura, sem ser o construtor original.
A proposta, porém, permanece especulativa e não encontra respaldo nas evidências arqueológicas consolidadas.
Comunidade científica mantém posição tradicional
Arqueólogos e egiptólogos reforçam que a cronologia estabelecida é sustentada por múltiplas linhas de evidência, incluindo:
- Registros históricos da Quarta Dinastia;
- Análise de cerâmicas encontradas no sítio arqueológico;
- Vestígios de ferramentas e trabalhadores;
- Datação por radiocarbono de materiais orgânicos.
Esses dados apontam consistentemente para a construção da pirâmide por volta de 2.600 a.C.
Especialistas alertam para limitações do estudo
Apesar do impacto da hipótese, pesquisadores destacam que o método baseado na erosão das pedras apresenta limitações importantes.
Entre os principais fatores estão:
- Variações climáticas ao longo de milhares de anos;
- Períodos em que partes da estrutura estiveram cobertas por areia;
- Interferência humana recente, incluindo turismo e remoção de blocos.
Essas variáveis dificultam a utilização da erosão como método preciso de datação.
Debate permanece em aberto
O estudo ainda não passou por revisão científica independente, etapa considerada essencial para validação de pesquisas acadêmicas.
Até o momento, a comunidade científica mantém a posição de que a Grande Pirâmide de Gizé foi construída durante o reinado de Quéops, sendo uma das maiores realizações da engenharia do Antigo Egito.
Mesmo assim, a nova proposta reacende o interesse público e acadêmico sobre um dos monumentos mais estudados da história, mostrando que a pirâmide de Gizé continua cercada de mistérios e novas interpretações.









