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Descoberta nacional pode mudar tratamento de condição que afeta milhões

Pesquisadores brasileiros criam gel com anticorpo que pode simplificar tratamento, reduzir custos e avançar para testes clínicos


Por Yasmin Henrique

28/06/2026 às 19h02

Descoberta nacional pode mudar tratamento de condição que afeta milhões
(Foto: reprodução/National Cancer Institute/Unsplash)

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma tecnologia que pode mudar o tratamento da dermatite atópica, doença inflamatória crônica da pele marcada por ressecamento, vermelhidão, lesões, coceira intensa e dor. A proposta é um anticorpo monoclonal em formato de gel, aplicado diretamente na região afetada, com potencial para facilitar o uso e reduzir custos.

O projeto, desenvolvido por cientistas da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), utiliza uma molécula capaz de bloquear a ação da calicreína 7 (KLK7), enzima ligada ao processo de descamação da pele. Quando desregulada, a KLK7 pode comprometer a barreira cutânea e contribuir para sintomas como ressecamento e coceira.

Tratamento nacional

Impacto da dermatite atópica

  • Afeta cerca de: 20% das crianças; 10% dos adultos no mundo.
  • Estima-se que aproximadamente 204 milhões de pessoas convivam com a doença.
  • Além dos sintomas na pele, a condição pode prejudicar sono, rotina e qualidade de vida.

Tratamentos atuais

  • Principais opções: hidratação da pele; anti-inflamatórios; anti-histamínicos; imunomoduladores; anticorpos monoclonais.
  • Limitações: terapias biológicas costumam exigir aplicações por injeção ou via intravenosa e apresentam custo elevado.

Tecnologia em desenvolvimento

  • Startup Krabs: criada para transformar a pesquisa acadêmica em um possível medicamento.
  • Produto: anticorpo recombinante produzido em laboratório.
  • Ação: inibe a enzima calicreína 7 (KLK7), relacionada ao ressecamento, descamação e coceira da pele.

Testes e resultados

  • Estudos: realizados em 54 cães com dermatite atópica na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
  • Motivo do modelo animal: cães desenvolvem a doença naturalmente, sem necessidade de indução em laboratório.
  • Resultados iniciais: indicam eficácia e segurança, sem registro de efeitos colaterais graves até o momento.

Próximas fases

Após a conclusão dos testes veterinários, previstos para agosto, a tecnologia deverá avançar para novas avaliações em animais, estudos pré-clínicos e, posteriormente, ensaios clínicos em humanos nas fases 1, 2 e 3, com acompanhamento da Anvisa.

O desenvolvimento depende de novos investimentos. A Krabs estima precisar de cerca de R$ 10 milhões para as próximas etapas e busca apoio dos setores farmacêutico e veterinário. A empresa já possui patente aprovada nos Estados Unidos e aguarda análises de pedidos na Europa e no Brasil, etapa considerada estratégica para ampliar investimentos e viabilizar o tratamento.