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Criatura que parece um Pokémon está aparecendo perto das praias e preocupa especialistas

O dragão-azul-do-mar volta a aparecer em praias, preocupa especialistas e exige cuidados devido ao veneno que pode causar acidentes.


Por Leticia Florenco

17/07/2026 às 14h55

Criatura que parece um Pokémon está aparecendo perto das praias e preocupa especialistas
Praia - Reprodução/Unsplash/Lopez Robin

Antes visto principalmente em alto-mar, o Glaucus atlanticus, conhecido como dragão-azul-do-mar, passou a aparecer com mais frequência em praias e áreas costeiras, chamando a atenção de banhistas e preocupando especialistas.

glaucus
Glaucus atlanticus – Reprodução/S.Rohrlach

O pequeno molusco, que lembra um personagem de videogame pela coloração azul intensa e pelos apêndices em forma de “asas”, pode representar riscos à saúde, apesar da aparência inofensiva.

Aparições em praias acendem alerta

O aumento dos registros da espécie em regiões litorâneas tem sido associado às mudanças nas correntes marítimas e ao aquecimento dos oceanos.

Pesquisadores explicam que alterações nas condições ambientais favorecem o deslocamento de organismos marinhos que normalmente vivem longe da costa, aumentando a probabilidade de encontros com pessoas.

Embora o fenômeno não seja considerado inédito, especialistas observam que os avistamentos têm se tornado mais frequentes em algumas praias, especialmente após períodos de ventos fortes e mar agitado.

Pequeno no tamanho, impressionante na adaptação

O dragão-azul-do-mar é um nudibrânquio que mede, em média, entre três e quatro centímetros. Mesmo com dimensões reduzidas, possui adaptações que lhe permitem sobreviver na superfície do oceano.

Utilizando uma pequena bolsa de gás como flutuador natural, o animal permanece à deriva e pode percorrer grandes distâncias transportado pelas correntes e pelos ventos, alcançando áreas costeiras onde normalmente não seria encontrado.

Defesa utiliza o veneno das próprias presas

Uma das características mais curiosas do Glaucus atlanticus é sua capacidade de se alimentar de organismos altamente venenosos, como as caravelas-portuguesas.

Em vez de ser afetado pelas toxinas, o molusco consegue armazenar as células urticantes de suas presas nas extremidades dos apêndices, utilizando esse mecanismo como forma de proteção contra predadores.

Essa adaptação também faz com que o contato com o animal possa provocar acidentes em seres humanos.

Contato pode causar dor e irritação

Especialistas alertam que tocar o dragão-azul pode resultar em dor intensa, sensação de queimadura, irritação na pele, vermelhidão e, em alguns casos, reações alérgicas mais severas.

Mesmo quando encontrado imóvel na areia, o animal pode manter suas células urticantes ativas, motivo pelo qual a orientação é nunca manipulá-lo.

Recomendações para banhistas

Ao encontrar um exemplar nas praias, a recomendação é manter distância e evitar qualquer contato direto. As principais orientações incluem:

  • Não tocar no animal, mesmo que pareça morto;
  • Manter crianças e animais domésticos afastados;
  • Informar salva-vidas ou equipes ambientais sobre o avistamento;
  • Procurar atendimento médico caso ocorra contato com dor intensa ou reação alérgica.

Mudanças ambientais explicam aumento dos registros

Pesquisadores destacam que o aparecimento mais frequente do dragão-azul reforça os impactos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas marinhos.

O aquecimento das águas modifica a dinâmica das correntes oceânicas e influencia a distribuição de diversas espécies, alterando a interação entre a vida marinha e as áreas costeiras.

Apesar de despertar fascínio pelo visual incomum, o Glaucus atlanticus deve ser observado apenas à distância. A aparência semelhante à de personagens de ficção pode levar muitas pessoas a subestimar o risco oferecido pela espécie.

Para os especialistas, acompanhar esses registros é importante tanto para a segurança dos banhistas quanto para o monitoramento das transformações que vêm ocorrendo nos oceanos.