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Cientistas viajam de helicóptero militar até montanha isolada de 1.700 metros para procurar animais que podem não existir em nenhum outro lugar


Por Matheus Chaves

31/08/2026 às 21h33

Cientistas viajam de helicóptero militar até montanha isolada de 1.700 metros para procurar animais que podem não existir em nenhum outro lugar
Imagem: Magnific

No extremo norte do Amazonas, uma região de difícil acesso passou a receber uma expedição científica que pode ajudar a revelar espécies ainda desconhecidas pela ciência. O destino é a Serra do Aracá, próxima à fronteira com a Venezuela, onde montanhas chegam a 1.700 metros de altitude e formam ambientes muito diferentes daqueles encontrados nas áreas mais baixas da floresta. As informações são do portal Diário do Litoral.

A incursão começou em 24 de agosto e reúne 16 pesquisadores brasileiros de diferentes áreas. O trabalho de campo tem duração prevista de três semanas e representa a terceira e última etapa de um projeto dedicado ao estudo da biodiversidade das regiões montanhosas da Amazônia brasileira.

Por que os pesquisadores escolheram essa montanha?

A Serra do Aracá chama atenção principalmente pela combinação entre altitude, isolamento geográfico e características ambientais. Seus pontos mais elevados ficam entre 1.300 e 1.700 metros e incluem formações conhecidas como tepuis, grandes platôs rochosos que apresentam condições ambientais distintas das áreas de floresta que os cercam.

Esse isolamento pode ter consequências importantes para a evolução das espécies. Quando populações ficam separadas geograficamente durante longos períodos, deixam de trocar genes com outros grupos da mesma espécie. Com o passar das gerações, essa separação pode contribuir para o surgimento de características próprias e, em alguns casos, de novas espécies.

É justamente esse processo que os cientistas querem investigar na Serra do Aracá. A expectativa não está apenas em encontrar animais ou plantas desconhecidos, mas também em entender como as populações que vivem nesses ambientes chegaram até ali e se modificaram ao longo do tempo.

Uma área que funciona como uma “ilha” no meio da Amazônia

Apesar de estar cercada pela maior floresta tropical do planeta, a parte elevada da Serra do Aracá apresenta uma dinâmica ecológica própria.

Os tepuis podem ser comparados, do ponto de vista evolutivo, a ilhas. O motivo é que os vales e a floresta ao redor dificultam a circulação de espécies entre diferentes áreas de altitude. Assim, populações que vivem no topo podem permanecer separadas durante períodos muito longos.

A origem desse isolamento está relacionada à própria formação geológica da região. Processos de erosão provocados pela água e pelo vento contribuíram para separar antigos blocos de terreno e formar os grandes desníveis encontrados atualmente.

Com isso, algumas espécies conseguiram permanecer restritas a determinados maciços. São os chamados animais e plantas endêmicos, que possuem distribuição geográfica limitada e podem não ser encontrados em nenhuma outra parte do mundo.

O que acontece depois da expedição?

O trabalho científico não termina quando os pesquisadores deixam a montanha. As amostras coletadas precisam ser analisadas em laboratório, enquanto registros de animais, plantas e características ambientais são organizados e comparados com informações já existentes.

No caso de uma possível espécie nova, também é necessário confirmar cientificamente que aquele organismo realmente apresenta características que o diferenciam de espécies já conhecidas.

Esse processo pode levar tempo porque envolve análises morfológicas, genéticas e comparações com coleções científicas. Portanto, encontrar um animal que pareça diferente durante a expedição não significa imediatamente que uma nova espécie tenha sido descoberta.

A etapa de campo, porém, é fundamental para produzir os dados que permitem essas conclusões posteriormente.