Cidade mais pequena do Rio de Janeiro abriga um dos túneis mais impressionantes da história
Menor cidade do RJ em área guarda túneis históricos da ferrovia do café, incluindo uma das maiores obras de engenharia do século XIX

Com apenas 95,35 km² e cerca de 17,5 mil habitantes, segundo o IBGE, Mendes é o menor município do Rio de Janeiro em extensão territorial. Localizada no Vale do Café, a cidade reúne paisagens de montanha, Mata Atlântica e uma história marcada pela expansão ferroviária do século XIX.
Seu desenvolvimento está ligado à Estrada de Ferro Dom Pedro II, criada para transportar a produção cafeeira do interior fluminense até o porto do Rio de Janeiro. Um dos maiores símbolos dessa história é o Túnel 12, também chamado de Túnel Grande.
Túneis impressionantes
O Túnel 12, também conhecido como Túnel Grande, é um dos principais símbolos da história ferroviária de Mendes. Construído entre 1858 e 1865, possui cerca de 2.233 metros de extensão e atravessa a Serra do Mar entre Mendes e Paulo de Frontin. Na época, foi considerado uma das maiores obras ferroviárias do mundo e um marco da engenharia do período imperial.
A construção exigiu soluções técnicas avançadas, como:
- Perfuração de áreas rochosas;
- Trabalhos em grandes profundidades;
- Sistemas de ventilação para viabilizar a execução da obra.
A estrutura fazia parte da expansão da Estrada de Ferro Dom Pedro II, criada para superar os obstáculos da Serra do Mar e ampliar a ligação entre o interior produtor de café e a capital do Império.
Décadas depois, em 1914, foi inaugurado o Túnel 12 Bis, com aproximadamente 2.245 metros de extensão. Maior que o primeiro, o novo túnel ampliou a capacidade de transporte de cargas e passageiros. Juntas, as duas construções se tornaram símbolos da memória ferroviária brasileira.
Ferrovia da menor cidade
A construção da ferrovia começou após o Decreto nº 641, de 1852, com o primeiro trecho inaugurado em 1858, entre a Estação da Corte, no Rio de Janeiro, e Queimados. Para atravessar a Serra do Mar, foram necessárias obras como túneis, viadutos e cortes no terreno.
A estrada facilitou o transporte do café do Vale do Paraíba e, após 1889, passou a ser chamada de Estrada de Ferro Central do Brasil. Além dos túneis históricos, a cidade preserva patrimônios como a Estação Ferroviária Neri Ferreira, a antiga Cervejaria Teutônia, a Ladeira João Vieira e a antiga Igreja Matriz.









