Anticoncepcionais orais passam a integrar grupo que inclui cigarro e amianto por risco de câncer
Anticoncepcionais entram no Grupo 1 da IARC, mas especialistas explicam por que o risco não é igual ao do cigarro.

Os anticoncepcionais orais combinados, que contêm estrogênio e progestagênio, são classificados pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), como agentes do Grupo 1 de carcinogenicidade.
A classificação costuma gerar dúvidas e até preocupação, principalmente porque o mesmo grupo reúne substâncias como o cigarro e o amianto.
No entanto, especialistas destacam que essa classificação não significa que os anticoncepcionais ofereçam o mesmo nível de risco de câncer dessas substâncias.
O sistema da IARC avalia a força das evidências científicas de que um agente pode causar câncer, e não o tamanho do risco que ele representa.
O que significa estar no Grupo 1 da IARC?
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer classifica os anticoncepcionais orais combinados com estrogênio e progestagênio no Grupo 1, categoria reservada aos agentes para os quais existe evidência científica suficiente de que podem causar câncer em determinadas circunstâncias.
Em outras palavras, os estudos disponíveis demonstram que existe uma relação entre o uso desses medicamentos e alguns tipos específicos de câncer, embora essa associação dependa de diversos fatores, como tempo de uso, idade e características individuais.
Estudos identificaram aumento do risco para alguns cânceres
Pesquisas científicas apontam que o uso de anticoncepcionais hormonais combinados está associado a um aumento do risco de desenvolver alguns tipos de câncer, entre eles:
- Câncer de mama;
- Câncer do colo do útero;
- Câncer de fígado.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que esse aumento de risco costuma variar conforme o histórico clínico da paciente e tende a diminuir gradualmente após a interrupção do uso do medicamento.
Também existe redução do risco para outros tipos de câncer
O cenário é mais complexo do que muitas publicações nas redes sociais fazem parecer.
As mesmas pesquisas mostram que os anticoncepcionais orais também estão associados à redução do risco de outros tipos de câncer, incluindo:
- Câncer de endométrio;
- Câncer de ovário;
- Câncer colorretal (intestino grosso e reto).
Esses efeitos protetores podem persistir por muitos anos após o fim do uso, segundo diferentes estudos científicos.
Por que essa classificação gera tanta confusão?
Grande parte da confusão acontece porque muitas pessoas interpretam a classificação da IARC como uma escala de perigo. Na realidade, ela funciona de outra maneira.
A agência avalia a qualidade e a quantidade das evidências científicas de que determinado agente pode provocar câncer, mas não compara qual deles é mais perigoso.
Assim, cigarro, amianto e anticoncepcionais podem estar no mesmo grupo sem apresentarem o mesmo impacto sobre a saúde.
Grupo 1 não significa risco igual
Especialistas reforçam que o fato de um produto estar no Grupo 1 não quer dizer que ele apresente o mesmo risco que o tabaco ou o amianto.
O cigarro, por exemplo, está associado a um risco muito elevado para diversos tipos de câncer e responde por milhões de mortes todos os anos.
Já os anticoncepcionais apresentam um perfil completamente diferente, com riscos e benefícios que precisam ser avaliados individualmente.
Portanto, a classificação indica apenas que existe comprovação científica da possibilidade de causar câncer em determinadas condições, e não que todos os agentes do Grupo 1 sejam igualmente perigosos.
Benefícios dos anticoncepcionais vão além da prevenção da gravidez
Além da contracepção, os anticoncepcionais hormonais são amplamente utilizados para tratar diversas condições médicas, como:
- Controle do ciclo menstrual;
- Redução das cólicas intensas;
- Tratamento da endometriose;
- Controle da síndrome dos ovários policísticos;
- Diminuição do fluxo menstrual excessivo;
- Melhora de sintomas hormonais em algumas pacientes.
Por isso, sua utilização deve sempre considerar o contexto clínico de cada pessoa.
A decisão deve ser individualizada
Médicos recomendam que os benefícios e os possíveis riscos do uso de anticoncepcionais hormonais sejam discutidos com um profissional de saúde.
A escolha do método contraceptivo deve levar em conta fatores como:
- Idade;
- Histórico familiar de câncer;
- Tabagismo;
- Pressão arterial;
- Histórico de trombose;
- Doenças pré-existentes;
- Objetivos reprodutivos da paciente.
Não existe um método ideal para todas as mulheres.
O que dizem os especialistas?
Os especialistas reforçam que nenhuma decisão deve ser tomada com base apenas em informações isoladas ou publicações virais.
A classificação da IARC serve para orientar pesquisas e políticas de saúde pública, mas a avaliação do risco individual depende de uma análise médica completa.
Em muitos casos, os benefícios do anticoncepcional superam amplamente os possíveis riscos.
Entenda a principal mensagem
O principal ponto destacado pelos pesquisadores é que a classificação da IARC mede a força das evidências científicas, e não o tamanho do risco.
Isso significa que há comprovação de que os anticoncepcionais orais combinados podem influenciar o desenvolvimento de alguns tipos de câncer em determinadas circunstâncias, mas isso não significa que seu risco seja comparável ao do cigarro ou do amianto.
Por esse motivo, especialistas recomendam que qualquer decisão sobre iniciar, manter ou interromper o uso de anticoncepcionais seja feita em conjunto com um profissional de saúde, considerando os benefícios, os riscos e as necessidades individuais de cada paciente.









