Estudo identifica ação de planta medicinal contra vírus da Covid-19

Substância extraída das folhas da copaíba-vermelha apresentou efeito multialvo contra o SARS-CoV-2 em pesquisa publicada na Scientific Reports


Por Thais Szegö, Agência Fapesp

28/04/2026 às 13h02

Compostos extraídos das folhas da copaíba-vermelha (Copaifera lucens Dwyer), árvore endêmica do Brasil e encontrada principalmente em áreas de Mata Atlântica, apresentaram ação multialvo contra o SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19. A conclusão é de um estudo conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores e publicado na revista Scientific Reports.

planta medicinal covid imagem Geovane Siqueira iNaturalist
A Copaifera lucens é encontrada especialmente em áreas de Mata Atlântica (Foto: Geovane Siqueira/iNaturalist)

A pesquisa, que contou com apoio da Fapesp, avaliou substâncias conhecidas como ácidos galoilquínicos, retiradas das folhas da copaíba-vermelha. Os resultados indicaram que os compostos foram capazes de atuar em diferentes etapas da infecção viral, incluindo a entrada do vírus nas células, a replicação do patógeno e a expressão de proteínas virais.

A escolha da espécie está relacionada à experiência do farmacêutico Jairo Kenupp Bastos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), em estudos de fitoquímica e farmacologia de espécies de Copaifera.

Pesquisas anteriores já haviam apontado benefícios biológicos e farmacológicos dos ácidos galoilquínicos, entre eles atividades antifúngicas e anticancerígenas em testes in vitro e in vivo, além de propriedades antivirais de amplo espectro. Conforme os pesquisadores, derivados da substância também demonstraram inibição significativa contra o HIV-1 em ensaios bioquímicos e cultura de células, com menor toxicidade em comparação a outras moléculas testadas.

Para realizar o estudo, os cientistas prepararam e caracterizaram frações ricas em ácidos galoilquínicos derivados das folhas da copaíba-vermelha. Depois, fizeram ensaios de citotoxicidade para avaliar a segurança da introdução das substâncias nas células dos hospedeiros.

A atividade antiviral foi analisada por meio de ensaios de redução de placas, método utilizado para medir a capacidade de anticorpos ou compostos antivirais neutralizarem vírus. Também foram avaliadas as expressões de proteínas virais e as interações com alvos importantes para o ciclo do SARS-CoV-2.

Entre esses alvos estão o domínio de ligação ao receptor da proteína Spike, responsável por permitir a entrada do vírus nas células humanas; a protease tipo papaína (PLpro), enzima relacionada à evasão viral; e a RNA polimerase, enzima essencial para a replicação do vírus.

De acordo com os resultados, os ácidos galoilquínicos apresentaram forte ação contra a variante do coronavírus analisada. Além do efeito antiviral, os pesquisadores destacam que as propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras da substância podem contribuir para a regulação da resposta imune de pessoas infectadas, especialmente em casos mais graves da doença.

“Um aspecto importante é o mecanismo multialvo do composto, o que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência. Isso porque muitos antivirais atuais agem apenas sobre uma proteína viral, o que favorece esse efeito”, diz Bastos.

O professor Mohamed Abd El-Salam, da Delta University for Science and Technology, no Egito, e da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, também participou do trabalho. Ele realizou o doutorado na USP e destacou a importância da estratégia adotada no estudo.

“A abordagem integrada nos permitiu compreender não apenas como os compostos funcionam, mas também como atuam em nível molecular”, conta Mohamed Abd El-Salam.

A pesquisa envolveu ainda cientistas de outras instituições do Egito e da República Tcheca. Apesar dos resultados, ainda são necessárias novas etapas antes que a substância possa ser transformada em medicamento contra a Covid-19, incluindo ensaios in vivo e estudos clínicos.

Segundo os autores, o estudo reforça a importância da biodiversidade e da pesquisa com produtos naturais na busca por candidatos terapêuticos. A flora brasileira, conforme os pesquisadores, segue como um reservatório estratégico para a descoberta de novos fármacos.

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe

Resumo desta notícia gerado por IA

  • Compostos extraídos das folhas da copaíba-vermelha apresentaram ação contra o SARS-CoV-2 em estudo internacional.
  • A substância atuou em diferentes etapas da infecção, como entrada do vírus nas células e replicação viral.
  • Os pesquisadores destacam que o mecanismo multialvo pode reduzir a chance de resistência viral.
  • Novos testes in vivo e estudos clínicos ainda são necessários antes de possível uso como medicamento.