Remédios que afetam a direção: veja 7 classes que aumentam o risco ao volante
Remédios como ansiolíticos, antidepressivos e ate antialérgicos podem comprometer a capacidade de dirigir
O uso de remédios comuns, como ansiolíticos, antidepressivos e até antialérgicos, pode comprometer a capacidade de dirigir e aumentar o risco de acidentes. O alerta foi reforçado durante o 16º Congresso Brasileiro de Medicina do Tráfego, realizado em Salvador, com base em diretriz recente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet).
Segundo o diretor da entidade, Adriano Isabella, dirigir exige plena coordenação motora e cognitiva, o que pode ser afetado por substâncias que causam sonolência, sedação, alterações de memória ou tempo de reação. “O uso de determinados medicamentos aumenta e muito o risco de sinistros no trânsito”, afirmou.
Confira abaixo os 7 tipos de remédios que merecem atenção antes de pegar no volante:
Analgésicos
Condutores que utilizam ácido acetilsalicílico não se envolvem mais significativamente em sinistros automobilísticos.
Testes de desempenho cognitivo e de habilidades psicomotoras também não demonstraram comprometimento significativo do desempenho de motoristas em uso de paracetamol.
Já no caso de opióides, estudos epidemiológicos constataram resultados estatisticamente significativos da relação entre os medicamentos e sinistros de trânsito. O risco chega a ser oito vezes maior para ferimentos graves e cinco vezes maior para morte.
Relaxantes musculares
Os efeitos do carisoprodol foram avaliados em simuladores de direção, constatando-se sedação, raciocínio lento e falha de atenção. Além disso, o prejuízo da psicomotricidade é subestimado e, muitas vezes, não percebido pelo condutor.
Há risco de envolvimento em acidentes de trânsito com vítimas logo na primeira semana de uso.
No caso da ciclobenzaprina, foram constatados efeitos adversos no desempenho da condução, como sonolência, visão turva, equilíbrio e coordenação motora prejudicados e confusão mental.
Ansiolíticos, sedativos e hipnóticos
No caso dos benzodiazepínicos, foi constatado aumento significativo de risco de envolvimento em sinistros automobilísticos. A estimativa é que 2% da população adulta brasileira utilize esse tipo de medicação.
Testes de direção sob o efeito de buspirona comprovaram que não há alteração no desempenho do condutor.
Há evidências consistentes de que hipnóticos Z têm efeitos prejudiciais para a condução veicular segura.
Antidepressivos
No caso de tricíclicos, há maior risco de sinistros automobilísticos, sobretudo em condutores idosos. Mesmo doses baixas noturnas comprometem o desempenho na condução desde o primeiro dia de uso de forma similar ao que é observado em motoristas que consumiram álcool.
Já os inibidores seletivos de serotonina, em geral, são bem tolerados quanto aos efeitos colaterais.
No caso da trazodona, efeitos colaterais significativos na condução veicular, como perda de memória, sedação, sonolência e alterações cognitivas e motoras.
Antialérgicos
Anti-histamínicos de primeira geração (difenidramina, tripolidina, terfenadina, dexclorfeniramina, clemastina) prejudicam significativamente o desempenho ao dirigir.
Os de segunda geração (cetirizina, loratadina, ebastina, mizolastina, acrivastina, emedastina, mequidazina) também podem prejudicar o desempenho, mas com diferenças de pessoa para pessoa.
Já os de terceira geração (fexofenadina, desloratadina, levocetirizina) não produzem comprometimento após o uso.
Antipsicóticos
A maioria é sedativo e tem potencial para afetar negativamente as habilidade de condução.
Canabinóides
Entre os produtos medicinais provenientes da cannabis, muitos contêm THC, canabinóide com propriedades psicoativas que prejudicam a capacidade de conduzir um veículo devido aos efeitos na cognição, na função visual e na coordenação motora, que podem persistir por várias horas.
Tópicos: direção / medicamentos / remédios









