Tem filme que a gente espera chegar ao streaming. Tem filme que combina com sofá, cobertor e pausa para pegar café. Mas também tem aquele tipo de produção que parece nascer para a tela grande. “A Odisseia”, novo filme de Christopher Nolan, entra exatamente nessa categoria.
Inspirado no poema épico de Homero, o longa acompanha a jornada de Odisseu, rei de Ítaca, em sua tentativa de voltar para casa depois da Guerra de Troia. No caminho, ele enfrenta criaturas míticas, perigos, perdas, tentações e todos os obstáculos possíveis até reencontrar Penélope, sua esposa.
Mas, quando falamos de Nolan, a história nunca é apenas a história. O diretor de “Interestelar”, “A Origem”, “Dunkirk” e “Oppenheimer” costuma transformar grandes temas em experiências cinematográficas intensas. Tempo, memória, guerra, destino, ciência, obsessão e humanidade já passaram pelo olhar dele. Agora, é a vez de um dos textos mais fundamentais da literatura ocidental ganhar uma releitura épica, grandiosa e pensada para a imersão.
E eu já começo dizendo: esse é o tipo de filme que eu não assistiria de qualquer jeito. “A Odisseia” pede sala escura, tela gigante, som potente e aquela entrega que só o cinema consegue provocar. Por isso, separei aqui 3 motivos para correr para a poltrona do cinema e assistir ao novo filme de Christopher Nolan.
1. Porque Christopher Nolan sabe transformar cinema em evento
Poucos diretores contemporâneos conseguem transformar cada novo lançamento em acontecimento como Christopher Nolan. Mesmo em uma época dominada pelo consumo rápido de conteúdo, ele ainda defende a experiência coletiva da sala de cinema. E isso faz diferença.
Nolan não costuma entregar filmes “pequenos” no sentido da experiência. Mesmo quando parte de conflitos íntimos ou de personagens solitários, ele pensa grande: na imagem, no som, na escala e na sensação física de estar diante de algo maior do que a rotina. Com “A Odisseia”, essa característica ganha um terreno perfeito. A jornada de Odisseu é, por natureza, uma história de travessia, perigo, espera e retorno. É uma narrativa sobre atravessar mundos, resistir ao tempo e tentar voltar para aquilo que ainda chamamos de casa.
2. Porque a história de Odisseu continua atual
“A Odisseia” é uma das histórias mais antigas e mais influentes da literatura, mas continua fazendo sentido porque fala de algo que nunca deixou de nos acompanhar: a busca por pertencimento.
Odisseu quer voltar para casa. Simples assim. Mas, entre ele e esse retorno, existe um mundo inteiro de obstáculos. Monstros, deuses, tempestades, encantamentos, guerras internas e externas. A jornada é física, mas também emocional.

E talvez seja por isso que essa história atravessa séculos. Em alguma medida, todo mundo entende o que significa tentar voltar para si mesmo depois de ser transformado pelo caminho.
No cinema de Nolan, esse tema pode ganhar ainda mais camadas. Seus personagens frequentemente estão presos entre missão e afeto, razão e instinto, ambição e culpa. Odisseu, nesse sentido, parece um protagonista muito adequado ao universo do diretor: alguém movido por inteligência, sobrevivência, desejo de retorno e pelas consequências de suas próprias escolhas.
3. Porque o elenco é daqueles que chamam atenção
Outro motivo para prestar atenção em “A Odisseia” é o elenco. Matt Damon interpreta Odisseu, papel central da narrativa. Ao lado dele, aparecem nomes como Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o e Charlize Theron.

É um daqueles elencos que, por si só, já desperta curiosidade. Mas o mais interessante é imaginar como Nolan vai distribuir essas presenças dentro de uma narrativa épica. Em seus filmes, grandes atores costumam ocupar papéis que carregam dilemas morais, tensão dramática e funções importantes dentro da estrutura da história.

Matt Damon, que já trabalhou com Nolan em outros projetos, assume aqui um personagem marcado pela resistência e pela complexidade. Odisseu não é apenas um herói de aventura. Ele é estrategista, sobrevivente, líder, marido, pai e alguém que precisa lidar com as consequências de sua própria fama.
Em uma adaptação contemporânea, esse tipo de personagem pode ser especialmente rico. Não se trata apenas de torcer para que ele vença monstros, mas de entender o que resta de uma pessoa depois de tantos anos tentando voltar.
Eu gosto quando o cinema nos lembra que algumas histórias são maiores do que a pressa do dia a dia. Histórias que pedem tempo, atenção e entrega. A jornada de Odisseu é sobre voltar para casa, mas também sobre tudo aquilo que se perde e se descobre pelo caminho. E talvez seja por isso que “A Odisseia” pareça tão adequada para a tela grande. Porque, de certa forma, ir ao cinema também é uma pequena travessia: a gente sai de casa, escolhe uma poltrona, entra no escuro e aceita ser levado para outro mundo por algumas horas.
E se for para embarcar nessa viagem, que seja do jeito certo: com tela grande, som alto e a disposição de se perder um pouco antes de encontrar o caminho de volta. Em Juiz de Fora, “A Odisseia” está em cartaz no Cinema Alameda, com sessões em 2D: dublada, às 20h10, na Sala 1, e legendada, às 20h20, na Sala 2. A programação vai de 16 a 22 de julho, com ingressos disponíveis pelo site do cinema.
Ah, e eu e Marcelo Juliani conversamos sobre o Nolan e vale a pena recordar esse bate-papo:





