Toda terça-feira, o projeto Tela Brasileira leva ao Cinema Alameda sessões gratuitas dedicadas ao cinema feito no Brasil. A iniciativa amplia o acesso da população ao audiovisual nacional e contribui para a formação de público, criando um espaço permanente de encontro entre espectadores, realizadores, estudantes, artistas e amantes do cinema.
Na próxima terça-feira, 23 de junho, às 19h, a programação reúne duas produções que revelam a diversidade e a criatividade do audiovisual brasileiro contemporâneo: o curta-metragem “Déia e Dete”, dirigido pela cineasta mineira Bruna Schelb Corrêa, e o longa de animação “Coração das Trevas”, de Rogério Nunes. A sessão gratuita transita entre universos muito diferentes. De um lado, a delicadeza da infância, da memória familiar e da imaginação popular. Do outro, uma narrativa distópica sobre um Brasil possível, marcada por colapso social, violência, desigualdade e crise ambiental.
Déia e Dete abre a sessão com infância, imaginação e tradição familiar
A programação começa com o curta-metragem “Déia e Dete”, animação dirigida por Bruna Schelb Corrêa. O filme acompanha duas irmãs que passam as férias na fazenda dos avós e descobrem uma antiga tradição familiar: os umbigos de todos os parentes estão enterrados pelo terreno.
Movidas pela curiosidade, as meninas iniciam uma busca que desperta medos, fantasia e acontecimentos insólitos. A narrativa parte do universo infantil para construir uma história marcada pela imaginação e pela força das expressões populares levadas ao pé da letra.


O curta trabalha com uma ideia ao mesmo tempo simples e potente: como as crianças interpretam o mundo quando escutam histórias, ditados e tradições familiares? Em “Déia e Dete”, a infância aparece como território de descoberta, espanto e invenção, onde o cotidiano pode se transformar em mistério a qualquer momento. A presença de uma cineasta mineira na programação também reforça a importância do Tela Brasileira como espaço de circulação para produções regionais e para diferentes olhares dentro do cinema nacional.
Coração das Trevas imagina um Rio de Janeiro distópico
Na sequência, o público confere o longa de animação “Coração das Trevas”, dirigido por Rogério Nunes. O filme é uma adaptação livre do clássico de Joseph Conrad, agora ambientada em um Rio de Janeiro de um futuro próximo. Na trama, a cidade vive um cenário de colapso social e ambiental. Em meio a esse contexto, um jovem tenente recebe a missão de encontrar um lendário capitão desaparecido durante uma operação policial. A busca se transforma em uma travessia pelas periferias cariocas, revelando tensões profundas sobre violência, desigualdade e os limites da sociedade brasileira.
Ao deslocar a inspiração literária para um Brasil distópico, “Coração das Trevas” propõe uma leitura contemporânea sobre poder, medo e exclusão. A jornada do protagonista não é apenas física, mas também simbólica: conforme ele avança pelo território, o filme revela camadas de uma cidade marcada por rupturas, abandono e conflitos. Com direção de arte inspirada na animação tradicional em 2D, o longa aposta em uma linguagem visual que reforça a atmosfera sombria e crítica da narrativa.
“Coração das Trevas” vem se destacando em festivais nacionais e internacionais. O longa acumulou prêmios como Melhor Direção no Festival do Rio e Melhor Longa de Animação em festivais realizados em Cuba, México e Costa do Marfim. O filme também foi selecionado para a programação especial do cinema brasileiro no 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai, realizado durante o Ano Cultural Brasil-China 2026.
Para quem gosta de descobrir novas produções nacionais, a sessão gratuita no Cinema Alameda é uma boa oportunidade de ocupar a poltrona e acompanhar de perto a diversidade do audiovisual feito no país.
Serviço
Tela Brasileira: “Déia e Dete” e “Coração das Trevas”
Data: terça-feira, 23 de junho
Horário: 19h
Local: Cinema Alameda
Entrada: gratuita
Ingressos: distribuídos gratuitamente uma hora antes da sessão, na bilheteria do cinema, sujeitos à lotação da sala







