Uma pesquisa coordenada pelo professor e geógrafo Wagner Barbosa Batella concluiu que as vítimas de violência doméstica ficaram mais vulneráveis durante a pandemia da Covid-19. O trabalho começou em 2018 e teve sua etapa final em 2020. Juiz de Fora foi um oásis, pois, enquanto os números cresceram em todo o país, na cidade, houve uma queda de 15% nos registros oficiais de casos correlatos à violência doméstica. Mas o próprio pesquisador alerta que podem ter ocorrido distorções por conta do fechamento temporário da Casa da Mulher, para onde acorre boa parte das vítimas. A subnotificação, de modo geral, sempre tem sido levada em conta, uma vez que nem todos registram as ocorrências.
A pandemia mudou a configuração da convivência, por ter forçado a reclusão familiar para evitar o contágio. No entanto, quando essa convivência envolveu um longo período, os atritos foram amplificados, e muitos deles chegaram ao extremo da agressão, embora a violência doméstica não se configure apenas nessa situação. Principal componente no elenco vitimado, as mulheres passam, também, por constrangimentos psicológicos, tendo nos parceiros a maior fonte para essa situação.
Em camadas mais carentes, a agressão física tem seu perfil ampliado. Embora os pesquisadores tenham concluído que a violência tem cor e endereço, não estão isentos os segmentos mais abastados, cujos índices, embora menores, também podem apontar para a subnotificação. Várias vítimas evitam recorrer ao agente policial por constrangimento, enquanto outras, em decorrência da falta de alternativas, isto é, para onde ir, acabam tolerando as agressões.
Para esse público, especialmente, as campanhas de combate à violência doméstica têm sido fundamentais para virada do jogo. Pelas redes sociais e pelos demais meios de comunicação, vários personagens têm apontado que o silêncio é o pior dos mundos e defendem a denúncia. Um passo adiante foi na inovação da legislação agora induzindo síndicos de condomínios familiares a denunciarem casos de violência. Em briga de homem e mulher deve, sim, meter a colher, por conta dos riscos da omissão.
Vários crimes teriam sido evitados se as partes não envolvidas, mas conhecedoras da situação, tivessem se manifestado.
É fato não ser uma situação simples, a começar pelo medo de retaliações, mas há mecanismos que garantem o sigilo de fonte próprios para facilitar as denúncias. A omissão não tem mais espaço.





