Ao acessar aplicativos de delivery em busca de uma refeição, tornou-se frequente encontrar imagens de hambúrgueres e outros pratos com aparência impecável e altamente produzida nos cardápios dos restaurantes. Em plataformas como iFood e 99Food, um número crescente de estabelecimentos passou a recorrer a imagens geradas por inteligência artificial (IA) para compor seus cardápios digitais.
A estratégia reduz gastos com fotografia profissional e busca atrair o cliente pelo impacto visual, porém também tem provocado desconfiança, reclamações e questionamentos sobre transparência na oferta dos produtos.
IA nos cardápios
Nas redes sociais — com destaque para o X (antigo Twitter) — multiplicam-se relatos de consumidores que identificam imagens artificialmente produzidas, fotografias idênticas usadas por diferentes restaurantes e até representações de pratos que não correspondem ao que é entregue.
O avanço de ferramentas acessíveis, como ChatGPT e Gemini, tem permitido que pequenos estabelecimentos criem imagens altamente idealizadas para ilustrar seus cardápios, substituindo fotografias reais das refeições oferecidas.
Essa prática tem despertado discussões sobre direitos do consumidor, fidelidade das informações e transparência na oferta. Embora ainda não exista regulamentação específica sobre o uso de imagens geradas por inteligência artificial na publicidade de alimentos, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) determina que qualquer produto anunciado deve ser apresentado de forma clara e verdadeira, de modo a evitar que o cliente seja levado a erro ou tenha uma expectativa que não será atendida.
Recomendações aos restaurantes
Órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, recomendam que restaurantes e aplicativos indiquem quando uma imagem é gerada por inteligência artificial, para evitar equívocos e conflitos. Se o prato entregue não corresponder à foto, o cliente pode registrar reclamação diretamente com o estabelecimento, com o app ou junto aos órgãos competentes.
As plataformas de delivery afirmam ter diretrizes para coibir o uso inadequado das imagens. O iFood orienta que fotos de IA sejam usadas apenas quando correspondem fielmente ao produto e aplica sanções em caso de descumprimento. A 99Food não recomenda o recurso e monitora as imagens publicadas pelos restaurantes.
Apesar disso, a fiscalização ainda é um desafio. Nesse cenário, a orientação mais reforçada por especialistas e órgãos de defesa é simples: agir com clareza e transparência na apresentação dos produtos.





