Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, revelou que as esponjas de cozinha utilizadas diariamente para lavar louças liberam microplásticos na água à medida que sofrem desgaste durante o uso.
A pesquisa foi publicada em março na revista científica Environmental Advances e destaca uma fonte de poluição ambiental que costuma passar despercebida dentro das residências.
Os cientistas analisaram três tipos de esponjas amplamente utilizadas e constataram que todas liberaram partículas plásticas ao serem submetidas ao atrito típico da lavagem de pratos, copos, panelas e talheres.
Segundo os pesquisadores, o desgaste ocorre de forma gradual, fazendo com que pequenos fragmentos do material sejam carregados pela água e descartados pelo sistema de esgoto.
Testes reproduziram condições reais de uso
Para avaliar o impacto do problema, a equipe combinou experimentos em laboratório com testes realizados por voluntários em suas próprias casas. O objetivo foi reproduzir situações reais de uso e calcular a quantidade de material perdida ao longo do tempo.
Os resultados apontaram que uma pessoa pode liberar entre 0,682 e 4,212 gramas de microplásticos por ano apenas por meio da utilização regular de esponjas de cozinha.
Embora o volume pareça reduzido individualmente, os pesquisadores destacam que o efeito se torna significativo quando considerado em escala populacional.
Diferenças entre os materiais influenciam emissão
A pesquisa também identificou que a quantidade de microplásticos liberada varia conforme a composição da esponja. Modelos com maior presença de materiais plásticos apresentaram índices mais elevados de desgaste e emissão de partículas.
De acordo com os autores, a escolha de produtos com menor teor de plástico pode contribuir para reduzir a quantidade de resíduos lançados no meio ambiente durante as atividades domésticas.
Impacto pode chegar a centenas de toneladas
Os pesquisadores estimaram que, caso um único modelo de esponja fosse utilizado por todos os domicílios da Alemanha, a liberação anual poderia alcançar cerca de 355 toneladas de microplásticos.
Embora parte dessas partículas seja retida nas estações de tratamento de esgoto, uma parcela ainda pode atingir rios, lagos, oceanos e solos, aumentando a contaminação ambiental e a presença de resíduos plásticos em ecossistemas naturais.
Consumo de água também preocupa
Além da emissão de microplásticos, o estudo avaliou outros impactos ambientais associados à lavagem manual da louça. A análise mostrou que o consumo de água representa entre 85% e 97% dos danos ambientais observados na atividade.
Diante desse cenário, os pesquisadores ressaltam que reduzir o desperdício de água e optar por produtos mais sustentáveis são medidas que podem ajudar a minimizar os impactos da rotina doméstica sobre o meio ambiente.
Para os autores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre fontes menos conhecidas de microplásticos. Embora as esponjas de cozinha não estejam entre os maiores responsáveis pela poluição plástica, elas contribuem continuamente para a liberação dessas partículas ao longo dos anos.






